Haiti: pobreza e deflorestamento

Meu pai ouviu pela internet uma rádio da República Dominicana, vizinha do Haiti. Dentre os comentários acerca do terremoto, falava-se no agravamento dos efeitos gerado pela “capa de terra”.

O Haiti exporta carvão, mas não o tem na forma mineral. Ou seja, o produz a partir de árvores derrubadas. O resultado disso é que o Haiti é um país quase sem florestas. Inclusive, observando-se imagens de satélite da ilha de Hispaniola – onde ficam o Haiti (à oeste) e a República Dominicana (à leste) – no Google Earth, não é difícil distinguir os dois países, mesmo sem marcar a opção “mostrar fronteiras”.

Inclusive, enquanto almoçávamos, o meu pai comentou que uma vez se gastou milhões de dólares num projeto de reflorestamento no Haiti. As árvores mal cresceram e começaram a serem derrubadas para virarem carvão.

Resultado disso (somado à pobreza extrema enfrentada por boa parte da população haitiana – que é também fruto desta exploração predatória do carvão vegetal, já que a terra está secando por falta de vegetação, e por isso mesmo tornando-se estéril): quaisquer fenômenos naturais com um pouco mais de força, no Haiti tornam-se tragédias. Como todos sabem, encostas “nuas”, mesmo que não muito íngremes, deslizam com muito mais facilidade do que aquelas com cobertura vegetal, quando ocorrem chuvas torrenciais (como as causadas pelos furacões que assolam o Caribe) ou terremotos.