13 anos de Cão Uivador

miau

Já são dois meses sem abraços, sem futebol…

A última atualização do Cão Uivador tinha sido em 29 de fevereiro. Faz pouco mais de dois meses, mas parece ter passado muito mais tempo desde então. Afinal, na ocasião ainda havia futebol (tanto que fui a um jogo do Grêmio na Arena), visitei minha avó na tarde daquele sábado… Covid-19 era algo distante para mim: apenas dois casos confirmados no Brasil, ambos em São Paulo.

O mês de março, iniciado no dia seguinte, mudou tudo. No começo as coisas pareciam “normais”, com comemoração dos 98 anos da minha avó e expectativa para o histórico Gre-Nal da Libertadores que seria disputado na Arena do Grêmio. A situação na Itália já era calamitosa, mas nossa realidade aqui no sul do Brasil ainda não era alterada.

Quando a mudança veio, ela foi abrupta. No dia 10 de março tivemos a confirmação do primeiro caso no Rio Grande do Sul. Dois dias depois, o Gre-Nal da Libertadores foi também a última partida pela competição antes dela ser paralisada até sabe-se lá quando (acho inclusive que acabou ali), sendo também provavelmente o último jogo com público (53 mil pessoas) em toda a América do Sul desde então.

No final de semana de 14 e 15 de março fiz minhas últimas visitas a familiares, já sem abraços e beijos e também com a perspectiva de que em breve teria de passar um bom tempo longe de avó, irmão, mãe e pai. Continuei trabalhando normalmente até o dia 18, mas já num clima de tensão: além de assuntos relativos ao serviço, só se falava sobre o coronavírus.

A partir de 19 de março, portanto, entrei em uma nova rotina, passando a maior parte do tempo em casa, de onde desenvolvo atividades relacionadas ao trabalho. Não é exagero falar em “nova rotina”: os horários que eu cumpria e aos quais estava acostumado foram “pro brejo” (tanto que comecei este texto durante a madrugada, em hora na qual já deveria estar no terceiro sono em “tempos normais”). Uma sucessão de dias muito parecidos um com o outro: acordando tarde e no máximo indo até o mercadinho da esquina comprar alguma coisa que eu precise.

Não à toa, desde então tenho a impressão de que o tempo “voa”: ainda que março tenha parecido durar anos – por conta da enorme diferença entre os dias 1º e 31 – me espanta perceber que o “Gre-Nal do fim do mundo” (apelido que já é dado ao último jogo antes de tudo parar) tenha ocorrido há mais de dois meses. Praticamente não senti abril passar, e já se foi quase metade de maio. Em um “piscar de olhos” provavelmente já estaremos no segundo semestre de 2020, mas o que eu mais gostaria de saber é quantas “piscadelas” serão necessárias para que a pandemia passe e eu possa voltar a visitar e – principalmente – abraçar pessoas sem que isso signifique um risco à saúde, tanto minha quanto delas.

E os 13 anos do Cão Uivador? Sim, o título é esse pois hoje é 14 de maio, aniversário do blog, que criei nesta data em 2007. Mas no atual contexto não vejo nada a ser comemorado. A efeméride foi apenas motivação para tirar a poeira após mais de dois meses sem escrever: ao contrário do que defendem “coaches” e pessoas “good vibes”, durante a quarentena não tenho a menor pretensão de ser “produtivo” em algo que não paga o meu salário e seguirei escrevendo apenas quando estiver com vontade. Danem-se esses malditos discursos de “crescimento pessoal”: é uma porra de uma pandemia que já matou milhares de pessoas – e que infelizmente ainda vai levar muito mais gente a óbito. Não quero “crescer”, minhas únicas vontades são que essa merda passe logo, e bem longe de mim e das pessoas que amo.


Quanto à postura do (por assim dizer) governo federal: não foi por falta de aviso, ?

O tempo voou e minha paciência se foi

Estou gostando desse negócio de voltar a escrever. Uma consequência disso é que tenho lido textos que escrevi um bom tempo atrás – alguns, há mais de 10 anos – para comparar tanto o pensamento que eu tinha na época como também meu zelo com a língua portuguesa.

