Meus jogos no Olímpico Monumental: 1999

No final de 1998, houve eleição presidencial no Grêmio. O oposicionista José Alberto Guerreiro, que já concorrera em 1996, venceu Saul Berdichevski, candidato da situação – Cacalo, que estava em seu primeiro mandato, não quis concorrer à reeleição.

Assim, o clube entrava em 1999 sob novo comando, mas mantendo o técnico Celso Roth, após a bela reação no Campeonato Brasileiro de 1998, quando o Grêmio saiu da lanterna para ficar entre os oito melhores. Roth resistiu até setembro, quando sucumbiu à má campanha do Tricolor no Brasileirão de 1999. Foi substituído por Cláudio Duarte, que não melhorou muito as coisas, já que o Grêmio acabou em 18º lugar entre 22 clubes, e só não esteve seriamente ameaçado de cair devido ao novo critério para determinar os rebaixados: pela média de pontos de 1998 e 1999, com a boa campanha no ano anterior aliviando a barra gremista enquanto dois clubes que ficaram à frente do Grêmio naquele campeonato, Gama e Paraná, caíram. (Se bem que em 2000 teríamos aquela sensacional virada de mesa…)

Mas nem tudo foi fracasso em 1999. Em abril, o Tricolor conquistou a primeira (e única) edição da Copa Sul, e em junho ganhou o título estadual, com Ronaldinho brilhando – e humilhando. O problema é que no segundo semestre, a cada entrevista após uma derrota, Guerreiro sempre dizia: “no primeiro semestre o Grêmio disputou três competições e ganhou duas” – um bordão semelhante às referências de Paulo Odone à Batalha dos Aflitos em 2011 e 2012. Irritava demais. Continuar lendo

Meus jogos no Olímpico Monumental: 1998

Para os gremistas, 1998 começava com o sonho da Libertadores. Era o quarto ano consecutivo em que o Tricolor disputava a competição sul-americana, feito conseguido por poucos clubes brasileiros.

Porém, algo incomodava. Estava no banco de reservas e atendia pelo nome de Sebastião Lazaroni. O técnico da Seleção na Copa de 1990 (quando o Brasil caiu nas oitavas-de-final diante da Argentina) não era visto com bons olhos pelos gremistas. Em sua coluna no Correio do Povo em 29 de novembro de 1997 (poucos dias após a contratação do técnico), Hiltor Mombach dizia que “onze em cada dez gremistas” eram contrários à vinda de Lazaroni; mas ao mesmo tempo recomendava que ao menos se deixasse o técnico trabalhar, antes de detoná-lo.

Assim se fez. E Lazaroni ficou até maio, quando após a eliminação do Campeonato Gaúcho foi substituído por Edinho, que durou igualmente pouco: no início de agosto, com o Grêmio já eliminado da Libertadores, chegou Celso Roth, que tirou o time da zona de rebaixamento no Campeonato Brasileiro e o levou às quartas-de-final. O Tricolor terminou o ano sem ganhar absolutamente nada, o que não acontecia desde 1992. Continuar lendo

Grêmio praticamente fora da Libertadores 2012. Que bom!

Foi constrangedora a atuação do Grêmio ontem. Levou só 3 a 1 do Figueirense em pleno Olímpico, e com isso, é muito improvável que consiga disputar a Libertadores de 2012.

Sabem de uma coisa? Isso é ótimo!

Obviamente não estou contente com a derrota, ainda mais do jeito que ela veio: beirando a humilhação. Mas de tudo se pode tirar uma lição, o que é algo positivo. E neste caso, ela é a de que é insanidade acreditar em vaga na Libertadores do próximo ano. Ficou claro que o objetivo do Grêmio no Campeonato Brasileiro está praticamente garantido: a permanência na Série A. (Até porque ir à Sul-Americana é fácil demais, é quase a mesma coisa que escapar do rebaixamento, dado o exagerado número de vagas para o Brasil.)

Eu quero que o Grêmio dispute a Libertadores para ganhá-la, e não apenas para fazer figuração – opinião que compartilho com o Igor Natusch. E para isso é preciso planejamento a médio e longo prazo, o que tem sido raridade nos últimos tempos em se tratando do Tricolor.

Na atual situação financeira do Grêmio, o melhor é começar “comendo pelas beiradas”, como somos sempre ensinados quando crianças. É fato que o clube precisa voltar a ganhar um título além de Gauchão e Série B, e quebrar a escrita de 10 anos sem conquistas de verdade, mas querer logo a Libertadores é sonhar alto demais neste momento.

