O nosso Eyjafjallajökull

Ano passado, quando o vulcão islandês Eyjafjallajökull provocou um caos aos aeroportos europeus, comentei que o Brasil não estava livre de uma situação dessas, visto que vários países vizinhos têm vulcões ativos. Só não imaginava que demoraria apenas um ano…

Também lembrei que era interessante se investir em outras modalidades de transporte, como o ferroviário: embora ir de trem seja mais demorado do que de avião, é mais rápido e seguro do que encarar nossas congestionadas e mal-conservadas rodovias. Sem contar que as cinzas vulcânicas não impedem a circulação dos trens.

Só imagino se a erupção do vulcão chileno Puyehue ocorresse três anos mais tarde, em junho de 2014. Não adiantaria nada usar a desculpa da Copa para que ele parasse de expelir cinzas, de modo a permitir as viagens aéreas das seleções.

Anúncios

O “vulcão da Islândia” tem nome, pessoal!

Há cerca de um mês a Europa sofre um “caos aéreo” (aliás, tava pensando que se é “aéreo”, deveria ser “no ar” e não “nos aeroportos”) por conta da nuvem de cinzas decorrente da erupção do vulcão Eyjafjallajökull, na Islândia. Aliás, até no norte da África foi preciso restringir voos devido às cinzas vulcânicas.

Porém, caos maior, sem dúvida alguma, se instalou nas emissoras de rádio e televisão por aqui: como pronunciar o nome do vulcão??? Eu até consigo falar, mas como se fosse em português, pois em islandês (um idioma de origem escandinava, mas extremamente isolado até por conta da geografia, e por isso, complicado para quem não o fala) eu ainda não consegui entender. Já os locutores do rádio e da TV, na dúvida, preferem dizer “vulcão da Islândia”…

E dizem que a erupção anterior do Eyjafjallajökull, no século XIX, durou dois anos. A diferença é que naquela época a consequência era, no máximo, diminuição da incidência dos raios solares sobre a Terra e, consequentemente, verões menos quentes e invernos mais frios. Hoje, causa um caos nos aeroportos.

Bom, se durar todo esse tempo de novo, que aprendamos, no mínimo, a dizer o nome do vulcão… E acho que não é pedir demais que também se pense em outras modalidades de transporte como as ferrovias – viajar de avião é mais rápido, mas o trem oferece mais velocidade e segurança em relação às rodovias (lembram do aumento das mortes nas estradas brasileiras na sequência do “caos aéreo” de 2006-2007?), sem contar que as cinzas vulcânicas não os impedem de circular.

E não pensem que isso não vale para o Brasil. Boa parte de nossos vizinhos têm vulcões, cujas cinzas podem tranquilamente nos atingir.

Grandes Kayser e Santiago

Duas charges sensacionais do Kayser, publicadas ontem e hoje. A primeira, sobre a Brigada Militar do Coronel Mendes, e a segunda, sobre o novo “apagão” que ameaça os brasileiros: a inflação.

E, do Santiago, vinda lá do Tinta China, sobre o novo tipo de eucalipto que as papeleiras vão plantar aqui no Rio Grande do Sul. Tão bom, que vai ajudar a acabar com os “baderneiros”!

O povo não tá nem aí pros aviões

A imprensa (jornais, rádios e TVs) dá uma importância maluca à crise no setor aéreo. Mostram o “sofrimento” dos que estão há muitas horas à espera de embarcar num avião que nunca sai do chão. Ficam “atirados” dentro do aeroporto, com ar-condicionado e protegidos da chuva.

Com todo o respeito (ironicamente), que vão para a puta que pariu aqueles que choram na frente das câmeras de TV porque o avião atrasou. A maioria dos atingidos pela crise aérea não sabe o que é sofrer de verdade, salvo exceções (como a menina que fez cirurgia de coluna e teve de dormir num banco de aeroporto). Provavelmente aqueles “chorões” nunca tiveram de passar uma noite ao relento, com frio e debaixo de chuva, numa fila para marcar uma consulta médica.

O verdadeiro “caos” no Brasil não é aéreo.

E, como mostrou muito bem o Luiz Carlos Azenha, o povo não está dando a mínima bola para a situação dos aeroportos. Os pobres não andam de avião. Viajam de ônibus, mas isso quando sobra dinheiro.

De acordo com a pesquisa da Folha de São Paulo que o Azenha cita, 67,2% dos entrevistados afirmaram não conhecer ninguém que tenha sido prejudicado pela crise aérea. Não fui entrevistado, mas se fosse eu estaria entre estes 67,2%.