Linha 2014

Hoje, por volta de 5 e meia da tarde. O local é a parada no corredor de ônibus da Osvaldo Aranha em frente ao Instituto de Educação.

Desci do ônibus e me dirigi à sinaleira para atravessar. Já pronto para abrir o guarda-chuva mesmo debaixo do abrigo da parada: no caso, seria para proteger da chuva que vinha do lado, já que havia acúmulo de água próximo à calçada e o que não falta é motorista de ônibus que se diverte jogando água nas pessoas.

Chegando lá, procurei ficar o mais longe possível de onde passam os ônibus, para não antecipar meu banho (e ainda seria optando por uma água nem um pouco limpa). Me chamou a atenção que os motoristas dos coletivos que se aproximavam reduziam a velocidade, ao invés de acelerarem. Vai ver tinham cansado de brincar com água.

Quando o primeiro dos ônibus passou, notei o tamanho da cratera que a água encobria. Se ele viesse um pouco mais rápido, sabe-se lá qual seria o tamanho do prejuízo.

Ah! E esse primeiro ônibus do qual falei, era um daqueles que a Carris pintou de forma alusiva à Copa de 2014…

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Porto Alegre anda tão mal-cuidada que até eu, um adorador do inverno, tenho de reconhecer que só tem um jeito para deixarmos de ver tudo isso (pelo menos enquanto a prioridade da administração municipal não for as pessoas): trata-se do verão!

Charge do Kayser, fevereiro de 2010

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Tri porcaria

Quando anunciaram a implantação do sistema “TRI” (Transporte Integrado) nos ônibus de Porto Alegre, disseram que seria “tri moderno, tri fácil, tri prático”. Mas até agora, está “tri ruim”.

Deslocaram a roleta mais para a frente nos ônibus, o que gerou dois sérios problemas:

  1. Poucos lugares na frente para os idosos, para estimulá-los a passarem a roleta e utilizarem lugares “reservados” no meio (!) do ônibus. Além da maioria dos passageiros não respeitar os lugares destinados aos idosos, ainda há o perigo deles caírem devido aos solavancos do ônibus quando se dirigem à porta traseira para descer;
  2. O leitor do cartão é lento, o que gera filas mais demoradas. Como a roleta está mais perto da porta, as filas se estendem para fora do ônibus, atrasando a viagem.

Não é nada “prático” também, porque só conseguimos saber o saldo do cartão passando na roleta – correndo o risco de embarcar no ônibus sem saber que o cartão não tem mais créditos. Não há sequer um sistema para se consultar o saldo pela internet, mediante fornecimento do número do cartão e senha – como se faz em sistemas de “home banking”.

E agora, mais essa. Quem tem o cartão de passagem escolar, precisa renová-lo.

Ano passado imaginei que, como o troço é “tri prático”, entre um semestre e outro só seria preciso levar o comprovante de matrícula ao posto (o que era feito entre o 1º e o 2º semestre de cada ano, para alunos de cursos de matrícula semestral), no momento de recarregar o cartão. Afinal, não é preciso fazer uma carteira nova a cada ano, como acontecia antes do “TRI”.

Mera ilusão… A burocracia é quase a mesma de quem faz o cartão pela primeira vez. Levar documentos, cópias etc., e aguardar três dias úteis, segundo o DCE da UFRGS.

Ah, e tem taxa (a mesma para fazer ou renovar o cartão), que varia de acordo com a entidade onde se vai fazer a renovação. Ano passado, havia a justificativa de que era preciso confeccionar o cartão, mas agora, para renovar, é apenas burocracia. E ainda é preciso pagar por isso.

E nosso transporte coletivo piora a cada dia, com direito a baratas em ônibus da Carris. Com um sistema dessa qualidade, nós é que deveríamos receber dinheiro a cada vez que entrássemos em um ônibus de Porto Alegre.

