Uruguai, o maior da América

Foi incontestável. O Uruguai praticamente não deu chance ao Paraguai: marcando o primeiro gol cedo, com Suárez aos 11 minutos de jogo, impôs aos guaranis a necessidade de algo que estavam pouco acostumados a fazer nesta Copa América: ter de correr atrás do prejuízo – só saíram perdendo contra Brasil e Venezuela, na primeira fase (aliás, em nenhum jogo o Paraguai saiu na frente).

O técnico uruguaio Oscar Tabárez fez jus ao apelido de maestro, e mandou a Celeste para o ataque, de modo a abrir o placar o mais rápido possível. Deu certo, e poderia ter sido ainda mais cedo, se o árbitro brasileiro Sálvio Spinola tivesse marcado o pênalti cometido por Ortigoza, que com o braço impediu o primeiro gol uruguaio antes dos 5 minutos de jogo. À frente no placar, o Uruguai controlou a partida com tranquilidade, sendo raramente ameaçado pelo Paraguai. E ao invés de se preocupar apenas em segurar o resultado, continuou buscando o gol e demonstrando garra. Chegou ao 3 a 0 com dois de Forlán, mas poderia ter sido mais.

Por falar em garra, vejo nesta grande conquista uruguaia (que também faz da Celeste Olímpica a maior vencedora da Copa América, com 15 títulos) uma lição para o Grêmio. Nos últimos tempos, muitos torcedores (e mesmo dirigentes) passaram a achar que “ter garra” era apenas dar pontapé. Como bem lembra Eduardo Galeano:

No futebol uruguaio, a violência foi filha da decadência. Antes, a garra charrua era o nome da valentia, e não dos pontapés. No Mundial de 50, sem ir mais longe, na célebre final do Maracanã, o Brasil cometeu o dobro de faltas que o Uruguai. (Eduardo Galeano. Futebol ao Sol e à Sombra. Porto Alegre: L&PM, 2002, p. 206.)

Repararam na semelhança com o que aconteceu com o Grêmio? A garra que tinha aquele Grêmio dos anos 90 não era “violência”, embora a mídia do eixo Rio-São Paulo tanto batesse nessa tecla, provavelmente por inveja de tantas conquistas gremistas. (Inclusive, lembro que em novembro de 1996 a revista Placar publicou o resultado de pesquisa que elegeu o jogador mais violento do Campeonato Brasileiro daquele ano, com base nos votos dos próprios atletas que disputavam a competição: apesar de Dinho ter ficado em 2º lugar – mesmo sem ter sido expulso nenhuma vez naquele campeonato -, os outros sete jogadores que ficaram entre os oito primeiros eram de Corinthians, Flamengo e Vasco; e o mais votado foi o volante Mancuso, do Flamengo – time cujos jogadores receberam o maior número de votos, ou seja, foi o “campeão da pancadaria”).

Tabárez fez mais uma jogada de maestro ao fazer o Uruguai praticar o “jogo limpo”: a Celeste, além de ser campeã, também recebeu o prêmio de fair play da Copa América 2011. O que não significou o abandono da garra, até mesmo quando o time estava à frente no placar: contra o Paraguai, mesmo quando venciam por 2 a 0, os uruguaios não deixaram de disputar a posse de bola. (Aliás, nesse Uruguai campeão até Suárez e Forlán têm de brigar pela bola, marcar o adversário… Lembram que Renato Portaluppi disse que “craque não precisa marcar”, para “justificar” a displicência de Douglas?)

Era algo assim que o Grêmio praticava nos anos 90. E por isso era tão vencedor: embora às vezes seja necessário parar o jogo com algumas faltas, cometê-las em excesso resulta em mais chances de gol para o adversário. Ou seja, só “dando porrada” pode-se até ganhar jogos, mas dificilmente contra times de grande qualidade, principalmente fora de casa. E aí é difícil ser campeão de algo realmente importante.

