Acreditem se quiser

Mas a arrasadora goleada de 7 a 1 do Grêmio sobre o Figueirense não é a maior do técnico Celso Roth.

Terminou o jogo e pensei nisso. Mas logo depois, lembrei de um jogo acontecido em 1999. No dia 14 de abril, pelo Campeonato Gaúcho, o Tricolor massacrou o Lajeadense por 8 a 0, no Estádio Olímpico. O técnico gremista era Celso Roth.

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Mas que coisa boa, estou queimando minha língua: Grêmio líder do Brasileirão! Até quando? Pois não me iludo: o Tricolor não tem grupo para ser campeão.

Bom… Espero queimar minha língua de novo!

Um mês inexistente

No calendário, o tempo passou. Desde 9 de abril, já temos 26 dias. Que serão 31 no próximo sábado, dia 10 de maio, quando o Grêmio entrar em campo no Morumbi diante do atual bicampeão brasileiro, o São Paulo.

Mas, para o Grêmio, é como se não tivesse existido este período. Foi exatamente o que disse o Guga Türck: um mês jogado no lixo. Quando André Krieger assumiu o futebol tricolor, 10 em cada 10 gremistas esperavam mudanças, depois de duas eliminações seguidas dentro do Olímpico: no dia 6 de abril, derrota para a ex-filial* Juventude quando o empate servia para seguir adiante no Gauchão; e no dia 9, adeus à Copa do Brasil diante do Atlético-GO. Aquela semana foi tão terrível que me desanimou a ponto de passar mais de 20 dias sem sequer tocar no assunto “futebol” aqui no Cão.

Porém, para a incredulidade dos gremistas, optou-se pelo “mudar não mudando”, filosofia do nosso rival há 10 anos atrás – e que por isso esperou até 2006 para ganhar um título de verdade. Quando decidiu-se pela permanência de Celso Roth, na hora previ: ou a direção o manterá com convicção e defendendo-o da enxurrada de críticas em caso de mau começo no Campeonato Brasileiro, ou o demitirá caso o Grêmio comece mal, fazendo com que um mês de preparação para o Brasileirão não tenha servido para nada.

Pois se é para mandar embora Celso Roth, era melhor tê-lo feito logo após a eliminação da Copa do Brasil: o treinador que assumisse teria um mês para preparar o time. Quem quer que assuma agora – caso Roth seja realmente demitido – precisará fazer ajustes com o Brasileirão em andamento, o que nunca é simples. Porém, caso Roth fique, terá de lidar com uma alta rejeição da torcida, o que também não é fácil.

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* Perco qualquer coisa, menos a piada: precisando de dinheiro, o Grêmio vendeu sua filial ao Internacional. Prova disso é que em 2008 o Juventude detonou o Grêmio e na “hora H” abriu as pernas para o Inter.

Touca

Se a “touca” do Inter é o Juventude, a do Grêmio é, definitivamente, o Estádio Serra Dourada em Goiânia. A última vitória gremista por lá foi em um amistoso contra o Vila Nova em 1997; em se tratando de jogos oficiais, a última vez que o Grêmio saiu vitorioso de lá foi em 5 de dezembro de 1996, quando derrotou o Goiás por 3 a 1, na primeira partida da semifinal do Campeonato Brasileiro que seria vencido pelo Tricolor. Desde então, no máximo o que o Grêmio conseguiu no Serra Dourada foram empates. E em quatro oportunidades, acabou goleado pelo Goiás.

Ontem o adversário era o Atlético-GO, atual campeão goiano. Em termos de qualidade, o time não é muito diferente do Grêmio. E, como jogava no Serra Dourada, venceu. O Tricolor começou o jogo melhor, mas quando o Atlético teve sua primeira chance de gol, em um contra-ataque, marcou. Dali em diante, o Grêmio passou a jogar mal, de uma forma até irritante.

O futebol ruim continuou no segundo tempo, quando o Atlético chegou ao 2 a 0. Algo que não dava para entender era o porquê das cobranças rasteiras de escanteios: o time insistia nisso, assim os zagueiros subiam para cabecear uma bola que nunca chegava e o adversário levava mais perigo nos contra-ataques, com a defesa gremista desarrumada. Menos mal que no final o Grêmio descontou com Roger, e assim basta uma vitória de 1 a 0 quarta que vem.

Mas isto comprova o que eu já tinha lido no Alma da Geral: não dá para usar o Gauchão como parâmetro para a qualidade do time. O estadual deste ano está muito ruim, o Grêmio sobrou na primeira fase por isso. E foi só pegar um time melhor do que o Jaciara e os adversários no Gauchão para o Tricolor patinar.

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E por falar em “maldição do Serra Dourada”, foi com Celso Roth, em 2000, que o Grêmio conseguiu a façanha de abrir 2 a 0 no Goiás, se retrancar todo e deixar o adversário empatar o jogo.

Celso Roth, de novo, no Grêmio

Nas duas vezes que assumiu o Grêmio (1998 e 2000), Celso Roth tirou o time da lanterna e levou às finais do Brasileiro. Mas foi um retrancão… A ponto de estar vencendo por 2 a 0 o Goiás em pleno Serra Dourada, retrancar-se ainda mais e deixar o adversário empatar.

Mas, para explicar a demissão de Vagner Mancini, há duas hipóteses.

Primeiro, que a direção gremista apostou em Mancini e decidiu mandá-lo embora devido às más atuações fora de casa e, principalmente, contra o Jaciara. Ou seja: uma total falta de convicção, já que estamos recém em fevereiro – ou seja, o time ainda está em fase de montagem -, o Grêmio faz boa campanha no Gauchão e, pasmem, não perdeu nenhum jogo! Sem contar que treinadores que deram muito certo no Grêmio – como Felipão, Tite e Mano Menezes – começaram mal, mas tiveram tempo para trabalhar e entrarem para a história do clube.

Mas não creio que seja por questões técnicas. Só pode ser desentendimento entre treinador e direção. Esses dias, Vagner Mancini disse em entrevista que não aceita intromissões de dirigentes em seu trabalho – em referência ao acontecido no Vasco, onde Romário pediu demissão por não aceitar que Eurico Miranda se metesse na escalação do time. Certamente as palavras de Mancini não agradaram aos dirigentes gremistas, que esperaram aparecer a primeira oportunidade para poder mandar embora o técnico. Sem contar que não é a primeira vez que algo assim acontece no Grêmio: em 1993, Cassiá ia bem no comando do time, mas se desentendeu com o Cacalo (então vice de futebol) e foi demitido. Pelo menos depois veio o Felipão…

Agora, é esperar para ver se Roth se sairá bem ao assumir o Grêmio num momento “não-crítico”. Pois não há crise alguma no clube agora, diferentemente de 1998 e 2000. Bom, a não ser que a imprensa crie uma, vide episódio das “ovelhinhas” de 2003, que se tornou crise graças à Zero Hora – e a partir dali o Grêmio desandou.