Até não mudou muita coisa em termos de pensamento. Já o cuidado com o idioma aumentou – a ponto de algumas vezes eu reler um texto lá de 2007, notar uma palavra repetida no mesmo parágrafo ou uma pontuação fora de lugar, e editá-lo mesmo que esteja quase esquecido nos arquivos de 12 anos atrás. Ultimamente sempre termino um texto e fico um tempinho longe dele para depois revisar.

Mas a maior diferença que notei foi no tocante à minha paciência com comentaristas – em especial, os que “opinavam” sem fundamentação alguma nos textos sobre política. (Aliás, vale uma observação: reclamamos tanto das redes sociais por ajudarem a propagar fake news e criarem uma “bolha ideológica” em torno de seus usuários, e esquecemos que a maioria das pessoas já era assim e “bostejava” em caixas de comentários de grandes portais e blogs.)

Desde o início do Cão nenhum comentário é publicado sem antes passar por minha moderação. É algo de que sinto muita falta em redes como o Facebook: tem gente que só fala merda e faz questão de “opinar” só por gostar de “ver o circo pegar fogo”, e não tenho como exercer papel de moderador a não ser excluindo o “bostejo” – muitas vezes depois do estrago já feito. No Cão, por algum tempo deixei passar praticamente tudo – inclusive comentários com ofensas pessoais contra mim – em nome de uma “defesa da democracia”, até que um dia me liguei no óbvio: democrática tem de ser a internet e o acesso a ela, e ninguém impor regras de como devo administrar meu blog pessoal também é democracia; por isso, passei a impedir a publicação de muitos comentários odiosos – exceto quando a tosquice era tanta que nem precisava de resposta, a pessoa já se expunha ao ridículo só por escrever tamanha asneira.

Ainda assim, por um tempo continuei “debatendo” com os que dissimulavam seu ódio “falando bonito”, respeitando as regras gramaticais etc. Não adiantava nada, mas eu era muito paciente e insistia. Depois os comentários de forma geral diminuíram pois o Facebook “canibalizou” a audiência dos blogs, e muitas vezes eu postava o link na rede de Zuckerberg e as pessoas comentavam lá, não aqui.

Vários anos se passaram, e a minha paciência se foi. Não à toa, no Facebook muitas postagens sobre política têm público restrito, para evitar a incomodação causada por bolsominions que gostam, antes de tudo, de ter palco para defender seu ídolo (tanto é que quando o post vai nos “stories”, onde a resposta vai direto para mim sem que mais ninguém veja, eles ficam quietos). Pois, além de não ter como impedir a publicação de comentários que não acrescentam absolutamente nada a um bom debate de ideias, também não tenho mais saco para discutir com essa gente: posso argumentar um monte, mostrar fatos, que no final vão acabar dizendo os já “clássicos” chavões “e o Lula, e o PT?” e “o Lula tá preso babaca”. Por que perder tempo com isso?

Voltar às origens

Há mais de dois meses postei aqui sobre a necessidade de voltar a escrever com regularidade. E o que aconteceu? Apenas um texto (curtíssimo) acerca do incêndio no Museu Nacional, e mais nada…

Não voltei a escrever com regularidade, e creio que isso se deveu justamente a algo que já diagnostiquei naquele 28 de agosto: o melhor lugar para a retomada é justamente aqui, onde “tudo começou”. Voltar às origens é a melhor maneira de recomeçar – mesmo que seja impossível partir do “zero” novamente.

Até porque o Cão, embora já tenha passado por áureas fases em que tinha muitas visitas diárias, nunca deixou de ser algo mais “pessoal”. Não me preocupava se o que escreveria seria “relevante”, até por saber que ainda assim seria lido. Hoje, é verdade, isso é bem mais difícil de acontecer, mas percebo que o fundamental é parar de querer escrever para outras pessoas – ainda que obviamente elas possam ler, por ser publicado abertamente – e sim expressar, com minhas palavras, o que realmente quero dizer.

