Contra o casamento

É isso mesmo. Eu sou contra o casamento. Pode até ser que no futuro eu mude de ideia. Mas esta é a minha opinião hoje. E modéstia a parte, é significativa, se levarmos em consideração que este domingo foi (mais) um dia chuvoso em Porto Alegre – dizem que nada como ter um amor (de contrato assinado e tudo) para não ficar em depressão num domingo de chuva, como se não existissem outras opções de diversão como livros, filmes, jogos etc.

Não sou contra o “se juntar”, como vários casais fazem e eu aceitaria numa boa (até porque com isso as contas podem ser divididas). Só acho uma grande bobagem esse negócio de noivado, igreja (ainda mais que sou ateu), festança… Enfim, todas essas formalidades, cerimônias. Algo que considero por demais ultrapassado, e também um desperdício de dinheiro. (O mesmo vale para as formaturas em palco.)

Quem está lendo este texto certamente acha que jamais conseguirei acabar com a instituição do casamento. Penso o mesmo.

Mas, por que acabar com ele? Ora, se não quero casar… É só não fazê-lo (afinal, não sou obrigado). Simples, né? E bem mais democrático do que, por eu ser contra, querer que as pessoas que não são contrárias percam seu direito ao casamento.

O mesmo argumento vale para o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Se sou contra a instituição, quer dizer que isso vale tanto para os heterossexuais como para os homossexuais. Mas não sou obrigado a casar com outro homem, então é só não casar… Não vejo motivo algum para que pessoas do mesmo sexo não tenham o direito de se casarem. Além do que, por eu ser hétero, o reconhecimento legal da união homoafetiva não faz a menor diferença para mim – mas é muito significativo para os homossexuais.

Assim, fica a dica: se quem está lendo este texto é contra homossexuais se casarem por achar isso “imoral”, porque sua religião é contra ou por qualquer outro motivo, é só não casar com alguém do mesmo sexo… Bem mais simples – e democrático.

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O gabinete me conquistou

Assisti na tarde da quinta-feira à formatura em gabinete de alunos do IFCH da UFRGS, dentre eles meu amigo Renan, que concluiu sua graduação em Filosofia. E, definitivamente, tal formato me conquistou.

As únicas coisas que fazem lembrar uma formatura tradicional são o fato de haver juramento e a entrega de um canudo – que não é o diploma, diga-se de passagem. (O que significa que cerimônia de formatura não serve para nada!)

Foi uma formatura extremamente rápida: o primeiro a ser chamado em cada ênfase de cada curso do IFCH (Filosofia, História e Ciências Sociais) fazia o juramento, pegava o canudo e passava a vez para o seguinte, que pegava o canudo e passava a vez para o próximo… Não há um monte de discursos, agradecimentos, como acontece no palco (onde há formandos que chegam ao cúmulo de agradecer ao cachorro). E o melhor de tudo: sem toga! Considerando que devo me formar durante o verão, é um baita diferencial não ter de usar aquela roupa preta.

Desde que terminei o Ensino Médio, em 1999, acho formatura um evento chatíssimo. E o pior de tudo é que já fui a muitas: ainda bem que a maioria dos meus amigos já se formou. E como tenho o hábito de ser coerente, não pretendo, no verão de 2010, submeter nenhum deles àquela tortura.

Sem contar que, hoje em dia, as formaturas em palco são “feitas para a televisão”. Não são transmitidas ao vivo, mas é tudo montado para sair bem no vídeo (que será revisto no máximo uma vez). Tanto que o que sai mais caro em formaturas é o pagamento de uma produtora, para eternizar “o momento inesquecível” da melhor maneira possível. Mesmo na formatura de Ensino Médio se tem despesa com produtora: até não gastei muito com a minha, mas três anos depois estava muito mais caro e por isso o meu irmão se recusou a participar do troço.

Até porque, sejamos sinceros, as formaturas não são feitas para os formandos, e sim para o exibicionismo dos pais (claro que nem todos são iguais, não generalizemos!).

Enfim, já tomei minha decisão: entre gastar muito para passar calor, ter de falar qualquer merda no púlpito e ter um DVD (que nunca assistirei) da minha formatura; e me formar de graça, sem passar calor e sem discursos… Sem dúvida alguma, escolho a segunda opção.

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Também são alvos de meu “mau humor” aquelas estúpidas faixas de parabéns por aprovações em vestibulares: se a homenagem fosse realmente para o “bixo”, a faixa deveria ficar voltada para o lado de dentro da casa, não para a rua. Quando passei no primeiro vestibular, em 2000 (Física na UFRGS), minha mãe mandou fazer um banner que toda hora eu tirava da janela. Até parecia premonição: dois anos depois eu largaria o curso, para em 2004 ingressar na faculdade de História, novamente na UFRGS. Desta vez, sem banner.