A arte de assustar

Sou fã de filmes de terror. Mas não falo daqueles estilo “banho de sangue”, com um assassino mascarado que quer matar todo mundo. Até porque eles costumam ser por demais previsíveis. (E há alguns tão toscos que chegam a ser engraçados.)

Engana-se quem pensa que assustar as pessoas com um filme é fácil. Pois uma coisa é dar sustos, dos quais nos recuperamos e chegamos até mesmo a rir – mesmo que, para mais adiante, levarmos outro cagaço. Outra bem diferente é deixar o espectador tenso, com o coração na boca, sem sequer precisar mostrar algum monstro.

Pois é o que experimentei na prática ontem, assistindo a Atividade Paranormal 3. É um filme aparentemente fácil de fazer (assim como os dois primeiros da série): basta ligar uma câmera comum, ir dormir e no dia seguinte assistir ao vídeo em busca dos fantasmas. O problema é fazer eles se manifestarem… (Que tal deixar uma câmera no banheiro, com um gravador repetindo “Blood Mary” a noite inteira?)

O que mais gosto nestes filmes ao estilo “falso documentário” é que eles parecem mais “reais”. Ao assistirmos filmagens feitas em câmeras comuns, fica mais difícil dizer “é só um filme, nada disso existe de verdade nem é uma ameaça”. Quando se parece estar “dentro” da história, o que menos pensamos é que “é só um filme”.

Mas obviamente isso não significa deixar de lado grandes filmes de terror feitos no passado – e que ainda considero melhores que os “falsos documentários”, pois também conseguem nos envolver na história, a ponto de esquecermos a realidade (embora às vezes a desgraçada se manifeste através de um telefone) e só nos concentrarmos na tela. Como não sentir “os nervos à flor da pele” em O Bebê de Rosemary (1968) por exemplo?

E até hoje, não assisti nenhum filme de terror melhor que a versão de O Iluminado (1980) produzida por Stanley Kubrick. Com direito a duas das cenas mais assustadoras da história do cinema: desafio o leitor a assistir a pelo menos um dos vídeos abaixo de madrugada, com todas as luzes apagadas.

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