Por que não se dedicar a ganhar a Copa do Brasil (que foi justamente a última conquista de verdade do Grêmio)? Ela não demanda um plantel tão caro quanto um Campeonato Brasileiro, é um bom atalho para a Libertadores (sempre ela…) e, melhor ainda, termina no meio do ano. Sobra assim bastante tempo para buscar jogadores bons e baratos e, desta forma, montar um time em condições de conquistar La Copa sem precisar de muitos recursos financeiros.

Mas, é óbvio não irei torcer contra o Grêmio, mesmo que ele corra o risco de se classificar para a Libertadores do ano que vem e, assim, de não poder disputar a Copa do Brasil. Quero que ganhe os próximos jogos, para assim garantir matematicamente a fuga do rebaixamento – e provavelmente uma vaga na Copa Sul-Americana – e, principalmente, que anule Ronaldinho na partida do próximo dia 30 contra o Flamengo (se é que o ex-gremista terá coragem de vir ao Olímpico).

Mas assim que realmente não houver mais nenhum risco, que se ponha a gurizada a jogar e já se comece a buscar jogadores (e também um treinador, já que Celso Roth tem, sim, prazo de validade) para 2012, de modo a que o último ano do Olímpico Monumental não seja tão melancólico quanto o penúltimo.

Finalmente, o fim

Chegou ao fim na manhã de sábado o (des)governo Yeda Crusius. Quadriênio que já tinha começado muito bem: após receber o cargo de Germano Rigotto, Yeda foi à sacada do Palácio Piratini e pendurou a bandeira do Rio Grande do Sul de cabeça para baixo. Profética imagem…

Posse de Yeda Crusius, 1° de janeiro de 2007

Mas antes mesmo de assumir, Yeda já sofrera sua primeira derrota. Em 29 de dezembro de 2006, um pacote que previa aumento de impostos e era apoiado por ela, foi derrotado na Assembleia Legislativa. Foi quando vi algumas cenas bizarras, como deputados do PT e do PFL (ainda não era DEM) comemorando juntos – o vice Paulo Afonso Feijó, que já estava afastado de Yeda desde a campanha eleitoral (pois ela não queria que ele defendesse abertamente as privatizações), se distanciou ainda mais do (des)governo que nem começara.

Àquela altura, Yeda já motivava muitas charges*. E elas já começavam a ir muito além de sua inabilidade política, chegando até mesmo a seu legítimo “pé-gelado”: em 6 de abril de 2008, o Grêmio precisava empatar com o Juventude no Olímpico para ir à semifinal do Gauchão. Yeda foi ao estádio, e o Ju venceu por 3 a 2, após uma inexplicável escalação de Celso Roth… Opa, inexplicável uma ova!

Yeda não foi “pé-frio” apenas no futebol. Em fevereiro de 2009, visitou a Paraíba, governada por seu colega de partido Cássio Cunha Lima; dias depois, o tucano teve seu mandato cassado. Em maio do mesmo ano, ao inaugurar uma estrada, o palco cedeu.

Três semanas atrás, previ que Yeda faria por merecer mais sátiras em seus últimos dias no Piratini. Dito e feito. Vimos o “videoclipe”, o momento Forrest Gump, a inauguração de um tronco petrificado… E no fim, uma aulinha de história do Palácio Piratini: em seu discurso de despedida, Yeda falou que o primeiro morador do prédio foi Bento Gonçalves, em 1921. A ex-(des)governadora está certa quanto ao ano de inauguração do Palácio, mas é preciso avisá-la de que Bento Gonçalves faleceu em 1847.

Após o discurso, a “Joana D’Arc dos Pampas” (usando as palavras do genial Professor Hariovaldo) deixou o Piratini pela porta dos fundos.

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* Um aviso aos leitores: não desisti da ideia de fazer uma “retrospectiva chargística” destes quatro bizarros anos – é que originalmente eu pensava em publicá-la hoje, mas são tantas charges, que é impossível publicar tudo de uma vez, e sem passar pelo menos alguns meses selecionando as melhores. Como não sei se eu sobreviveria a tanta risada – assim como os infelizes que foram vitimados pela piada mais engraçada do mundo – acho que talvez seja uma boa dividir os trabalhos…

Quando o GRÊMIO voltará a ser GRÊMIO?