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Um campeão de empates? Por favor, não…

Considerando a campanha do Paraguai até agora nesta Copa América, não teria medo de apostar em mais um empate na tarde de hoje. E assim a Albirroja poderá, ironicamente, ser campeã invicta, mesmo sem ganhar nenhum jogo…

Não chega a ser algo inédito uma seleção ir longe num campeonato só empatando. Em 1990, a Irlanda chegou até as quartas-de-final da Copa do Mundo com quatro empates: três na primeira fase, e nas oitavas-de-final eliminando a Romênia nos pênaltis; nas quartas, os irlandeses não conseguiram empatar mais uma, e foram eliminados pela anfitriã Itália com uma derrota de 1 a 0 (curiosamente, na Copa seguinte as duas seleções se enfrentaram na estreia e a Irlanda devolveu o placar). No Mundial de 1998, Chile e Bélgica tiveram campanhas semelhantes, mas não a mesma sorte: ambas empataram os três jogos da primeira fase, mas os chilenos se classificaram, e os belgas voltaram para casa. Já ano passado, com três empates na primeira fase a Nova Zelândia fez história: apesar de não ir adiante na Copa, foi a única seleção invicta e certamente tirou pontos de todos os que participaram de bolões.

Mas campeão só empatando os seis jogos, que eu saiba, nunca se viu. E espero não ver hoje. Pelo bem do futebol e de minha querida Celeste Olímpica. VAI URUGUAI! (E não me importarei se for nos pênaltis, como naquele jogo com Gana. Tá na hora do Paraguai perder uma desse jeito…)

Valeu, Uruguai!

Foi outro jogão, pena o resultado.

Mas também não se pode reclamar. O time da Holanda é melhor que o do Uruguai – que ainda assim, quase foi buscar o empate naquele último minuto. Perder faz parte do jogo, e não é nenhum pecado ser derrotado por um adversário mais forte.

A Celeste caiu de cabeça erguida, depois 40 anos sem chegar às semifinais de uma Copa do Mundo. Mas não faltou bravura ao Uruguai, que faz lembrar o Grêmio dos bons tempos. Aliás, o time uruguaio desta Copa de 2010 deveria servir de exemplo para os comandados (?) por Silas.

Valeu, Uruguai!

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Quanto à Holanda, criticada por jogar de forma mais “burocrática” nesta Copa, tem todas as condições para conquistar o título pela primeira vez. Já jogou bonito em 1974 e em 1998, mas não levou.

Mas, se parecia não haver beleza alguma na versão 2010 da Laranja Mecânica, agora não se pode mais reclamar: o primeiro gol holandês, marcado por Van Bronckhorst, foi uma pintura. Sem dúvidas o mais belo da Copa.

Uruguay en los cuartos de final

Dois vídeos de arrepiar, que mostram o nervosismo dos uruguaios pouco antes do fim de Uruguai x Coreia do Sul, e a grande festa que se seguiu nas ruas de Montevidéu após o apito final: depois de 40 anos, a Celeste volta a estar entre as oito principais seleções da Copa do Mundo!

AGUANTE CELESTE!

Já se passaram três dias, mas eu não podia deixar de escrever sobre isso. O Uruguai, que começou tão desacreditado, já está entre as oito melhores seleções da Copa!

Algo que para o Brasil, é até pouco (afinal, anormal é a Seleção não ficar entre os oito primeiros: só aconteceu em 1934, 1966 e 1990). Já para o Uruguai, que ganhou duas Copas do Mundo, mas desde 1970 não chegava às quartas-de-final, é algo acima das expectativas.

Depois da bela campanha de 1970 (quando a Celeste acabou em 4º lugar), antes de 2010 o Uruguai só havia participado de quatro das nove Copas disputadas (1974, 1986, 1990 e 2002), e vencido uma mísera partida, 1 a 0 contra a Coreia do Sul em 1990 (quando o futebol coreano não existia), gol marcado por Daniel Fonseca no último minuto de jogo. Além disso, no âmbito clubístico o futebol uruguaio também declinou acentuadamente nos últimos tempos: para se ter uma ideia, ao chegar à semifinal da Libertadores do ano passado, o Nacional quebrou um tabu que durava desde 1989, última ocasião em que um clube do Uruguai havia alcançado tal fase.

