Água, fonte de lucro?

É o que pensam as grandes corporações – para elas, a água não tem de ser um bem natural, e sim, apenas uma mercadoria.

E não pensem que isso é tão surreal. Já aconteceu em Cochabamba, na Bolívia, quando os serviços municipais de abastecimento de água foram privatizados. Chegou-se ao absurdo de proibir as pessoas de coletarem água da chuva, já que ela também era considerada “propriedade privada” (ué, cadê a “democracia” que os privatistas tanto defendem?). O povo se mobilizou contra tamanho autoritarismo entre janeiro e abril de 2000, no episódio que ficou conhecido como “Guerra da Água”. E no fim, conseguiu reverter a situação.

Foi uma vitória importante, mas apenas em uma batalha. Pois com a tendência da água potável tornar-se mais escassa devido à poluição, crescerá o risco dela ser vista com olho grande pelas grandes corporações. Sem contar as prováveis guerras por água no futuro, assim como hoje vemos pelo petróleo.

Aliás, tudo isso é de especial motivo de preocupação para nós, já que aqui na América do Sul encontra-se a maior reserva subterrânea de água doce do mundo, o Aquífero Guarani – cuja maior parte fica em território brasileiro.

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Esta foi minha contribuição para o Dia de Ação dos Blogs 2010 – era para ter sido postado ontem, mas…

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Correção (16/10/2010, 19:18): O leitor Marcos Correa (ao qual agradeço) deixou comentário com a informação de que o maior aquífero é o Alter do Chão, na Amazônia, que tem quase o dobro de volume d’água em relação ao Guarani.

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Péssimo resultado

O Grêmio poderia ter goleado o Universidad de Chile ontem, mas não passou de um 0 a 0. Do jeito que as coisas iam, poderia jogar até amanhecer, e o gol não sairia.

Agora, com o dever de casa não feito, tornou-se obrigação vencer pelo menos uma fora de casa, para não passar sufoco na busca pela classificação. Dois dos três jogos fora são nos Andes: o primeiro contra o Boyacá Chicó, em Tunja; o outro contra o Aurora, em Cochabamba.

Os adversários podem não ser os mais famosos, mas altitude sempre atrapalha. Prova disso é que um tal de “campeão de tudo” apanhou nos 705 metros acima do nível do mar de Veranópolis em 2007, e semana passada sofreu com os vertiginosos 227 metros de Rondonópolis.