Vamos ver se agora vai. E quem sabe assim consigo terminar um outro texto que pretendo publicar no Medium.

11 anos de Cão Uivador

Foi em 14 de maio de 2007, uma segunda-feira, que este Cão Uivador teve seu primeiro texto publicado. Era o início de uma trajetória que duraria quase oito anos sem interrupções.

A primeira foi uma “crise” não somente do blog, como de seu próprio autor. Era um momento de desânimo com a vida, no qual meu futuro era incerto. Mas reuni motivação para dar seguimento ao Cão – que celebrou seu sétimo aniversário em 14 de maio de 2014 e semanas depois ganhou domínio próprio.

Agora, o que podemos chamar de “interrupção” aconteceu no início de 2015 – ironicamente, não por conta de uma “crise”, visto que o momento vivido era dos melhores: em janeiro daquele ano me mudei para Ijuí, era o início de uma nova experiência de vida. Algo que deveria inspirar novos textos. Porém, além de toda a função da mudança, no começo de minha jornada no noroeste gaúcho também não tive internet em casa – levou cerca de duas semanas para eu não depender do celular para me conectar.

Algo interessante é que cheguei a escrever um texto falando de algo que muito me chamava a atenção por lá: o céu noturno. Afinal, por ser uma cidade menor, a iluminação ijuiense ofusca menos o brilho das estrelas. Lembro de várias noites nas quais ficava muito tempo simplesmente olhando para o céu, sem nem tentar contar as estrelas. Porém, o rascunho do texto no qual falava isso ficou incompleto: a última edição foi na madrugada de 22 de março de 2015 – quando o Cão já acumulava 74 dias sem atualizações. Provavelmente deixarei lá, sem publicar, pois terminá-lo hoje, quando moro novamente em Porto Alegre, não seria a mesma coisa.

Não deixa de ser curioso que apenas dois dias depois de salvar este rascunho finalmente voltei a atualizar o blog. E o motivo foi, ironicamente, o longo tempo parado. Foi aparentemente uma retomada (afinal, já tinha pensado seriamente em acabar com o blog), pois dois dias depois teve novo texto. Mas depois, mais duas semanas de parada até postar em homenagem a Eduardo Galeano, falecido em 13 de abril de 2015. E, 42 dias depois, o “fim” – e início de um novo blog, que seria mais “condizente” com o novo momento. Assim como oito anos antes (a propósito, não houve postagem pelo oitavo aniversário do Cão), em uma segunda-feira de maio.

Com isso, passou sem nenhuma lembrança o décimo aniversário do Cão, ano passado. Aquele 25 de maio de 2015 parecia ter sido, realmente, um ponto final.

Mas não foi. Decidi retomar o Cão em fevereiro de 2018, mas com uma proposta diferente da anterior (e sem domínio próprio): mais com cara de “anotações dos meus pensamentos” do que para textos mais “sérios”, analíticos. Não que eu tenha aberto mão disso, mas tenho preferido fazer em outros lugares, como em publicações no Medium.

E hoje, depois de quatro anos, volto a celebrar o aniversário do Cão Uivador. Em uma segunda-feira de maio. Com uma “novidade”: incorporei a ele os textos escritos no blog criado naquela outra segunda-feira de maio, na qual ele aparentemente tinha “acabado”. Agora, tudo é Cão, sem divisões.

76 dias depois

Dias atrás, escrevi o texto que seria o último do Cão Uivador. Estava decidido a encerrar em definitivo as atividades do blog, de atualizações cada vez mais irregulares. Afinal, nos últimos tempos as pessoas, de forma geral, andam preguiçosas. Não leem textos longos na internet, não clicam em links que levem para longe do Facebook, acreditam em qualquer meme idiota que seja chamativo… Não é de surpreender a praga dos boatos.

cão uivador

Então, ao abrir o Facebook (sempre ele…) no começo da noite de hoje, vi a mensagem acima. E tive noção do tempo que deixei o blog parado. Antes disso, o máximo tinha sido em torno de 20 dias. Nunca passara de um mês. Mas agora já eram dois e meio.

