Perigoso precedente

O zagueiro Bolívar, do Inter, recebeu uma punição inédita por parte do STJD. Após entrada criminosa que rompeu o ligamento cruzado do joelho esquerdo do lateral-esquerdo Dodô, do Bahia, o colorado ficará suspenso por no mínimo quatro jogos. Além destes, também estará proibido de jogar pelo mesmo período em que Dodô não puder entrar em campo devido à lesão.

Aparentemente, é uma punição exemplar. Porém, abre um perigoso precedente: agora, qualquer jogador que se machucar em uma dividida poderá provocar punição do mesmo tipo ao adversário, mesmo que ele não seja o culpado pela lesão.

Suponhamos que um atleta tenha problema no ombro, que inclusive já seja de conhecimento do departamento médico de seu clube. Aí um dia, num lance “ombro a ombro” (que pode até ser faltoso, mas é das jogadas mais normais no futebol), ele desloca a clavícula. O adversário é culpado? Não, pois o lesionado poderia se machucar em outro lance, talvez até mesmo sozinho. Sem contar que teríamos de partir do pressuposto de que o “agressor” sabia do problema do jogador adversário, e assim a “jogada de corpo” teria tido a intenção de machucar seu oponente.

Obviamente a minha hipótese não se aplica a Bolívar: sua entrada foi maldosa, merecedora de uma punição severa. Seis meses, um ano talvez, um longo tempo afastado dos gramados (até se levando em conta o período estimado para a recuperação de Dodô). E poderiam ser incluídos na pena os custos do tratamento.

Mas, que seja por um tempo definido. Pois caso Dodô machuque sozinho o mesmo joelho no futuro, como definir se a culpa ainda é de Bolívar? Aliás, mesmo caso do hipotético jogador com problema no ombro: se logo após voltar a jogar ele novamente deslocar a clavícula, a tendência será culpar o “responsável” por sua primeira lesão (mesmo que talvez nem na primeira ele seja culpado!).

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Ranking de pontos da Libertadores

A Conmebol divulgou a tabela histórica atualizada da Taça Libertadores da América, em que são somados todos os pontos conquistados por todos os clubes que dela participaram – semelhante ao ranking de pontos do Campeonato Brasileiro. O River Plate, da Argentina, é o líder, com 495 pontos, quatro a mais que o uruguaio Peñarol.

O São Paulo (melhor brasileiro no ranking) aparece apenas em 12º lugar, com 231 pontos – atrás de clubes como o Bolívar (Bolívia), que nunca chegou sequer à decisão mas disputou 25 edições da Libertadores, enquanto o São Paulo participou 13 vezes.

O segundo melhor brasileiro é o Palmeiras, 15º colocado com 225 pontos, e o terceiro é o Grêmio, 18º com 184. Já o “mais internacional dos clubes brasileiros” é o sétimo melhor do Brasil na história da Libertadores: ocupa a 36ª posição, com 111 pontos.