Baderna é ônibus a R$ 2,35 em Porto Alegre

Ontem à tarde, a Brigada Militar reprimiu violentamente uma manifestação contra o aumento das passagens de ônibus em Porto Alegre. A tarifa atualmente é de R$ 2,10 e poderá ir a R$ 2,35!

Houve um tempo em que valia a pena pegar ônibus em Porto Alegre. Logo que implantaram os primeiros veículos com ar-condicionado, especulava-se que teria que se pagar mais caro para embarcar neles, mas o valor da tarifa era o mesmo dos ônibus normais – se não me engano, 70 centavos. Lembro que uma vez fui visitar um amigo que não morava muito longe da minha casa, mas o calor era tão insuportável que voltei de ônibus: peguei um T5, com ar-condicionado.

Hoje, por incrível que pareça, é mais fácil suportar o calor horroroso de Porto Alegre. Pois a tarifa aumenta, mas a qualidade dos ônibus só piora. A Carris, que já foi eleita por duas vezes a melhor empresa de ônibus urbanos do Brasil, agora tem até baratas em seus veículos e praticamente deixou de adquirir veículos com ar-condicionado – com exceção dos mini-ônibus das linhas circulares do Centro, há quatro meses da eleição, e que andam quase sempre cheios. E o TRI RUIM só serviu para deixar as coisas ainda piores.

Atualmente, só não vou a pé para o Campus do Vale porque 14 quilômetros é uma distância considerável. Tem valido muito mais a pena caminhar, mesmo com calorão, do que andar de ônibus. Até porque, considerando a relação custo-benefício, para aliviar o calor é mais negócio comprar uma garrafinha de água mineral do que pegar um ônibus.

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Atualização: ouvi notícia de que a passagem subirá um pouco menos, irá a R$ 2,30 se o Fogaça sancionar. Mas ainda é um absurdo.

Fragmentos do dia-a-dia

Texto “roubado” do Alma da Geral:

Ele passeia de ônibus, olhando pela janela as ruas escurecendo, o movimento se tornando amarelo pelas luzes que começam a se acender de todos os lados.
O motor do ônibus soa compondo uma sinfonia urbana, misturada com as inserções de buzinas e com o som da catraca reco-reco a cada passageiro novo que adentra na “zona paga” do coletivo.
Está introspectivo, pensando. Aquilo tudo é música aos seus ouvidos, é harmonioso.
Mas o concerto que ele contempla é de repente interrompido por uma interferência horrível, de altos decibéis, que vem de dentro do próprio ônibus. São bancos mal fixados em frente à porta traseira, que parecem ter vida, e a cada buraco do corredor da avenida gritam desesperadamente para que os parafusos se soltem e, então, possam finalmente voar livres pelos ares do coletivo.
As poucas pessoas se assustam, o rapaz levanta-se, vai em direção ao cidadão-cobrador:
– Vem cá, tchê! Vocês recebem insalubridade?! – pergunta ele provavelmente provocando o funcionário da empresa pública, pois aquele barulho todo certamente causaria danos ao aparelho auditivo se a pessoa convivesse com isso com certa freqüência.
O trocador – no carioquês – “deu de ombros” e respondeu:
– Ah, pois é. Votaram no cara, agora vão ser mais quatro anos disso…

O transporte coletivo de Porto Alegre está TRI RUIM

Adicionei a meus links o blog Porto Alegre de Fogaça, escrito por um estudante de Direito da UFRGS, bastante crítico à atual administração municipal, que foi eleita em 2004 prometendo “manter o que estava bom e mudar o que era preciso”. Mas o que mais percebo, é que mudaram (para pior) o que estava bom…

Um exemplo disso, que repito à exaustão, é o transporte coletivo – fundamental para uma cidade de 1,5 milhão de habitantes. Afinal, cada vez temos mais carros nas ruas: guardadas as proporções, Porto Alegre está cada vez mais parecida com São Paulo, já que hoje em dia os congestionamentos não têm mais hora para acontecer. E uma das melhores maneiras de se lutar contra isso é oferecer transporte coletivo de qualidade.

