São José do Norte: tranquilidade com os dias contados?

Em minhas últimas férias, tive a oportunidade de conhecer São José do Norte. Estive na pequena cidade, que fica ao norte de Rio Grande (daí a denominação que lembra sua localização geográfica, sendo que os riograndinos costumam chamar a localidade simplesmente de “Norte”) no dia 29 de março.

Era 2013, mas se olhássemos apenas para os prédios, poderíamos achar que era bastante tempo atrás. Pois andar por algumas ruas de São José do Norte dá a impressão de que se voltou ao passado: boa parte das edificações da cidade é antiga, com muitas casas de estilo açoriano.

Tal impressão se acentua também pela tranquilidade da cidade. Tudo bem que era feriado*, mas o pouco movimento nas ruas me chamou bastante a atenção: afinal de contas, em dias úteis certamente São José do Norte não lembra nem um pouco sua vizinha Rio Grande, que é uma cidade muito maior e que começa a ter problemas semelhantes aos de Porto Alegre, como a alta no preço dos imóveis e o trânsito caótico – o que é fruto do crescimento econômico gerado pelos investimentos no porto, transformando a cidade em um importante polo naval e atraindo mão-de-obra vinda de muitos lugares.

Agora, está sendo construído em São José do Norte um estaleiro para construção de plataformas de extração de petróleo, o que gerará um impacto positivo na economia do município, atualmente baseada na produção de cebola. E provavelmente causará um aumento populacional, pois como os imóveis estão muito caros em Rio Grande, morar em São José do Norte deverá sair mais em conta: mesmo sem a sonhada ligação “a seco” entre as duas cidades (via ponte ou túnel), há uma linha hidroviária que só não funciona durante a madrugada, operada por barcos que saem de meia em meia hora. (Sem contar que depois do asfaltamento da antiga “estrada do inferno” é possível sair da cidade por terra podendo se ter uma ideia do horário de chegada ao destino: não muito tempo atrás, uma viagem que hoje dura horas era uma aventura que podia levar dias, devido aos diversos atoleiros naquele trecho da BR-101.)

Não acredito que São José do Norte ficará tão agitada como Rio Grande em um curto espaço de tempo, mas certamente a cidade mudará bastante, se tornando mais movimentada. Assim, fica a dica: quem quiser curtir seu aspecto “de passado”, aproveite enquanto ele ainda não é coisa do passado.

Abaixo, algumas fotos que tirei da cidade:

Anúncios

Algo que Porto Alegre poderia ter de (muito) bom no verão

Após postar o texto de segunda, divulguei-o no Facebook (no Twitter vai “automático”). Pois foi de lá que veio um bom questionamento sobre o que Porto Alegre oferece a quem fica por aqui durante o verão – ou a quem resolve conhecer a cidade justamente nos meses mais quentes do ano.

Foi do meu amigo e colega de profissão Antonio Prestes, que no mesmo 14 de dezembro de 2009 no qual defendi meu TCC, também defendeu o trabalho dele, no qual fala sobre o processo de degradação ambiental das praias do Guaíba na passagem dos anos 1960 para os 1970 e o pouco valor que os porto-alegrenses deram ao fato na época – e não só devido à facilitação do acesso ao mar a partir de 1973 com a inauguração da autoestrada que liga Porto Alegre a Osório, pois antes disso as praias do Guaíba já sofriam um processo de abandono, que culminaram com a interdição em novembro do mesmo ano de 1973.

Se antes a facilidade de acesso ao mar fez muitos “cagarem e andarem” para a interdição das praias do Guaíba, me parece que é hora de rever esse conceito de “facilidade”. Pois pegar a estrada rumo ao litoral numa sexta-feira ao fim da tarde (se for início de feriadão então…) é cada vez mais um exercício de paciência, dados os crescentes congestionamentos. Se a opção for o litoral catarinense, a tranqueira é ainda pior.

Com um Guaíba despoluído em toda a sua extensão, seria possível o porto-alegrense ir à praia sem precisar encarar estrada (com dois pedágios) congestionada. Atualmente, é possível se refrescar no Guaíba apenas em seu extremo sul, como no Lami e no Parque Estadual de Itapuã (que oferece belíssimas paisagens e praias que lembram Santa Catarina, só uma pena que nem todas elas possam ser visitadas pelo público).