As férias de Cortázar em Porto Alegre

Nunca morei em outra cidade que não Porto Alegre. Ao longo de toda uma vida aqui, me acostumei com as variações térmicas – embora sempre preferindo que as temperaturas não subam. Mas nunca passei tanto calor como neste verão.

6 de fevereiro de 2014, 17h42min

6 de fevereiro de 2014, 17h42min

22 de julho de 2013, 18h38min

22 de julho de 2013, 18h38min

Lembram dos rumores sobre a presença de Júlio Cortázar em Curitiba? Pois as últimas informações dão conta que ele decidiu passar uma férias em Porto Alegre… Pois além do calor absurdo, vemos pessoas que há anos não vão ao colégio andando de ônibus escolar. Consequência da greve dos rodoviários iniciada há quase duas semanas, e que não termina pois as empresas não dão o aumento pedido alegando prejuízo decorrente do não aumento da tarifa – mas mesmo assim, elas não querem largar esse negócio, por que será?

Não bastasse isso, menos de dois meses antes do golpe de 1964 completar 50 anos, a cidade que uma década atrás se orgulhava de ser uma referência de democracia pode ganhar um bairro que homenageia um ditador. Essa, Cortázar não imaginaria e, se imaginasse, não escreveria, dada sua oposição ao autoritarismo.

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O dia em que Porto Alegre foi “uma cidade perfeita”

Ano passado comentei que o verão de Porto Alegre tem pelo menos duas coisas boas: além de ter fim, também é a época em que diminuem os congestionamentos e as filas.

Mas a verdade é que nessa terça-feira o calor foi tanto, que sair na rua (coisa que não me arrisquei a fazer) certamente faria a pessoa delirar e achar que a cidade está a coisa mais perfeita do mundo.

Charge que o Kayser desenhou em fevereiro de 2010 (quando o calor foi de “desmaiar o Batista”, mais ou menos como no Natal de 2012)

Do “Forno Alegre” para o “Caos Alegre”

Se tinha coisa que eu muito desejava, era o fim daquele calorão que assolava a cidade até ontem. Ainda bem que este rigorosíssimo verão finalmente está acabando!

Charge do Kayser

A chuva era a única maneira de acabar com tanto calor, mas bem que não precisava vir tanta água em tão pouco tempo…

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E lembram do que falei duas semanas atrás, sobre a Copa? Pois é…

Bom sinal?

Fevereiro ainda não acabou, e notei que um plátano na Praça Dom Sebastião, quase no Centro de Porto Alegre, já tem algumas folhas secas para nos lembrar que, pelo calendário, o outono se aproxima. Seria um sinal de que não falta tanto para, finalmente, o calorão ir embora?

Não resisti: “saquei” o celular e tirei uma foto da árvore ontem (quando notei as folhas secas), e mais duas hoje.

Como NÃO montar uma tabela de campeonato

Em novembro, comentei sobre a maluca ideia da FGF na época, de levar o Gre-Nal do primeiro turno do Gauchão para Boston, nos Estados Unidos. Felizmente a maluquice foi deixada de lado, e o clássico aconteceu no Estádio Olímpico Monumental, no último dia 5 (deixemos o resultado para lá, por favor).

Mas isso não quer dizer que a tabela do Gauchão tenha ficado uma beleza. Basta olhar para a última rodada deste primeiro turno, marcada para amanhã, para perceber a estupidez.

Primeiro pelo fato dela prever dois jogos envolvendo a dupla Gre-Nal em Forno Alegre, no mesmo horário (como manda o bom-senso em rodadas decisivas). O Inter joga contra o Pelotas no Beira-Rio, enquanto o Grêmio enfrenta o São José no Passo d’Areia. Embora a distância entre os dois estádios seja bem maior do que aquela que separa Olímpico e Beira-Rio, não deixa de ser absurdo marcar dois jogos da dupla Gre-Nal para o mesmo horário na mesma fornalha cidade. Ainda mais em um sábado de Carnaval: para que a Brigada Militar possa policiar os dois estádios onde a bola rola amanhã, mais o Sambódromo, foi necessário antecipar as partidas, originalmente previstas para as 17h.

O resultado é o horário para o qual estão marcados os jogos de amanhã: 16h20min. Pelo horário de verão… Ou seja, será 15h20min pelo sol. E está prevista temperatura máxima de 39°C para amanhã em Forno Alegre.

(Não que realizar os jogos às 17h fosse melhorar muito as coisas: foi antes de um jogo neste horário que o comentarista Batista desmaiou em 2010, quando a temperatura superou os 40°C. O ideal seria que as partidas ocorressem à noite, mas aí teríamos o problema relativo ao policiamento. Sem contar os interesses da televisão…)

Agora somem a isso o ingresso caro, o feriadão de Carnaval, e temos uma maneira perfeita de espantar o público dos estádios. E depois há quem reclame que o Gauchão “não é valorizado”; mas também, como valorizar um campeonato com esta “organização”?

Destino traçado?

A previsão para quinta-feira (2 de fevereiro) em Porto Alegre é de muito calor. A temperatura poderá se aproximar dos 40°C.

Quinta-feira tem jogo do Grêmio, no Olímpico. É às 19h30min, menos quente que às 17h (como foi naquele 3 de fevereiro de 2010), mas ainda terá sol e, portanto, será com bastante calor.

