Gauchão com “cara europeia”

O Campeonato Gaúcho de 2010, que começa no próximo dia 16, tem até uma página oficial.

Olha um pedaço do texto de abertura da página:

A partir de 2010, o Campeonato Gaúcho passa a ter uma cara nova e permanente. Assim como nos campeonatos europeus, a Federação Gaúcha de Futebol adotou uma moderna logomarca e apresenta um novo conceito de gestão que visa reposicionar e valorizar o Campeonato Gaúcho no cenário nacional.

Até parece piada. Um campeonato que só é mantido “em nome da tradição” querer se comparar a certames competitivos! Alguém pode dizer que na Espanha praticamente só há dois clubes que brigam pelo título – Barcelona e Real Madrid – mas isso significa esquecer Valencia, Atlético de Madrid, Villarreal, Sevilla, La Coruña, dentre outros que, quando não ganham, incomodam uma barbaridade.

Não bastasse a bizarra comparação, a página oficial NÃO TEM A TABELA DO CAMPEONATO! Acreditem se quiser… Descobri o carnê no Futebol na Rede. E pude perceber que, embora se fale tanto em valorizar o Gauchão, o esforço é no sentido contrário: no 1º turno (Taça Fernando Carvalho), os jogos da dupla Gre-Nal em Porto Alegre nos finais de semana serão às 19h30min… De domingo. Exceção feita à última rodada, dia 13 de fevereiro, quando todos serão às 17h.

Não aceito a desculpa de “antes é ruim porque tá todo mundo na praia”. Às 19h30min, todo aquele pessoal que chegou da praia está descarregando suas bagagens. E depois, provavelmente descansando (o que é realmente necessário, depois de pegar engarrafamento).

Domingo à noite não é horário bom para futebol, será que não aprendem? No sábado não é problema, dá para sair do estádio e ir direto pro boteco falar mal daquele juiz ladrão e das burrices do treinador. Domingo, não.

Já é uma bosta os jogos do Campeonato Brasileiro às 18h30min de domingo, imagina de Gauchão às 19h30min? Sem contar os de quarta depois daquela porra de novela. E ainda por cima tendo de pagar caro: ano passado, o ingresso de arquibancada (ou seja, mais barato) no Olímpico custava R$ 30. Depois não entendem porque a média de público é baixa…

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Fora da rota prevista

Ainda bem que tenho o hábito de ler posts “antigos” nos blogs que costumo visitar… Ao contrário dos ignorantes por querer, dos quais a Têmis Nicolaidis fala em um ótimo texto publicado no Alma da Geral em 23 de março de 2007. Afinal, para tais pessoas, “antigo” é igual a “velho”, ou seja, “descartável”.

Eu ia comentar “com mais de dois anos de atraso” – me dêem um desconto, que eu me lembre descobri o Alma da Geral em maio de 2007 – mas imaginei que o comentário ficaria tão grande, que seria melhor transformá-lo num post no Cão.

Como o meu post será baseado no da Têmis, leia o dela, antes de continuar a leitura aqui.

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Por certo tempo, me esforcei para seguir algumas das “regras para o sucesso”, que a Têmis expôs. Quando criança, gostava de brincar de carrinho. O futebol não me atraía, já que eu era um perna-de-pau e sempre sobrava na escolha dos times. (Ainda sou podre, mas na época eu não via graça nisso, hoje é que chego até a me orgulhar.)

Por volta dos 11 anos, comecei a gostar das gurias. Porém, não me ensinaram a ser machista, a tratá-las como meros objetos (regra que, infelizmente, é legitimada por muitas mulheres). Talvez isso tenha sido a minha “rebeldia juvenil”: não via motivos para me revoltar contra os meus pais nem contra os meus professores (ainda mais que eu tirava notas altas), então eu o fazia contra a “turma”, que só falava em “baladas” (não usavam ainda tal termo, mas o sentido era o mesmo) e “pegação”, enquanto eu preferia me apaixonar (mesmo que platonicamente) por uma só guria. Hoje olho para trás e percebo que exagerei na dose de paixão (que chegou ao auge no dia que foi o pior da minha vida até acontecer o que parecia ser o verdadeiro apocalipse), mas ao mesmo tempo não me arrependo, pois pelo menos não fui igual a todo mundo – e se pudesse voltar atrás, eu continuaria a não querer saber de “baladas”, melhor um boteco com uma boa cerveja gelada.

Passei no vestibular da UFRGS em 2000, para Física. Era a matéria que eu ia melhor no colégio, e principalmente, eu não queria fazer o mesmo que a maioria da turma: o que saiu de advogado dali… Nada contra tal carreira, mas até que ponto a “vocação” não era uma imposição social? Talvez a minha própria opção também: eu remei “contra a maré” mais uma vez, não queria ser igual aos outros.

Dois anos depois, percebi que Física não era o que eu queria. Larguei o curso, pensei até em tentar conseguir um emprego e não voltar mais a estudar. Mas percebi que não era uma boa abandonar os estudos, e prestei vestibular para Direito em 2003 (para “conseguir emprego”, pode?).

Em 2004, fiz e passei para História na UFRGS, e agora estou a pouco mais de cinco meses da formatura – que considero como sendo a apresentação do TCC, a cerimônia eu acho uma grande bobagem. Considero a carreira acadêmica interessante, tentarei fazer mestrado, mas penso em outras possibilidades de trabalhar com o que aprendi.

Bom, o resto do “caminho de sucesso” eu ainda não alcancei. Mas depois de pegar tantos desvios – fazendo uma comparação, seriam estradas de chão batido mas mais bonitas, ao invés de uma auto-estrada asfaltada, duplicada e reta – eu já estou mais que decidido por não seguir o restante, e faço de tudo para me manter fora da rota.

Afinal, eu vejo amigos meus decididos a seguir tal free-way (sim, tem que ser em inglês, dá mais status!). Vidas confortáveis, mas… Monótonas. Onde o tesão pelo que se faz é substituído pelo simples “ganhar dinheiro”. A rotina ao invés da novidade. A troca do amor espontâneo pelo obrigatório. A aceitação e legitimação de tudo o que era aparentemente contestado na juventude.

Tudo isso para quê?

Para chegarem à velhice e perceberem, tarde demais, que a vida passou, e foi perdida.