O mundo está doente

Ontem pela manhã, uma motorista que passava pela BR-116 em Canoas ouviu pela Rádio Gaúcha a notícia de que em um ponto da rodovia havia um cão abandonado, junto à mureta que separa os dois sentidos da estrada. Ao enxergar o cachorrinho, não teve dúvidas: parou o carro e o recolheu.

Foi o que bastou para ela ouvir todo o tipo de xingamento. Motoristas de outros carros bufaram pela perda de, sei lá, apenas mais alguns minutos em seu deslocamento. Provavelmente tinham ouvido a notícia sobre o cão, talvez sentissem pena dele, mas retirá-lo daquela situação perigosa… “Nem pensar, não tenho tempo a perder!”, diz o “cidadão de bem”.

Não me resta a menor dúvida de que tudo está muito errado em nossa sociedade. Cada vez mais me convenço de que imaturo não é o jovem que sonha com um mundo diferente, e sim, o velho que não aceita mudanças – e muitas vezes tem menos idade que os jovens sonhadores (que por sua vez, às vezes têm até cabelos brancos).

E há um longo caminho pela frente, como provam os motoristas que esbravejavam. Pois eles representam um dos maiores males da atualidade: a falta de solidariedade.

Demolição do Presídio Central

Barbada de entender o motivo pelo qual a Yeda anunciou a demolição do Presídio Central: os “cidadãos de bem” que fazem parte do (des)governo dela não querem ser tratados do mesmo jeito que os “cidadãos do mal” (que na ótica dos “cidadãos de bem” nem sequer são cidadãos e têm mais é que apanhar).

E como “cidadãos de bem” não devem apanhar, não devem ser algemados, como diria nossa “inteligência superior”… Derruba o presídio!


(charge do Kayser)


(charge do Eugênio Neves)