Olímpico Monumental, o retorno

De volta, um mês e 22 dias após a despedida…

E, de fato, minha série lembrando os jogos em que estive no Olímpico Monumental (aliás, o mais breve possível pretendo publicar o texto sobre 1999) ganhará um capítulo a mais.

Confesso que foi uma sensação estranha, como a de uma “volta no tempo”. Afinal, voltava ao Olímpico pela primeira vez depois do Gre-Nal, quando tinha me despedido… E justamente para assistir a um jogo. Partida com muito menos importância do que aquela: o time B do Grêmio contra o Canoas, pelo Gauchão. Derrota de 2 a 1, que pode ter sido a última do Olímpico – amanhã ainda tem mais um jogo, contra o Santa Cruz. E não duvido que mais partidas do Gauchão sejam jogadas no estádio.

Foi impossível não comparar com a Arena, é claro. O novo estádio é muito mais moderno, tem acessos amplos, mais banheiros etc. Mas em um aspecto considero o Olímpico imbatível: a localização. E não falo simplesmente dos acessos à Arena, que ainda não estão prontos.

Quinta, fui ao jogo de ônibus, pois começava cedo (19h30min) e tive de passar em casa depois do trabalho para vestir a camisa e pegar o cartão de sócio. Mas amanhã, pretendo ir a pé.

Aliás, penso que não só eu acho complicada a localização do novo estádio. Quem mora na Zona Norte de Porto Alegre, por exemplo, pode ir ao Olímpico pegando apenas um ônibus, seja o T2 ou o T5, seja até o Centro para depois ir a pé (uma boa caminhada que pode ser feita em cerca de 40 minutos). Já quem mora na Zona Sul precisa pegar dois ônibus (a não ser que o T2 passe perto), pois caminhar do Centro até a Arena significa levar bem mais de uma hora.

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Sobre a confusão do lado de fora do estádio (que não vi, pois quando cheguei a Brigada já tinha detido os brigões): tem gente que pensa em não ir mais a jogos por conta das cada vez mais comuns brigas na Geral. E o pior de tudo é que isso não parece que vai acabar tão cedo.

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Gauchão bissexto

Esta quarta-feira é um dia como não se tem toda hora. O motivo é óbvio: fevereiro só tem 29 dias quando o ano é bissexto.

Porém, não bastasse ser um dia no qual uma pessoa que nascer nele só comemorará seu aniversário no dia certo daqui a quatro anos, este 29 de fevereiro de 2012 ainda tem vários amistosos internacionais, e a decisão de turno no Gauchão. E mais: não tem nem Grêmio e nem Inter nela, o que é garantia de que na pior das hipóteses, o vencedor de Novo Hamburgo x Caxias será vice-campeão estadual.

Como já disse, acho este modelo de campeonato estadual anacrônico, ruim mesmo para os clubes do interior. A única coisa que ainda acho bacana é quando não temos Gre-Nal na decisão (preferencialmente quando quem fica de fora é o Inter, claro).

E, curiosamente, isso tem sido regra nos últimos anos bissextos. O último Gauchão de ano bissexto que teve a dupla Gre-Nal ocupando as duas primeiras posições na classificação final foi o de 1992. Desde então, a cada quatro anos se passou a ter a certeza de que o estadual não seria decidido em Gre-Nal, embora não necessariamente a ausência de um dos dois clubes se desse apenas em anos bissextos.