Aqui é tu mesmo, direto de 2010. Vou ser curto e grosso. Em um momento de angústia tive que te (me) escrever esta carta por descarga de consciência. Quero te falar do Grêmio aqui em 2010. Não vou te aporrinhar com coisas que acontecerão neste meio tempo que nos separa. Acredite, tu não vai querer saber. Só uma dica: comemore MUITO a Copa do Brasil de 2001.

O trecho acima é de uma carta escrita por Cristian Bonatto em 2010 para ele mesmo, 10 anos atrás. Reflete perfeitamente o sentimento de qualquer torcedor gremista neste agosto que, em 2010, faz jus à expressão “mês do desgosto”.

O mais interessante é o fato do “destino” da carta encontrar-se exatamente em 2000, ano em que podemos dizer que se iniciou a decadência que fez do Grêmio o que ele é hoje. Foi quando o nosso Tricolor começou a deixar de ser aquele time lutador, temível.

Naquele ano, o Grêmio assinou um contrato de parceria com a ISL, empresa suíça de marketing esportivo que era uma das principais parceiras da FIFA. O torcedor sonhava com glórias, que o então presidente, José Alberto Guerreiro, prometia que se tornariam “barbadas” com o dinheiro que a ISL investiria no clube para transformá-lo num “Real Madrid brasileiro”. Mas o meu pai, colorado, ironizava e dizia “estar torcendo pelo Guerreiro”. Parecia pressentir que o negócio não ia dar certo.

Contando com o dinheiro da ISL, o Grêmio gastou muito para contratar “medalhões” como Amato, Astrada, Paulo Nunes e Zinho – este último, o único que deu certo. E pagando altíssimos salários, na casa dos 200 mil dólares. Enquanto isso, o nosso verdadeiro craque, Ronaldinho, carregava o time nas costas e não recebia a metade do valor pago mensalmente a “reservas de luxo”.

Mesmo com toda a grana que gastou, o Grêmio não ganhou nenhuma taça em 2000. Foi vice-campeão gaúcho (perdeu para o Caxias na final), eliminado de forma humilhante da Copa do Brasil (4 a 1 para a Portuguesa em pleno Olímpico) e semifinalista da Copa Jean Marie João Havelange (eliminado pelo São Caetano com duas derrotas: 3 a 2 em São Paulo e 3 a 1 no Olímpico).

Do ano de 2001, a maioria dos gremistas lembra da conquista da Copa do Brasil, quando o Grêmio, com um grande time comandado por Tite, deu um banho de bola no Corinthians no Morumbi lotado e venceu por 3 a 1. Mas aquele ano teve dois fatos negativos. O primeiro foi a saída de Ronaldinho: quando ele alcançara projeção internacional em 1999, após a Copa América e a Copa das Confederações, Guerreiro mandara dependurar uma faixa na entrada do Olímpico, anunciando que o Grêmio “não vendia craques”. De fato, não vendeu, deu praticamente de  graça ao Paris Saint-Germain… A torcida, claro, ficou revoltada com a saída de Ronaldinho, depois dele tantas vezes ter jurado amor ao Grêmio, mas sejamos sinceros: o cara fazia o time jogar, e tinha de ver Paulo Nunes e Astrada no banco e ganhando mais que o dobro que ele? Pode ter sido “sacanagem” da parte dele, mas ele também se sentia desvalorizado, e por isso, foi embora.

Outro fato negativo em 2001 foi a falência da ISL. Vários dos “medalhões” do ano anterior já haviam saído, mas também ficou claro ali que a conta de tudo aquilo teria de ser paga pelo Grêmio, já que a parceria fora por água abaixo. Mas o necessário enxugamento das finanças do clube foi postergado, primeiro pelo empenho em conquistar a Copa do Brasil em 2001 (tanto que contratou Marcelinho Paraíba, um dos principais responsáveis pelo título), e depois da conquista, em nome do sonho de ganhar a Libertadores em 2002.