Então tive a ideia de… Postar a imagem aqui. Afinal, é o lugar ao qual ela se refere. Foi a motivação para voltar a atualizar o blog.

Larguei de mão, ao menos temporariamente, a ideia de encerrar o Cão. Mas não prometo mais atualizações “de tantos em tantos dias”: antigamente eu sempre procurava evitar que ele ficasse mais de quatro dias sem novas postagens. Agora vou escrever só quando estiver a fim.

Mas algo que preciso definir logo, é quanto ao endereço dele. Em maio do ano passado adquiri o domínio caouivador.com pelo período de um ano, pagando US$ 26 por isso. Agora tenho até o dia 22 de abril para decidir se renovo por mais um ano ou não. Por enquanto, não acho que valha a pena pagar mais US$ 26 – ainda mais com a cotação do dólar em alta.

De mudança

Este breve texto que escrevo é uma despedida e, ao mesmo tempo, uma inauguração.

A despedida, é do condomínio de blogs do Sul 21. Me despeço também agradecendo muito pelo espaço à minha disposição nestes últimos dois anos, o qual aumentou a visibilidade do Cão. O blog deixa de estar vinculado ao Sul 21, mas continuará tendo-o como importantíssima referência, graças à qualidade e à credibilidade de seu trabalho.

A inauguração, portanto, é da nova “casinha” do Cão. A aquisição de um domínio próprio era algo que eu já pensava em fazer antes do convite para levar o blog para o Sul 21; passados dois anos, decidi pela “casinha própria”. Agora, o Cão Uivador passa a ser caouivador.com: atualizem seus links.

Quanto ao ritmo das postagens no novo endereço, não haverá alterações. Será como avisei no dia do aniversário do Cão: não prometo atualizações diárias, que evitem um longo tempo sem novos textos. Melhor mesmo é acompanhar o blog, inclusive curtindo sua página no Facebook – ainda mais que, dependendo de como a rede ficar nos próximos meses, talvez seja necessário acessá-la o mínimo possível para manter minha sanidade mental. Assim, para quem curte o que costumo postar no FB, acompanhar o Cão é uma ótima pedida.

Sete anos de Cão Uivador

O dia poderia ter passado despercebido, ainda mais se considerarmos as poucas atualizações nos últimos três meses: apenas nove. O Cão Uivador esteve próximo do fim nesse tempo: considerei seriamente a possibilidade de escrever um texto de despedida, para depois me preocupar apenas em postar no Facebook. Aliás, houve quem me dissesse (aliás, ainda há) que blog é perda de tempo, e blá blá blá. Quase me convenceram. Quase.

Em geral, a cada 14 de maio faço alguns comentários que invariavelmente terminam em agradecimento aos leitores. Afinal, o que motivaria um blog a se manter ativo por sete anos? Sem ninguém que o lesse, talvez o Cão sequer tivesse chegado em 2008. Para quem escreve, nada é mais desmotivador do que não ter leitores, por isso, faço questão de agradecer a quem ainda clica nos links, saindo um pouco do Facebook e vindo aqui.

Pois o que me desmotivou foi, sem dúvida alguma, constatar que cada texto aqui publicado, seria mais lido e repercutiria mais se fosse postado diretamente no Facebook. Não quero simplesmente atacar a rede social, pois ela também ajuda o Cão a ser mais lido, já que postando links lá o blog “atinge” mais pessoas. Mas também parece haver um crescimento da preguiça: em geral, ninguém tem muita paciência de ler um texto muito longo. E pior ainda, dificilmente clica em links que levem para fora do FB. Sem contar que, no tocante à discussão do que é postado aqui, já faz mais tempo ainda que ela não se dá no blog, mas sim nos links publicados no Facebook.

Ao perceber a aproximação do sétimo aniversário do Cão, decidi que não podia deixá-lo parado neste dia. Quem sabe o 14 de maio poderia servir de motivação para sua retomada, tentar voltar ao ritmo anterior, de atualizações que não deixam o blog parado por um longo tempo. Porém, decidi não fazer promessas cujo cumprimento não posso garantir. Mas uma decisão está tomada: o Cão não acaba. Segue firme. Pode não ser com frequentes atualizações como até o início do ano, mas continua vivo.