  • 1996. No primeiro ano de nossa série, o Grêmio chegou ao bicampeonato estadual batendo o Juventude com facilidade na decisão: 3 a 0 no Alfredo Jaconi, 4 a 0 no Olímpico (três de Jardel neste último jogo, um deles totalmente sem querer).
  • 2000. Quatro anos depois, a decisão novamente foi entre as cidades de Caxias do Sul e Porto Alegre. O Caxias chegava à final contra o Grêmio para tentar repetir o feito do Juventude, campeão em 1998 diante do Inter. E fez história: 3 a 0 no Centenário, 0 a 0 no Olímpico e festa grená.
  • 2004. Não foi exatamente uma decisão que pusesse frente-a-frente a Capital e o Interior. Mas não teve Gre-Nal: o Grêmio foi eliminado de forma vexatória pela Ulbra na semifinal ao perder de 3 a 1; e por pouco o adversário do time de Canoas não foi o Glória de Vacaria, que chegou a estar vencendo o Internacional na prorrogação da outra semifinal, e acabou derrotado nos pênaltis. A final – que assim como as semifinais foi em partida única – foi no Complexo Esportivo da universidade, em Canoas: de virada, o Inter fez 2 a 1 e conquistou o bicampeonato estadual.
  • 2008. Inter e Juventude fizeram a decisão, e parecia que a história de 1998 iria se repetir. Na primeira partida, no Alfredo Jaconi, 1 a 0 para o Ju, que ficou a um empate do título. Porém, numa prova de que aquele papo de “filial do Grêmio” já era passado (afinal, o Ju eliminara o próprio Grêmio nas quartas-de-final), o Inter aplicou uma histórica goleada de 8 a 1 no Beira-Rio e acabou campeão.

Depois de 2008, só vinha dando dupla Gre-Nal nas primeiras posições do Gauchão – escrita quebrada justamente em 2012, bissexto como 2008. Em 2009, quando foi adotada a atual fórmula do campeonato, o Inter ganhou os dois turnos, um contra o Grêmio e outro contra o Caxias; a soma das outras campanhas que não a do Inter deu ao Tricolor o vice-campeonato. Já em 2010 e 2011 tivemos Gre-Nal na decisão entre os campeões dos turnos: deu Grêmio em 2010 e Inter em 2011.

O mundo está doente

Ontem pela manhã, uma motorista que passava pela BR-116 em Canoas ouviu pela Rádio Gaúcha a notícia de que em um ponto da rodovia havia um cão abandonado, junto à mureta que separa os dois sentidos da estrada. Ao enxergar o cachorrinho, não teve dúvidas: parou o carro e o recolheu.

Foi o que bastou para ela ouvir todo o tipo de xingamento. Motoristas de outros carros bufaram pela perda de, sei lá, apenas mais alguns minutos em seu deslocamento. Provavelmente tinham ouvido a notícia sobre o cão, talvez sentissem pena dele, mas retirá-lo daquela situação perigosa… “Nem pensar, não tenho tempo a perder!”, diz o “cidadão de bem”.

Não me resta a menor dúvida de que tudo está muito errado em nossa sociedade. Cada vez mais me convenço de que imaturo não é o jovem que sonha com um mundo diferente, e sim, o velho que não aceita mudanças – e muitas vezes tem menos idade que os jovens sonhadores (que por sua vez, às vezes têm até cabelos brancos).

E há um longo caminho pela frente, como provam os motoristas que esbravejavam. Pois eles representam um dos maiores males da atualidade: a falta de solidariedade.

Sobre interesses comerciais

As transmissões do Gauchão 2009 têm primado por uma pérola – além das tradicionais do Paulo Brito, “heinhÔ Batista?” e “Futebol Clube Santa Cruz” (nunca vemos o Brito chamar Grêmio ou Inter por seu nome completo, só o Santa Cruz – deve ser implicância pelo clube ter o mesmo nome da cidade, já que ele torce para o rival Avenida).

De repente, um clube cujo nome é Sport Club Ulbra (heinhÔ Batista?) passou a ser chamado de “Canoas” nas transmissões e nos programas esportivos da RBS. Sendo que a cidade já tem um clube chamado Canoas Futebol Clube. No ano passado, já vinham chamando o time de “Ulbra-Canoas” – até entenderia bem em programas transmitidos para todo o Brasil, pois há também um Sport Club Ulbra em Ji-Paraná, Rondônia.

E não adiantou a direção do clube de Canoas divulgar uma nota oficial criticando a denominação da RBS e reafirmando que se chama Sport Club Ulbra. Os programas da emissora, assim como as transmissões dos jogos, continuam falando no “Canoas”.

E o pior é que o negócio pode ficar ainda mais esdrúxulo. Por exemplo, caso o Quilmes, da Argentina, venha a enfrentar algum time brasileiro em uma Libertadores ou Sul-Americana, qual será o nome que a Globo lhe dará? Pelo que li no Impedimento, parece ser determinação da emissora (e como a RBS é repetidora da Globo…) chamar times que têm nomes de “empresas” (Ulbra, em tese, é uma universidade, não empresa) pelo nome das cidades onde se situam. Só que o Quilmes fica em… Quilmes! A famosa cervejaria argentina e o clube devem seus nomes à cidade.