Assim, é mais fácil compreender porque a campanha do Uruguai na África do Sul já é histórica mesmo que venha a acabar na próxima sexta diante de Gana (aliás, êta jogo para me deixar dividido, visto que também gostaria muito de ver uma seleção africana na semifinal). É o resgate da auto-estima de um futebol com tantas glórias, mas que há tanto tempo não chega perto de alguma grande conquista – a última taça da Celeste foi a Copa América de 1995, disputada no próprio Uruguai. Mesmo não conquistando a Copa, ao menos os uruguaios poderão voltar a dizer sí, se puede.

O que me deixa bastante feliz, por conta do grande carinho que nutro pelo país vizinho. É do Uruguai uma parte de minha própria origem: minha avó paterna, Luciana, é filha de uruguaios, nascida na zona rural de Santa Vitória do Palmar. Durante boa parte da infância, só falou espanhol (e ainda hoje, aos 88 anos de idade, conserva alguns traços do idioma na sua fala). Em 16 de julho de 1950, torceu pelo Brasil, assim como os irmãos, junto ao rádio. Já a mãe dela, minha bisavó, em silêncio desejou a vitória uruguaia.

E ao final, foi a minha bisavó que dançou e cantou, feliz da vida: ¡Viva el Uruguay! E todos celebraram juntos. O mesmo futebol que “separou” mãe e filhos durante 90 minutos por conta deles terem nascido “um pouco para cá” de uma linha imaginada, acabou por “uni-los” novamente, e deixando a todos felizes.

Desse jeito, não vai longe…

Eu até fui otimista. Achei que o Uruguai ganharia da França.

E sabem de uma coisa? Poderia ter ganho. Mas o meio de campo da Celeste Olímpica simplesmente não existe. Não consegue acertar uma boa sequência de passes, a bola dificilmente chega redonda para Forlán, um dos raros bons jogadores do time. E com a expulsão de Lodeiro (que fez apenas isso no jogo), o 0 a 0 ficou bom para o Uruguai.

Mas nem podemos dizer que o placar foi injusto, já que a França também não fez muito por merecer… Raymond Domenech deixou Henry no banco, e quando vi que ele iria entrar, imaginei que Anelka ganharia um companheiro no ataque, não que seria substituído.

A Copa mal começou, e já temos um jogo que é forte candidato a pior da competição.

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Em África do Sul x México, considero também justo o resultado – ao menos foi um jogo melhor. Os mexicanos dominaram o primeiro tempo, mas não tiveram competência para marcarem gols (que poderiam ser dois ou três). Já os Bafana Bafana foram melhor na segunda etapa – mas não tanto como o adversário na primeira.

Acho bem difícil a África do Sul passar de fase, mas é esperar para ver.

Começa a Copa 2010!

É hoje! Começa a Copa do Mundo de 2010, a primeira a se realizar no continente africano. Por um mês, os olhos do mundo estarão voltados para a África do Sul.

Peço desculpas ao leitor que não gosta de futebol, mas será impossível não tratar (bastante) do assunto aqui no Cão. Pois eu gosto do esporte, assim como muitos outros leitores.

E logo hoje, no primeiro dia, já tem um jogão envolvendo uma das seleções que despertam minha simpatia: o Uruguai, de Loco Abreu (quem diria…), enfrenta a França, de Henry e sua “mãozinha”. Com toda a minha torcida para a Celeste, é claro…

Mas torço ainda mais para que tenhamos uma bela Copa do Mundo. Pois a de 2006, convenhamos, foi fraquinha… Foram poucos os jogaços. E que ainda assim, não chegam nem aos pés de Romênia x Colômbia (1994), Romênia x Argentina (1994), Brasil x Holanda (1994), Bulgária x Alemanha (1994), Romênia x Suécia (1994), Nigéria x Espanha (1998), França x Paraguai (1998), Brasil x Dinamarca (1998), Holanda x Argentina (1998) e Brasil x Holanda (1998).

