O Boteco do Almômetro

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Hoje aconteceu o 16º Boteco Tricolor, especial! Além dos titulares Guga Türck e Sérgio Valentim (desfalcou o Boteco de hoje o Jefferson Pinheiro), participaram também o Kayser, o Hélio Paz e este que vos escreve, “dono” do Cão Uivador. Nós cinco somos parte da equipe que faz o Almômetro.

Foi mais de uma hora de debate sobre o Gre-Nal do Século (sim, foi o de ontem, 100 anos do clássico!), sobre a visível melhora do Grêmio desde que Paulo Autuori implantou o 4-4-2, e em consequência disso, do crescimento de algums jogadores no novo esquema, como Fábio Santos, Túlio e Adílson. E, claro, não podíamos deixar de falar do Mário Fernandes, que jogou muito! Tomara que continue assim – e poderá ser uma das principais revelações do Brasileirão 2009.

Clique aqui para ir ao Alma da Geral e ouvir o Boteco do Almômetro!

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Existem amigos que torcem para outro time

Foto tirada antes do Gre-Nal 181, em 05/03/1967. Fonte: "Folha da Tarde Esportiva", 06/03/1967.

Foto tirada antes do Gre-Nal 181, em 5 de março de 1967. Fonte: "Folha da Tarde Esportiva" do dia seguinte.

Como bom gremista, quero que o Inter se exploda. Sempre. Comigo não tem essa de “tira, Índio!”. Detesto babação de ovo.

Mas eu quero a desgraça dos vermelhos apenas no campo de futebol, é claro. Infelizmente, nem sempre isso acontece. Fazer o quê?

Ser gremista nunca me impediu de ter grandes amigos colorados. E é sensacional tirar sarro deles: dizemos que são podres, toscos, mas a amizade continua, porque sabem que é de brincadeira.

É possível até se rir junto quando se leva flauta – desde que ela seja criativa, sem “pifações”, é claro. Tem colorados que sabem debochar de uma maneira divertida, sem arrogância. E não perdem o bom humor quando a “gangorra” inverte e é a minha vez de tirar sarro.

Já houve momentos em que meu coração até esqueceu que é tricolor. Isso se deu quando algumas coloradas “fizeram eu subir pelas paredes” – claro que não por causa de futebol, né? Há uns dez anos cheguei ao cúmulo de dizer que uma guria era “perfeita”, e isso mesmo sabendo que ela torcia pelo Inter! Que heresia! Tudo bem que ela era muito bonita, mas é uma vergonha mesmo assim… Menos mal que ela teve o senso crítico que me faltou, e me deu um fora (afinal, ela percebeu que eu estava mentindo, não se enganou). Aprendi a lição.

Mas não se pode esquecer a frase dita nos anos 60 pelo então presidente gremista Rudy Armin Petry: “O Grêmio é grande devido à grandeza do Internacional”. Nada mais do que a verdade. A rivalidade e o desejo de sempre ser melhor que o adversário fez com que ambos os clubes crescessem e se tornassem os gigantes que são, o que é um orgulho para Porto Alegre.

Claro que, como eu falei, há aqueles que não são dignos de torcerem para um grande clube – e se verifica isso dos dois lados. São os arrogantes, que não vêem que futebol pode até ser “dentre as coisas menos importantes, a mais importante”, mas não resolve os problemas de ninguém. São aqueles que agridem – tanto verbalmente quanto fisicamente – quem veste uma camisa de cor diferente. Simplesmente lamentável. Há tanto dirigentes quanto torcedores (felizmente, uma minoria) que agem dessa forma.

Só que esse post não é para os arrogantes, e sim dedicado aos que, mesmo não sendo perfeitos (não sou mais um adolescente de 17 anos apaixonado por uma colorada, então posso tocar flauta livremente!), não são pessoas de menor valor apenas por torcerem para o grande rival. Me deram muitas alegrias com as derrotas do seu Inter (assim como também ficam felizes com as desgraças do meu Grêmio). Porém, acabou o jogo, tiramos um sarro, tomamos uma cervejinha e esquecemos que por 90 minutos “nos odiamos”.