Guerra Fria guasca

Foi bem conforme previa o “fluxograma” desenhado pelo Kayser.

A capa da Zero Hora de ontem é uma pérola. Sobrou até pro Britto. Afinal, falam em “guerra fria” não só no governo Olívio, como também no do (des)governador (1995-1998). Bom mesmo, para a Zero Hora, são governantes que “não fedem e nem cheiram”, como Rigotto e Yeda. Ou, talvez, Fogaça…

Mas, não se iludam com a referência ao Britto: afinal, para a RBS a culpa é sempre do PT! Mais: é do Olívio, por “ter mandado a Ford embora”…

As observações do Kayser sobre a Zero Hora de ontem (clique para ampliar)

As observações do Kayser sobre a Zero Hora de ontem (clique para ampliar)

Fluxograma canoense

Kayser, sensacional:

fluxograma

Quanto à afirmação “A mídia diz que o PT gaúcho continua o mesmo e que por isso perderá as eleições de 2010”, quem se prestou a esse papel foi o próprio JJ, em artigo à Zero Hora de ontem…

A propósito: por que só o PT é “sectário”? Por que não falam o mesmo de Fogaça e Yeda? Afinal, Busatto fez parte de ambos os governos: por que não o chamam de volta, já que ele é tão “competente”?

O fim do “PT gaúcho”

Até pouco tempo atrás, dizia-se que o PT só se salvava no Rio Grande do Sul, onde era “autêntico”.

Mas, a gauchada demorou a perceber que essa afirmação não era lá muito verdadeira. Na eleição municipal de 2008 em Canoas, aconteceu uma coligação PT-PPS, que venceu o pleito, liderada pelo petista Jairo Jorge. Conforme escrevi em agosto, nada é dado “de graça”: o PPS apoiou o PT em Canoas, logo iria querer algo em troca.

O que o PPS ganhou? Um carguinho para Cezar Busatto

Não bastasse essa, já tinhamos a defesa por parte do deputado estadual Adão Villaverde da revisão de nota oficial do PT que condenou veementemente o genocídio na Faixa de Gaza.

A pequena esperança do PT retornar ao Piratini em 2010, foi-se por água abaixo. O voto da classe mérdia, obviamente o partido não obtém. E da esquerda, fica cada vez mais difícil, visto que o PT caiu na “vala comum”, tornou-se igual aos outros.

Não foi com a nomeação de Busatto, nem com a aliança PT-PPS. Isso apenas fez a máscara cair. O “PT gaúcho”, autêntico e aguerrido, acabou. Apenas restam alguns bons nomes lá, como Olívio Dutra e Raul Pont.

Um exemplar “defensor da lei”

Quero só ver o que aqueles direitosos tapados, que chamam qualquer pessoa ou movimento de esquerda de “petralha” (mesmo que não haja nenhum vínculo com o PT, e mesmo que a maioria esmagadora dos petistas não seja corrupta), vão achar dessa.

O ídolo-mor dos reaças guascas, Coronel Paulo Roberto Mendes, teve gravada uma conversa com o Secretário de Governo de Canoas, Chico Fraga – um dos indiciados pela Operação Rodin, que investigou a quadrilha do DETRAN – em que lhe pedia apoio para assumir o comando da Brigada Militar, fato que viria a acontecer no início de junho.

Poucos dias depois de assumir, o Coronel Mendes já mostrou a que veio: comandou pessoalmente uma violenta repressão da BM a um protesto contra a alta do preço dos alimentos e a corrupção do (des)governo Yeda Crusius, no dia 11 de junho. Ele já era “famoso” por ações truculentas anteriores contra o MST e a Via Campesina, e seus argumentos eram sempre os mesmos: “defender a lei”.

E agora, o Coronel que buscou “QI” para ter seu nome indicado pela (des)governadora para o comando da BM, foi nomeado pela mesma para ocupar vaga no Tribunal de Justiça Militar do Estado. Imaginem tal figura como juiz…

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