Pois é, como os leitores repararam, todas as partidas que citei são das Copas de 1994 e 1998. Tanto que a série “As Copas que eu vi”, foi mais uma desculpa para poder escrever sobre os Mundiais dos Estados Unidos e da França. Comecei por 1990 por uma questão de “ordem cronológica” (afinal, foi a primeira que eu vi), e falei sobre 2002 e 2006 porque também foram “Copas que eu vi” (apesar de muitos jogos em 2002 terem sido no meio da madrugada).

Que em 2010 tenhamos, enfim, jogos dignos de entrarem na minha “seleção”!

O pior jogador da história do Grêmio?

Em março de 2007, o Kayser publicou no blog dele uma lista pra lá de tenebrosa. Tratava-se da “seleção dos pesadelos” do Grêmio, contando apenas com as perebas e as decepções que já vestiram a camisa tricolor. Fosse feita hoje, a “seleção” certamente contaria com os “reforços” de “craques” da estirpe de Marcel (o “nariz entupido” do Olímpico), Morales, dentre outros.

Folha da Tarde Esportiva, 28/08/1968

Folha da Tarde Esportiva, 28/08/1968

O último citado (Morales) é uruguaio. E foi um compatriota seu que, na década de 1960, entrou para a história do Grêmio. Não por qualidade, mas sim por ruindade. Trata-se de Jorge Luís Oyarbide.

Meu pai – que é colorado – me contou a história desse cara pela primeira vez há uns dez anos, quando eu estava indignado com a grana que o Tricolor havia jogado fora com Sebástian “El Loco” Abreu, que ficou seis meses no Grêmio, ganhava salário mensal de 70 mil dólares (e numa época de crise, em que o dólar disparava) e fez apenas um gol que até eu faria – e olha que sou o pior jogador de futebol de todos os tempos (vou seguir o exemplo do Íbis, e usar minha ruindade no futebol como marketing pessoal). Eu não acreditava que pudesse haver, de jogadores profissionais, algo pior que “El Loco” Abreu, a ponto de entender com facilidade a pífia campanha da Seleção Uruguaia na Copa do Mundo de 2002: “El Loco” era titular…

Aí meu pai disse que eu achava “El Loco” Abreu um horror porque não tinha visto Oyarbide em campo. Contou que o cara era tão ruim, mas tão ruim, que por certo tempo virou sinônimo de perna-de-pau: “Esse aí… É um Oyarbide!” – aliás, sinto que esse rótulo colaria em mim com extrema facilidade, tamanha a minha “categoria”. Segundo meu pai, Oyarbide não conseguia sequer dominar uma bola – chegava ao ponto de tentar matar no peito, e a bola ir para o lado. Era absurdamente podre.

E não foi apenas isso. O Grêmio havia gasto uma quantia considerável de dinheiro para contratar o uruguaio. Dinheiro posto fora, é claro… Tanto que o meu pai conta que era a única maneira de se conseguir tocar alguma flauta em gremista naquela época, visto que o Grêmio, além de heptacampeão gaúcho (1962-1968) tinha conquistado doze dos últimos treze campeonatos (entre 1956 e 1968 o Tricolor só não levou o caneco em 1961). A simples menção ao nome de Oyarbide era capaz de deixar um gremista furioso em tempos tão vitoriosos (naquela época Gauchão era um dos títulos mais almejados, pelo simples fato de torneios a nível nacional como Taça Brasil e “Robertão” serem bastante recentes).