Porém, o que vejo é um estímulo ao uso do carro: ônibus mal-conservados, que não cumprem horários, e também alguns motoristas que não têm a menor preocupação com a segurança no trânsito (aceleram mesmo!).

Ontem, eu esperava um ônibus da linha D43 no terminal do Mercado Público, para me deslocar até o Campus do Vale da UFRGS. Até que chegou o veículo: desceu todo mundo, mas o motorista não autorizou ninguém a subir. O motivo: chovia, e o limpador de para-brisa havia estragado… Infelizmente, esqueci de anotar o prefixo do ônibus.

O pior de tudo, é que nem me surpreendo mais com tais problemas, de tão rotineiros que se tornaram. Saudades dos tempos (não tão distantes) em que a Carris era um orgulho para Porto Alegre!

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No início de junho, começaram a circular novos ônibus da Carris com ar-condionado e motor traseiro, depois da empresa passar quatro anos só comprando veículos sem ar e com motor dianteiro. Coincidência?

O transporte coletivo de Porto Alegre está ficando TRI… RUIM!

A atual administração municipal alardeia o fato de implantar a bilhetagem eletrônica, o TRI RUIM. Já sentimos a piora: toda vez que vou passar na roleta, mostro o cartão escolar para o cobrador (como acontecia antes), mas aí ele precisa apertar um botão para que eu possa aproximar o cartão do aparelho que lê os créditos (em dinheiro, o que me faz suspeitar que nos roubarão passagens quando houver aumento), e o processo nunca é rápido: culpa não do cobrador e sim do aparelho, que é lento. E dê-lhe fila para fora do ônibus, dê-lhe tempo perdido nas paradas onde bastante pessoas embarcam…

E agora, mais essa. Um leitor do Diário Gauche enviou e-mail ao Cristóvão Feil (redator do blog) relatando o que viu em um ônibus da linha 476 (Petrópolis/PUC) na noite de terça-feira, dia 25: baratas infestando todo o coletivo. Ele matou algumas, mas outras fugiram e se refugiaram nos dutos do ar condicionado: ou seja, imaginem a qualidade do ar que era oferecida aos passageiros do ônibus (e pensar que eu sempre fui tão favorável a ônibus com ar condicionado para enfrentar nosso verão sufocante e estimular o uso do transporte público oferecendo “qualidade”).

Claro que, para aparecerem baratas, o ônibus devia andar muito sujo. Pois existem passageiros mal-educados, que comem dentro dos coletivos e largam o papel sujo de comida no chão. Isso atrai baratas. Mas elas não aparecem rapidamente: certamente fazia muito tempo que não se passava sequer uma vassoura dentro daquele ônibus.

Ainda não tive “sorte” de ir até o Campus do Vale da UFRGS (onde estudo) com estas “ótimas” companhias, mas realmente os ônibus da Carris (empresa do veículo “embaratado” e que faz a linha D43, que uso para ir ao Vale) têm estado cada vez mais sujos, e mal conservados. No ano passado, o filtro do ar condicionado de um ônibus da linha D43 desprendeu-se parcialmente, jogando poeira nos passageiros sentados perto – e isso aconteceu poucos dias depois de um outro coletivo, também da Carris, ter perdido as rodas traseiras na Avenida Protásio Alves. Recentemente, um ônibus que peguei dava a impressão de que ia se desmontar, de tanto barulho que fazia enquanto se movimentava. E olha que não era dos mais velhos…

E o pior de tudo, é que não sei se a maioria da população de Porto Alegre, que usa ônibus diariamente, vai dar uma resposta dia 5 de outubro, nas urnas. Estes problemas que têm se verificado não só na Carris, mas no sistema de ônibus como um todo, não aconteciam até 2004.