O Grêmio foi até a semifinal, quando foi eliminado pelo Olímpia de forma dramática, nos pênaltis, com uma arbitragem pra lá de polêmica. Após a desclassificação, começou a “operação desmanche”. O corte de gastos não era exclusividade gremista naquela época – de modo geral, o futebol era atingido por uma crise, com clubes europeus reduzindo salários – mas o Tricolor finalmente fazia algo que “era para ontem”. O colunista Hiltor Mombach, do Correio do Povo, profetizava sobre o Grêmio naqueles tempos em que fracassos e crises eram sempre associados ao rival:

Grêmio começará a passar pela mesma crise financeira do Inter. Talvez até pior. (Correio do Povo, 19 de julho de 2002, p. 18)

Mesmo com a saída de vários jogadores, entre eles Zinho (salário mais alto do clube – e que já fora maior, visto que ele renovara com o Grêmio no início de 2002 por um salário menor que o anterior), o Tricolor ainda conseguiu fazer uma boa campanha no Campeonato Brasileiro, ficando em 3º lugar e se classificando para a Libertadores de 2003 – o que fez o clube novamente “ir às compras” para conquistar o sonhado troféu naquele ano tão especial, em que celebraria o centenário.

Ao mesmo tempo, terminava o mandato de Guerreiro, e por aclamação, Flávio Obino foi eleito para comandar o clube no biênio 2003-2004 – houve uma única voz discordante, o ex-presidente Hélio Dourado. Obino já fora presidente de 1969 a 1971, quando o Grêmio encerrou uma longa sequência de conquistas (conquistara todos os títulos estaduais de 1956 a 1968, exceto em 1961 – foi o famoso “doze em treze”) e o rival a iniciou. Desde então, Obino ficara com a fama de “pé-frio”, que apenas se consolidou durante sua segunda passagem na presidência gremista.

Em 2003, após ser eliminado da Libertadores nas quartas-de-final pelo Independiente Medellín, o Grêmio viveu uma das situações mais dramáticas de sua história, brigando para não ser rebaixado justamente no ano de seu centenário. Na passagem dos 100 anos, em 15 de setembro, o time ocupava a lanterna do Campeonato Brasileiro, com vários pontos de desvantagem em relação ao 22º colocado (último que se salvava da degola). Buscando forças sabe-se lá de onde, o Tricolor conseguiu escapar da Série B, garantindo a permanência ao vencer o Corinthians por 3 a 0 no Olímpico, na última rodada – o resultado, aliado à derrota do Inter por 5 a 0 para o São Caetano na véspera (quando o rival precisava de um empate para voltar à Libertadores depois de 11 anos) deixou muitos gremistas eufóricos, com a sensação de que 2003 fora atípico, e que no ano seguinte “as coisas voltariam a ficar em ordem”, com o Grêmio conquistando títulos e o rival penando.

Doce ilusão… O que se viu em 2003 foi glorioso em comparação com 2004. Com um time ridículo, o Grêmio só fazia o torcedor sofrer. Contratou verdadeiras bombas como o goleiro paraguaio Tavarelli (que era titular daquele Olímpia que eliminara o Tricolor da Libertadores em 2002), os zagueiros Capone e Fábio Bilica (que, se eu tivesse o poder, proibiria até mesmo de jogarem botão usando o Grêmio como time), Michel Bastos (é, ele mesmo…), Felipe Melo (é, ELE MESMO!) etc. Em junho, o time deu um vexame impressionante e foi eliminado do Gauchão ao levar 3 a 1 da Ulbra. Caiu o técnico, Adílson Batista, e o vice de futebol, Saul Berdichevsky; e o único que teve coragem de assumir o pepino foi Hélio Dourado – sim, ele que fora o único a não votar em Obino, não hesitou em oferecer sua ajuda para salvar o Grêmio, quando ninguém que apoiara a aclamação do presidente dava sua cara a tapa. Mas não adiantou, e em novembro, o bagunçado Tricolor acabou rebaixado.

Veio 2005 e Paulo Odone na presidência. Em seus quatro anos, vimos o Grêmio sair da Série B e quase ir “sem escalas” ao Japão disputar o título mundial de 2007. Mas faltou time (mesmo que várias contratações tenham sido feitas, na maioria equivocadas) para bater o Boca Juniors de Riquelme (e só) na decisão da Libertadores, quando Odone só falava na “necessidade” que tinha o Grêmio de construir a “arena”. Tivemos a tentativa – frustrada, felizmente – da imposição de Antonio Britto na presidência do Grêmio. As incríveis convicções da diretoria no início de 2008, contratando Vagner Mancini para demiti-lo no sexto jogo da temporada – e ainda invicto! A liderança por várias rodadas no Campeonato Brasileiro sob o comando de Celso Roth, para depois dar de presente o título para o São Paulo.