Imag000-1Pois bem, era difícil para mim acreditar que pudesse existir jogador profissional tão ruim. E eis que ontem, ao verificar fontes para a minha monografia que será escrita ao longo do segundo semestre de 2009 (mas não se iludam, não é sobre o Oyarbide!), acabei encontrando uma matéria sobre o “craque”, na edição do dia 28 de agosto de 1968 do jornal “Folha da Tarde Esportiva”, que apenas ajuda a confirmar o que meu pai tanto dizia… Tirei fotos, de pouca qualidade porque batidas com câmera de celular (pois fui ao museu Hipólito da Costa apenas verificar fontes, não fotografá-las). Um trecho do texto do jornal diz:

Imag001-1

Tanto por parte da crônica como de torcedores (neste caso alguns milhares), Oyarbide foi criticado, gozado. Quase virou adjetivo negativo na terminologia do futebol.

Vou ter de corrigir o jornal: na memória coletiva dos torcedores – gremistas e colorados – daquela época, Oyarbide virou sim adjetivo negativo na terminologia do futebol, a ponto de chegar a ser considerado o pior jogador da história do Grêmio.

Algo que eu não imaginaria um dia ouvir novamente

Foi há bastante tempo, pelos padrões de quem tem “só” 27 anos.

Em 2000, eu costumava ir aos jogos do Grêmio com o meu amigo Marcel, que era de uma torcida organizada, a Super Raça Gremista – ele me convidou umas trinta vezes para entrar, e recusei as trinta. Certo dia, foi junto conosco um amigo dele, de nome Vinícius. O mesmo que o do meu irmão (que é colorado fanático).

O Vinícius era também integrante da Raça. Porém, não tinha aquele perfil típico de integrante de torcida organizada. Era meio quieto, bem calmo.

Certo dia, o Marcel me contou que em um jogo que ele tinha ido, a torcida havia cantado uma música que era assim:

Sooou do Grêmio,
Sooou do Grêmio,
Do Grêmio eu sooou!

Tempos depois, descobriria que era inspirada em uma música cantada pela torcida do Uruguai em homenagem à Celeste Olímpica.

Me disse o Marcel que o Vinícius (o amigo dele) detestava essa música. Em todos os jogos que eu ia com o Marcel, junto com a Raça (que naquela época ficava na Social), a música não era cantada.

Eis que um dia, em que o Vinícius estava junto… A música foi cantada!

Não há palavras para descrever o quão engraçada era a cena: o cara cantava e batia palmas com uma empolgação…

Com o tempo, para diferenciar o Vinícius (meu irmão) do Vinícius (amigo do Marcel), comecei a chamar o segundo de… SOU DO GRÊMIO! Foi uma opção conservadora: dei prioridade ao meu irmão, que eu conhecia desde 1985, em detrimento do já meu amigo, mas apenas desde 2000.

O bizarro apelido começou a ser difundido por minha culpa – e do Marcel, que também começou a chamar o cara de “Sou do Grêmio”. Com o passar do tempo, a grafia mudou para “Sô do Grêmio”.

Em uma madrugada de 2001, encontrei o Sô do Grêmio no ICQ (velhos tempos, do ICQ…) pela primeira vez desde que eu tinha feito minha conta lá, e obviamente “cantei a música”, deixando-o “p da vida”. Fazia muito tempo que ele não ia ao jogo – e coincidentemente, a música não era cantada no Olímpico desde a última vez que ele fora ao estádio.

Os anos se passaram, o Marcel deixou a Raça, e nunca mais quis saber de torcida organizada. O Sô do Grêmio nunca mais foi ao Olímpico conosco. E as próprias organizadas do Grêmio minguaram, com o advento da “desorganizada” Geral.

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Domingo, 16 de novembro de 2008. Me dirijo à parada de ônibus para pegar minha condução de volta para casa após a vitória gremista por 2 a 1 contra o Coritiba. Não percebo nenhum sinal de violência – só vou saber da grave briga entre torcidas do próprio Grêmio dois dias depois, pelos jornais. Caminhando, percebo que alguém canta uma música conhecida, mas que há muito tempo eu não ouvia.

Demoro um pouco para identificar a letra da música cujo ritmo já conhecia. E então percebo que se trata da mesma de oito anos atrás:

Sooou do Grêmio,
Sooou do Grêmio,
Do Grêmio eu sooou!