Um fraternal abraço aos amigos e leitores colorados, e parabéns pelo centenário de seu time!

Mas, só para não perder o hábito, abaixo vai um vídeo lembrando que, terça-feira, temos jogo mais importante do que o de amanhã… Afinal, é da flauta que vive a rivalidade Gre-Nal, que não tem igual no mundo inteiro.

Inaceitável!

Imaginem um dirigente do Flamengo dizendo que torceu pelo Vasco. Ou um diretor do Palmeiras afirmando que entrou em desespero com o rebaixamento do Corinthians.

Agora, um dirigente do Grêmio dizer que torceu pelo título mundial do Internacional não é exercício de imaginação, é a mais estúpida verdade. Aconteceu na festa dos 99 anos do Inter, em abril passado. Veja o vídeo abaixo, também publicado nos blogs Apito do Blackão, Alma da Geral e Grêmio Acima de Tudo. O “gremista” que cometeu a insanidade é Túlio Macedo, que está para deixar a diretoria do Grêmio:

Entendo que os dirigentes se cumprimentem em ocasiões festivas, que mantenham uma relação de respeito, de cordialidade.

Até porque já faz parte da história de nosso futebol. No primeiro semestre de 1967, quando o futebol gaúcho não tinha a força de hoje, Grêmio e Internacional apoiaram um ao outro: surgiu assim a “Torcida Gre-Nal”, quando “em nome do Rio Grande” gremistas e colorados torciam lado a lado para ambos os clubes durante o Torneio Roberto Gomes Pedrosa. No Gauchão daquele ano a rivalidade voltou ao normal, já que não havia necessidade de “afirmação estadual” do futebol de Porto Alegre.

No dia do centenário do Grêmio, o Inter mandou publicar nos jornais de Porto Alegre uma nota oficial em homenagem ao Tricolor. E provavelmente haverá homenagem do Grêmio ao Inter ano que vem, no centenário colorado.

Mas, babação de ovo como a de Túlio Macedo é inaceitável! Só faltou ele beijar os pés de Vitório Piffero! Logo deste senhor, um dos presidentes mais arrogantes que já teve o Internacional, que nunca demonstrou o mínimo de respeito pelo Grêmio. Que adora falar do “título da FIFA”, ajudando a construir uma imagem extremamente antipática do clube vermelho. Eu poderia argumentar contra os colorados que, no ranking da Conmebol, o título mundial “FIFA” vale menos pontos do que o “não-FIFA”, mas, modéstia a parte, tenho um grande senso de justiça, e digo que a Conmebol deveria rever o critério, e atribuir a mesma pontuação tanto para os “FIFAs” como para os “não-FIFAs”, visto que a glória é a mesma.

Um bom exemplo de como o Internacional tornou-se um clube antipático é o que acontece com uma amiga minha nascida em Minas Gerais e que mora em Porto Alegre desde 2003: ela torce pelo Cruzeiro, e adotou o Grêmio como segundo time. Ela nunca detestou o Atlético-MG, mas tem sentido cada vez mais nojo do Inter desde o final de 2006, quando eles começaram com essa história “PIFAda” apenas para desmerecer a conquista do Grêmio.

E um dirigente do Grêmio ainda baba ovo deles! Enquanto isso, os colorados (não só torcedores, mas também os dirigentes, que pelo visto Túlio Macedo julga “superiores”, visto que ele afirma não ser “torcedor” e sim “dirigente”) só fazem piadas do Tricolor, ainda mais com a inoperância da atual direção gremista, que esqueceu da prioridade do clube, que está até no nome: futebol!

Considerando que Túlio Macedo representava a direção gremista na festa colorada, o presidente Paulo Odone deve explicações à torcida tricolor. E se for verdade o que Macedo diz, que foi autorizado pelo presidente a dar aquele discurso, só restará a Odone um caminho: a renúncia. Pois quem torce pelo Inter não tem a menor legitimidade para comandar os destinos do Grêmio.