E aos amigos que geralmente curtem o que posto no Facebook, deixo uma dica: acompanhem o blog – que inclusive tem uma página no FB. Até porque considero seriamente a possibilidade de “tirar umas férias” da rede social durante a campanha eleitoral, que tem tudo para ser insuportável este ano: minha presença lá se resumiria a postar links do Cão (até porque teria de manter atualizada a página do blog).

Direto de 1991

Achava que nem existia mais, mas estava perdido em uma gaveta. O poema que deu nome ao blog, escrito a máquina em 21 de setembro de 1991. Época na qual eu sequer pensava que existia algo chamado “internet” (o meu computador era o Pense Bem), e tinha como preocupação maior não ir mal no colégio.

Foto1534

A escolha de um nome

Alguns dias atrás, li esse texto muito interessante da Nikelen Witter sobre o ato de nomear – desde coisas a até mesmo pessoas. É daquelas coisas aparentemente simples mas que, se paramos para pensar, percebemos ter uma grande complexidade.

Tecnicamente falando, nomes são substantivos, e estes têm a função de designarem seres, coisas, situações etc. Existem diversas classificações para os substantivos, todas as quais não vêm ao caso especificar aqui. Recordo de quando estava no colégio e aprendi isso, em especial da diferenciação entre “substantivos comuns” e “próprios”: os comuns nomeavam espécies e eram escritos em letras minúsculas (por exemplo, “país”), e os próprios algo específico dessa espécie e por isso grafados com inicial maiúscula (por exemplo, “Brasil”).

Todas as palavras (sejam substantivos ou não) carregam algum significado. “Brasil”, por exemplo, não é simplesmente o nome de nosso país: foi adotado por conta da abundância na Mata Atlântica, quando da chegada dos colonizadores portugueses, de uma árvore conhecida como “pau-brasil” por conta de sua madeira avermelhada, “cor de brasa” (“brasil” em português arcaico). Os nomes, portanto, não surgem “do nada”: todos eles têm muita história por trás.

No caso de nomes de pessoas, eles também têm significados de longa data – inclusive há “dicionários de nomes próprios” aos montes na internet. Mas, por fazerem referência a pessoas – que têm um tempo de existência limitado – acabam assumindo significados diversos daqueles “originais”, variando de acordo com lugares, visões de mundo etc. Muitos nomes próprios “nascem” devidos a personalidades de grande importância: há pessoas que têm nomes como “Bolívar” e “Lenine”, em óbvias referências a Simón Bolívar (líder da luta pela independência de vários países sul-americanos) e a Lenin (revolucionário comunista russo que inclusive nem fora batizado com tal nome, mas ficou conhecido pelo apelido).

Toda essa “enrolação” acima foi para começar a contar a razão de meu nome. Segundo um “dicionário de nomes próprios” consultados, “Rodrigo” vem do latim Rodericus, que por sua vez se origina do germânico antigo Hrodrich, significando “poderosamente famoso” ou “governante famoso”. Mas, antes do leitor se finar de rir (afinal, não governo porra nenhuma), convém lembrar a inspiração: meu pai conta que decidiu pelo nome quando, em sua juventude, leu as histórias de El Cid, como era conhecido o nobre guerreiro castelhano Rodrigo Díaz de Vivar, que combateu os Mouros (muçulmanos que ocuparam a Península Ibérica durante a Idade Média). El Cid faleceu em uma cama no seu castelo, em 1099; porém, a lenda diz que ele foi morto pelos Mouros e, diante do acontecido, a mulher de Rodrigo ordenou que o corpo fosse amarrado ao cavalo com uma espada na mão e enviado ao campo de batalha, apavorando os adversários que fugiram e, com isso, El Cid teria vencido sua última batalha “depois de morto”.

