“Faltam táxis em Porto Alegre”

Estas foram palavras ditas pelo motorista do táxi que me conduzia a minha casa, nesta quarta à noite. E ele emendou: “quero só ver como vai ser nos jogos da Copa”.

De acordo com o taxista, Porto Alegre tem em torno de 4 mil táxis. Pode parecer bastante, mas todos sabem a dificuldade que é para se conseguir um nos horários de maior movimento. Quando chove, então, torna-se quase uma missão impossível. E já que se falou em Copa do Mundo, lembro uma experiência minha relacionada a futebol.

Após a final da Libertadores de 2007, saí do Olímpico em busca de um táxi, visto que ônibus àquela altura seria bem difícil pegar – o jogo terminava à meia-noite, provavelmente eu já perdera o último. Fui andando em direção à Avenida Getúlio Vargas, depois segui por ela. Percorri toda a extensão da via, sem conseguir um táxi disponível. Só achei um na Venâncio Aires, pouco antes da Santana. Não fosse praticamente uma da manhã, eu teria concluído o trajeto a pé mesmo, pois já havia caminhado mais da metade dele.

Porto Alegre: já é insuportável, vai piorar…

Olhar a previsão do tempo em Porto Alegre nos últimos dias tem sido algo que me desespera. Ao contrário dos últimos dois verões, este que começou ontem deverá ser mais rigoroso. Nada mais desanimador para quem literalmente “derrete” de tanto suar…

E vai piorar. Cada vez mais, a cidade se transforma numa selva de concreto. Ontem, foi aprovado o projeto de “revitalização” do Cais Mauá.

Revitalizar, de verdade, é necessário. Já acontecem alguns eventos no local, como a Feira do Livro (a área infantil é lá) e a Bienal do Mercosul. Mas é preciso que haja atividades no cais durante o ano inteiro. Com mais pessoas circulando, a área se torna mais segura – e consequentemente, o próprio Centro de Porto Alegre.

Porém, vão acontecer é alguns absurdos por ali. Haverá um shopping (mais um!), com 5 mil vagas de estacionamento. PORRA! O trânsito no Centro já é um caos, e agora vão estimular a circulação de mais 5 mil carros por ali!

Não bastasse isso, haverá dois prédios de 100 metros de altura. 100 metros! Não se iludam, pensando que é só ali: em Porto Alegre, virou moda “legislar por partes” (passando por cima inclusive do Plano Diretor, que prevê altura máxima de 52 metros), em breve haverá muitos outros espigões desses não apenas por toda a orla, como por toda a cidade, em bairros onde hoje há apenas casas e prédios baixos. Se preparem: o que já é infernal, ficará ainda mais infernal…

Claro que os concretoscos são todos a favor disso: “gera empregos” (que tal uma usina nuclear, para dar oportunidades de trabalho a físicos desempregados?), e Porto Alegre se tornará uma cidade “cosmopolita”. Inclusive acham que mesmo 100 metros é pouco, Porto Alegre tinha de ter torres de mais de 500 metros, tipo Dubai.

Já eu prefiro uma cidade boa para se viver, por isso quero ir embora de Porto Alegre assim que possível (por tanto insistirem em estragar a cidade, os concretoscos me convenceram). Não pretendo ir para Cuba, como eles desejam: detesto calor. Pena que a União Soviética não existe mais, facilitaria a vida dos que virão me xingar…

Procurarei alguma cidade menor e de elevada altitude aqui no Brasil, que não seja desesperada por tornar-se “cosmopolita” (infelizmente não há como já ir para uma cidade dessas para fazer mestrado).

Vai começar o tormento

Até parece que o post do Bruno Medina foi escrito por mim. Ele explica as razões pelas quais odeia o verão. Só não sou favorável ao desconto na conta de luz para usar mais ar-condicionado: é por conta do grande consumo de energia que estamos cada vez mais sofrendo com o calor.

Eu detesto a estação mais adorada por muitos. Tenho ojeriza ao calor. Não sou fanático por praia como a maioria das pessoas que conheço. Prefiro mil vezes, um milhão de vezes, um tempo frio e uma viagem para a Serra. Prefiro ir para a Sibéria (no inverno!) do que para o Caribe.

E o pior de tudo é que a previsão para este verão é de temperatura acima da média. E como deve chover pouco, provavelmente haverá mais água vertendo da minha pele do que caindo do céu sobre o Rio Grande do Sul. Já faz bastante tempo que não tomo um banho de suor: o último foi lá por abril. Mas sei que, mais cedo ou mais tarde, esse tormento começará. Naqueles dias abafados, basta andar 50 metros na rua para minha camisa ficar completamente molhada de suor.

Não bastasse o calor, é preciso agüentar toda a publicidade que fazem em cima do verão. Só se fala de praia, “corpo sarado” etc. Mas não dão o mesmo destaque para as baratas, os mosquitos e os demais insetos que só enchem o saco (e espalham doenças) no calor. E ainda tem aquela praga do “big bosta”: muitas vezes fico sem assunto em conversas com amigos, pois não vejo esta porcaria nem que me paguem.

Mas como nem tudo é ruim… Pelo menos o caos urbano (esse é o verdadeiro caos, não o aéreo) diminui: os congestionamentos vão para a praia, e Porto Alegre fica bem mais tranqüila.