Houve uma vez uma noite de Ano Novo…

Há 10 anos, o mundo estava em um quase êxtase. Era a chegada do ano 2000. Nada simbolizava tanto o “futuro” quanto este número tão “redondo”.

Mesmo nos anos 80, a ideia que eu tinha do mundo do ano 2000 era de um lugar onde os carros voavam e as pessoas usavam roupas esquisitas, tipo nos desenhos dos Jetsons.

Inclusive lembro de um diálogo com o meu pai no dia do aniversário dele em 1999 (ou seja, 31 de dezembro!). Falávamos sobre o ano 2000, que finalmente chegava, e eu lembrava a visão inspirada nos filmes que eu tinha da data: “Pois é, e os carros não estão voando” (apesar de alguns motoristas doidos tentarem isso até a morte – literalmente).

No dia 31 de dezembro de 1999, a televisão passou o dia mostrando imagens da entrada do ano 2000 em diversas partes do mundo. E, claro, não terminava nunca aquela discussão sobre o final do século XX (e do milênio).

E o “bug do milênio”? Havia todo aquele temor quanto às falhas nos computadores na virada do ano, que levariam o mundo ao caos. Inclusive dizia-se que os sistemas de controle das armas nucleares russas seriam muito defasados, e que a partir da meia-noite de 1º de janeiro de 2000 as ogivas nucleares simplesmente se disparariam, acabando com o mundo. Claro que nada disso aconteceu, pois estamos todos aqui…

Esperei a entrada na Usina do Gasômetro. Chovia em Porto Alegre, senti frio por estar molhado e precisei comprar uma capa de chuva. E não chegava nunca meia-noite: não era culpa da expectativa, e sim, dos “excelentes” shows musicais daquela noite… À meia-noite, aconteceu algo comum na vida de um gremista: um foguetório comemorativo. Era o “futuro” chegando.

————

O “ano do futuro” não foi tão maravilhoso como se esperava. Nem no âmbito pessoal. Já em janeiro, passei no vestibular para Física na UFRGS: eu largaria o curso dois anos depois, mas fiquei feliz, é claro. Só que o primeiro ano foi desastroso: nas poucas cadeiras nas quais fui aprovado, o conceito foi “C”, ou seja, “suficiente para passar”. Mesmo assim, em nenhum momento de 2000 eu pensei em abandonar o curso (em 2001 eu pensaria nisso pela primeira vez, embora brevemente).

Mas o mais incrível de tudo é perceber que o “futuro” já se encontra 10 anos atrás. Quando estivermos entrando em 2020, o que falaremos dos dias de hoje (e também dos de 10 anos atrás, que lá serão “20 anos atrás”)? E, se o assunto é “futuro”, estará o mundo de daqui a 10 anos semelhante ao do filme Soylent Green, que se passa em 2022?

Não basta “torcer para que não esteja”, e sim, é preciso que também façamos a nossa parte, procurando evitar desperdício de comida, água e energia, consumindo somente o realmente necessário, caminhando mais e andando menos de carro (gastar gasolina para andar duas quadras sozinho é o cúmulo – e o motorista engorda e não sabe por quê…). Quem não age assim, que tal começar em 2010?

Afinal, o “futuro perfeito” que eu acreditava ser o ano 2000, além de já ser passado, também é irreal. O futuro – seja bom ou ruim – será consequência de nossos atos hoje.

E se muito do que desejamos parece impossível, a ponto de nos desmotivar… Passo a palavra a Mario Quintana:

Das utopias

Se as coisas são inatingíveis… ora!
Não é motivo para não querê-las…
Que tristes os caminhos, se não fora
A mágica presença das estrelas!

A todos os leitores do Cão Uivador, um grande abraço e FELIZ 2010!

Estou ficando velho

Por pouco não passei a meia-noite vendo DVDs do Arquivo X. Todas as possibilidades de sair de casa tanto minhas como do meu irmão Vinicius tinham ido por água abaixo – no meu caso, por causa de uma diarréia: não me agradava a idéia de toda hora precisar ir aos “banheiros atômicos” lá no Gasômetro. Até que, por volta das 9 da noite, nosso grande amigo Marcel nos chamou para esperarmos à meia-noite na casa da avó dele, que fica bem perto de onde moro. Para que eu fosse, avisou: “aqui tem cinco banheiros”. E fomos.

Esteve muito presente na conversa de nós três a expressão “estamos ficando velhos”: fiquei amigo do Marcel quando fomos colegas no 3º ano do 2º grau, em 1999 – ou seja, há nove anos. Quando penso que naquela época eu tinha 17 anos, que hoje tenho 26 e daqui mais nove terei 35, é impossível não dizer “puta que pariu, o tempo voa”. E sei que está cada vez mais próximo o momento em que eu, ao encerrar a leitura da Zero Hora (mesmo discordando, faço questão de ler o jornal, para poder criticar), me dirigirei à seção “Há 30 anos em ZH” e lerei a terrível frase: AS NOTÍCIAS ABAIXO FORAM PUBLICADAS NA EDIÇÃO DE QUINTA-FEIRA, 15 DE OUTUBRO DE 1981.

Lembram de tudo o que falavam do ano 2000? Que diziam que o mundo ia acabar? É… Lá se vão oito anos. E o tão falado “bug do ano 2000” não aconteceu: os computadores continuaram funcionando normalmente.

A última vez que a seleção principal da Argentina ganhou um título foi em 1993. Parece que foi ontem, mas já se passaram quase 15 anos.

Também é muito sintomático de que estou ficando velho o fato de meus ídolos recentes no futebol serem mais novos do que eu. Cito os exemplos de Carlos Eduardo e Anderson, nascidos respectivamente em 1987 e 1988.

E a minha primeira paixão? Ela tinha 18 anos, hoje tem 28 (e está casada). Aquela fossa que entrei quando ela me disse “não”… Foi há dez anos atrás!

Realmente, o tempo voa.