Em 2009, já com Duda Kroeff de presidente, vimos um time que queria ser campeão da Libertadores, mas que se dava ao luxo de esperar 40 dias por um técnico que prometera “um projeto a longo prazo” mas não hesitou em pegar o chapéu na hora que os árabes ofereceram uma boa grana. E que não conseguia vencer fora de casa.

E agora, vemos um time sem alma, sem vontade – mesmo que seja o melhor grupo de jogadores desde 2001. Sai técnico, sai dirigente, mas isso será garantia de tempos melhores?

Afinal, quando tempo demorará para o Grêmio voltar a ser realmente o Grêmio? Afinal, depois de tantas glórias na década de 1990, os últimos dez anos foram duros demais para nós gremistas.

E tudo começou exatamente naquele ano 2000, o do destinatário da carta de Bonatto – pois se 1998 e 1999 não foram anos vitoriosos, ali o Grêmio ainda não havia embarcado na canoa furada da ISL.

Interessante estatística

Conforme já escrevi aqui em 21 de outubro de 2007, faço uma lista de todos os jogos do Grêmio em que já fui. Então, eu lembrava que pela primeira vez, eu tinha assistido no Estádio Olímpico a uma vitória sobre o Goiás, no dia 13 de outubro daquele ano. Onze meses depois, em 13 de setembro de 2008, não fui ao estádio na derrota de 2 a 1 para o mesmo time (êta touca desgraçada!) pois tinha a festa de 15 anos da minha afilhada para ir, e assim não assisti à última derrota do Tricolor dentro do Olímpico.

Por eu não ter ido ao Olímpico naquele Grêmio x Goiás do ano passado, a última vez que o Grêmio perdeu em casa com a minha presença no estádio foi quando a Yeda escalou o time no lugar do Celso Roth (se bem que Autuori deu uma de Roth no último sábado, com tanta “invenção” que deveria ser testada fora de casa, e não no Olímpico onde tudo vinha dando certo!) e o Tricolor perdeu por 3 a 2 para o Juventude, em 6 de abril de 2008. O Grêmio foi eliminado do Campeonato Gaúcho com aquela derrota.

Desde então, fui a 30 jogos, sem ver o Tricolor perder em nenhum deles. Poderiam ter sido mais, não fosse uma série de partidas que não fui ao estádio (sem considerar o Goiás, é claro). A série poderia ter acabado no sábado, não fosse aquele gol do Jonas no finalzinho de Grêmio x Vitória.

Se a direção topar e me pagar as passagens, aceito acompanhar o time para os jogos fora de casa…

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Outra curiosidade: só não fui a um jogo do Grêmio neste Campeonato Brasileiro. E foi contra o… Goiás!

Novela Tricolor

Eu gostaria muito de ver Paulo Autuori treinando o Grêmio. Logo que se demitiu Roth, começou-se a especular a contratação de Renato Portaluppi, opção preferida da maioria da torcida devido a seu histórico glorioso no Tricolor e também por seu perfil motivador. Porém, ele ainda está longe de ser um bom treinador, como a sua própria trajetória em 2008 mostra: foi à final da Libertadores com o bom time do Fluminense, mas após a derrota não conseguiu motivar o grupo para reagir no Campeonato Brasileiro e acabou demitido; já treinando o fraquíssimo time do Vasco, acabou rebaixado.

Porém, já está demais essa espera por Autuori. Celso Roth saiu no dia 6, e vinte dias depois o Grêmio continua sem técnico. Quando a direção demitiu Roth, imaginei que já tivesse algum outro nome encaminhado – afinal, quando Mancini foi demitido, em fevereiro de 2008, provavelmente já tivesse sido feito algum contato com Celso Roth, que foi anunciado em seguida.

Claro que o erro maior nem é o atual – de demitir Roth e ficar tanto tempo sem anunciar um substituto efetivo (interino não vale). A grande cagada, como todos sabem, foi a absurda renovação com Roth por 200 mil mensais. Quando poderia ter sido contratado um outro treinador para iniciar um novo trabalho – bem melhor do que começar tudo de novo em maio, e em meio a uma competição importantíssima como a Libertadores.

Autuori só se liberaria em 20 de maio, quando o Grêmio poderá tanto estar nas quartas-de-final como eliminado da Libertadores (espero que não!). Vale a pena esperar tanto (e sem garantias de que ele virá)? Ou será melhor efetivar Marcelo Rospide e “vamos ver o que acontece” (copiando a frase dita pelo meu amigo Marcel antes de cada chute a gol nos jogos de botão – e o pior é que ele fazia um monte de gol!), já que as cagadas anteriores não têm como serem desfeitas?