O adversário do Grêmio na quinta é o São Luiz de Ijuí… Igual ao 3 de fevereiro de 2010.

Já era, Batista: teu destino está quase traçado. Vai descansar, fazer qualquer coisa que não seja comentar jogo de futebol no fim da tarde de quinta, a não ser que estejas a fim de novamente virar destaque internacional por conta de uma situação que pode ser engraçada para quem vê pela televisão, mas certamente não é boa para quem passa por ela.

Highway to Hell

A música do AC/DC não é uma homenagem ao verão do Rio Grande do Sul. Mas poderia muito bem ser: bastaria pegar a estrada rumo a Santa Rosa, onde hoje fez 41,8°C.

Em comparação, Porto Alegre até teve uma tarde “fria”, com “apenas” 35,5°C. Mas não subestimemos a cidade que nessa época muda de nome e passa a se chamar “Forno Alegre”.

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O verão começa oficialmente na próxima madrugada. Tem muita coisa ruim, mas como tudo, tem seu lado bom: ele acaba… O outono está cada vez mais próximo: faltam 89 dias.

Blog em processo de fusão

E não é com outro blog. É fenômeno físico mesmo: derretimento.

Com esse calor desgraçado em Porto Alegre, não consigo pensar direito. Pior que tinha um post interessante para terminar e publicar hoje, mas simplesmente não conseguia me concentrar (sem contar que o WordPress anda mais lento que o trânsito dessa cidade infernal). A única coisa que me lembrava era do que sofri na tarde de hoje, e percebia que ainda tem a tarde de amanhã, de quarta, e muitas outras até meu adorado 20 de março.

Assim, espero retomar o ritmo normal na quarta, caso caia a tão desejada chuva. Ou, quando me acostumar com esse tormento… Tudo isso, claro, pressupondo que eu não encarnarei o personagem de Michael Douglas no filme “Um Dia de Fúria” (1993).

Ah, e antes de qualquer coisa: prefiro ser “rabugento” do que fingir felicidade com esse tempo insuportável!

Continuo sem a menor saudade do verão

Afinal, como comentei em 7 de julho, não tenho memória curta… E o Batista também não está com saudade, heinhÔ?

Sem contar que, depois do cachorro, existe algum bicho mais simpático que o pinguim? Assim como o vinho, ele não combina com aquele calorão infernal que faz em Forno Alegre no verão.

Grêmio, o time dos extremos

30 de maio de 1979. No Estádio da Montanha, em Bento Gonçalves, se enfrentaram Esportivo e Grêmio. Um jogo de Gauchão que ficou no 0 a 0 não teria motivo algum para ser histórico, certo?

Errado! Pois naquela noite se jogou com neve e temperatura de 0°C. O Grêmio não foi o único (e nem mesmo o primeiro) grande clube brasileiro a disputar uma partida nestas condições (em 1976, o Cruzeiro jogou na neve contra o Bayern de Munique, na Alemanha, pelo Mundial Interclubes), mas provavelmente foi o primeiro (e único?) a enfrentar tal situação dentro do Brasil.

No dia 3 de fevereiro de 2010, novamente um jogo do Grêmio pelo Gauchão, que poderia ter caído no esquecimento, acabou se tornando histórico por razões climáticas: dessa vez, foi por causa do calor. Aquela quarta-feira foi um dos dias mais quentes da história de Porto Alegre: a temperatura máxima oficial foi de 38,1°C, registrada na estação do INMET no Jardim Botânico. Mas no bairro Menino Deus, chegou a 41,3°C.

A estação que registrou os 41,3°C fica próxima ao Estádio Olímpico, onde naquela tarde Grêmio e São Luiz se enfrentaram, no cumprimento de uma das tabelas mais absurdas já feitas para um campeonato: jogo às 17h de uma quarta-feira, dia útil… O calorão foi apenas um elemento a mais para ressaltar a estupidez.

A partida foi assistida por 4.746 torcedores (dentre eles, não estava eu) e acabou empatada em 1 a 1, mas isso é o de menos, pois o que ficou para a história é que o Grêmio, quase 31 anos depois de jogar na neve, enfrentou um calor de 41°C. Temperatura que fez o comentarista Batista desmaiar ao vivo na TVCOM antes da bola rolar (não se engane com os 37°C que aparecem no vídeo, pois esse “frio” é o que fazia no Morro Santa Teresa, onde fica a emissora).

Agora, se esse foi o maior calor enfrentado por um grande clube brasileiro, eu não sei. Considerando que há várias cidades no Brasil onde já se registraram temperaturas superiores a 41,3°C, é provável que não pertença ao Grêmio tal marca.

Depois do absurdo que foi a realização de tal partida nestas condições, uma liminar da Justiça do Trabalho determinou que os jogos do Gauchão só poderiam começar se não fizesse mais de 35°C, para preservar a saúde dos jogadores. Mas não foi o que se viu na última rodada do primeiro turno, realizada no sábado de Carnaval (13 de fevereiro): dez minutos antes de Grêmio x São José, o árbitro Carlos Simon afirmou ter medido 32,5°C no gramado do Estádio Olímpico (tirou o termômetro da geladeira antes???), quando logicamente a temperatura era superior a 35°C. Bom para a televisão, que pôde transmitir a partida no horário (16h) que havia anunciado… Mas péssimo para os atletas: ao menos três jogadores passaram mal nos jogos daquela tarde.