Quando minha mãe engravidou, porém, existiam duas propostas de nomes para o “futuro eu”: além de “Rodrigo”, também estava no páreo “Marcelo”, mesmo nome de um irmão da minha avó paterna que faleceu no dia seguinte ao nascimento do meu pai. A família se dividiu entre “rodriguistas” e “marcelistas”, e a única solução para o impasse foi decidir no voto: assim, cerca de um mês antes do meu nascimento, “Rodrigo” foi democraticamente eleito o meu nome em uma reunião familiar realizada em Rio Grande.

Três anos e meio depois, coube à minha mãe decidir o nome do meu irmão que estava para nascer. Mas dessa vez não houve disputas: ela escolheu “Vinicius” em homenagem a Vinicius de Moraes, e meu pai, fã do poeta, sequer pensou em fazer qualquer ressalva…

————

Provavelmente alguém queira saber, também, qual é a origem do nome “Cão Uivador”. Certa vez, descobri que existe um romance policial chamado “O Caso do Cão Uivador”, escrito pelo estadunidense Erle Stanley Gardner e publicado em 1934. Porém, nunca cheguei a ler o livro (aliás, eis uma boa ideia de leitura).

Este “Cão Uivador”, portanto, não deve seu nome ao romance, mas sim, a um poema que escrevi em 1991. Antes do Cão eu tinha um blog chamado Kardía (êta criatividade…) e pensava em renomeá-lo; mas acabei decidindo por criar um novo, pois não concordava mais com boa parte do que tinha escrito no antigo. Foi meu pai que lembrou o poema quando eu falava sobre não ter ideias para o nome, em 14 de maio de 2007, e assim surgiu não só o novo blog como também sua postagem inaugural.

Seis anos de Cão Uivador

O dia 14 de maio de 2007 foi uma segunda-feira, se não me engano chuvosa e fria. Ou seja, perfeita para criar um novo blog: não tenho o pavor de segunda-feira que tanta gente tem (ruim mesmo é o domingo à noite), e também não considero sol e calor como “tempo bom” (até gosto de sol, mas combinado com frio).

Naquela segunda-feira, o dia 14 de maio de 2013 pertencia única e exclusivamente aos mais variados tipos de especulação – uma delas, não confirmada, era a de que o Cão Uivador teria bastante poesia, visto que assim começou. Falar em “seis anos” era pensar no passado e voltando esse tempo, estaríamos em 2001, que naquela época parecia “próximo”, mas muitas coisas tinham mudado nos seis anos que antecederam a criação do Cão: em 2001 o Grêmio ainda não tinha entrado na atual “seca” de títulos e eu nem pensava que algo assim pudesse acontecer, Fernando Henrique Cardoso era presidente do Brasil e a eleição de Lula no ano seguinte me parecia algo quase utópico (por pior que fosse o governo FHC), eu ainda pensava que seria físico nuclear etc. Traduzindo: eu não tinha a menor ideia do que seria o ano de 2007.

Portanto, prefiro me abster de quaisquer previsões para 14 de maio de 2019, dia em que, se der tudo certo, serão comemorados os 12 anos do Cão Uivador. Porém, é impossível não pensar que, confirmada a celebração do 12º aniversário, lembrarei de 2007 e pensarei em 12 anos antes: 1995, um dos melhores anos da minha vida, e quando eu ainda pensava que em 2007 seria médico…

Porém, dentre várias especulações para o futuro uma é certa, com base no passado: se o Cão chegou até aqui, isso se deve não apenas a quem o atualiza, mas principalmente a quem lê o que aqui é publicado. Os textos refletem a minha opinião, mas ela não se forma “do nada”. Meu ponto de vista, assim como o de qualquer pessoa, se baseia em concordâncias e também em discordâncias: toda opinião bem fundamentada e respeitosa é bem-vinda, seja favorável ou contrária. E mesmo quem não comenta já me deixa satisfeito com a visita, pois sei que com isso colaborei de alguma maneira para alguém fundamentar sua opinião – e a mesma pessoa poderá retornar posteriormente e deixar um comentário que também influenciará meu ponto de vista.

Por isso, a cada 14 de maio sempre faço questão de explicitar meu agradecimento a todos os que leem o que escrevo, independentemente de comentarem ou não. Muito obrigado!