Só sei que do jeito que as coisas vão, a “notícia” abaixo que peguei do Kayser poderá se tornar realidade…

Clique para ampliar e repare na data do "jornal"...
Clique para ampliar e repare na data do “jornal”…

Novo outdoor

Não vejo motivos para dar muita importância a um jogo de Gauchão quando há algo mais importante com que se preocupar, e não acho que baste o Grêmio mandar o Celso Roth embora para que as coisas se ajeitem – tipo o Jonas perder menos gols, o Maxi López fazer gols, o Tcheco deixar de ser “amarelão” (o que já acontecia sob o comando de Mano Menezes) etc. Afinal, para um time jogar bem ele precisa ter qualidade (coisa que os esquadrões de 1995 e 1996 tinham), ou garra para compensar (não que um time bom não precise dela: o Grêmio de 1995 e 1996 era forte, mas bateu adversários teoricamente mais poderosos por ter garra). E não percebo nenhum dos dois elementos no grupo atual.

Mas não posso negar: o Kayser quase me matou de rir com a mais recente atualização de seu blog…

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A propósito: não é por acaso que esse outdoor é muito semelhante aos que irritaram a Yeda

É preciso pensar no Galo

Muito se tem falado sobre o jogo Goiás x São Paulo. Alguns jornalistas estão irados pelo fato do clube goiano ter perdido o mando de campo na última rodada do Campeonato Brasileiro, o que pode prejudicar o Grêmio na briga pelo título. E agora estão se achando “os tais”, já que o Grêmio decidiu ir ao STJD para que o Goiás jogue com o São Paulo no Serra Dourada.

Só que, antes de se preocupar com o jogo do Goiás, o Grêmio tem é que fazer o que disse o técnico Celso Roth: pensar no Atlético-MG. Se o Tricolor gaúcho não vencer o Galo, o Goiás pode meter qualquer goleada no São Paulo e mesmo assim o campeão será o Tricolor paulista. O Olímpico terá de estar lotado no próximo domingo.

Sem contar que, como foi dito no post do dia 24 de novembro (quando eu considerava tudo perdido), se o Grêmio não for campeão, não será por causa da perda do mando de campo do Goiás, ou culpa da derrota para o Vitória no dia 23.

A guerra civil esquecida

Sensacional artigo do Cristóvão Feil no Diário Gauche:

Tivemos uma guerra civil e não sabíamos

Ontem à noite, não pude ver o confronto bíblico – digno do Novo Testamento – José versus Maria.

Me contaram, que José começa a apelar, talvez ainda não na linha de Sarah Palin ou Marta Suplicy, mas apela. Começa a fazer um discursinho que roça o anticomunismo – imaginem, contra Maria, que mal sabe do quê se está falando mesmo.

O bom José se proclama “pacificador” (alô!, historiadores, onde vocês estavam quando houve uma guerra civil em Porto Alegre, recentemente, como isso passou batido e não ficaram registros?).

O anticomunismo do bom José mora nas dobras da queixa de que há um setor que é contra tudo e todos, que busca o confronto, que não entende a política de mão estendida e o espírito desarmado da “nossa coligação”. Já escutei esse papo antes, com Rigottinho e dona Yeda.

Só falta Maria responder que tanto não é comunista que se chama Maria do Rosário, ama Porto Alegre e sempre que pode pede a benção da RBS.

Brincadeiras à parte: Maria está como o Grêmio, pode vencer (a prefeitura de Porto Alegre e o campeonato brasileiro, respectivamente) com as próprias forças, só depende do seu único e exclusivo desempenho – apesar da saliente mediocridade dos dois.

Conspira a favor deles – Maria e Grêmio – o fato de disputarem com adversários muito ruins, péssimos.

Repetindo meu comentário lá deixado:

Mas o Grêmio tem o Celso Roth.
Se isso é diferença “pra melhor” ou “pra pior”, ou se não é diferença nenhuma, só em dezembro saberemos…

Como o Feil perguntou pelos historiadores, atenderei seu chamado. Procurarei por registros da tal “guerra civil”, a qual vivi e não percebi. Mas buscarei “fontes primárias”, ou seja, que sejam contemporâneas ao “conflito” (1989-2004). “Fonte secundária” ou “terciária” não vale.