Pra variar…

A Globo cortou o áudio do estádio em um jogo do Brasil, quando o público cantava o que não interessava a ela.

Desta vez, segundo um colega do Diego, o alvo não era Galvão Bueno, mas sim o governador de Minas Gerais, Aécio Neves.

A indigência no Brasil

O Diego escreveu um trabalho muito interessante na cadeira Métodos Quantitativos II de seu mestrado em Economia Aplicada pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Ele estudou a indigência no Brasil de 1976 a 2005.

Segundo o IPEA, indigente é o indivíduo que se encontra abaixo da linha de extrema pobreza, ou seja, renda inferior à condição de satisfazer as mínimas necessidades nutricionais. Uma das constatações mais interessantes do trabalho dele é que o índice de indigência depende muito mais da distribuição de renda do que do crescimento econômico. O que corrobora a idéia de que a pobreza é relativa: no Brasil existem muitos pobres porque a riqueza é muito concentrada.

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Baita texto

Não é longo, e sim, ótimo. Do Diego, lá no Blog do Rodrigues, sobre a decisão do STF de aprovar as pesquisas com células-tronco embrionárias.

E amanhã, espero, o Cão voltará à sua “programação normal”… Antes disso, o máximo que faço é recomendar boas leituras.

Censura e patetices da mídia

O Diego escreveu no Blog do Rodrigues sobre o caso do documentário “Manda Bala”. O diretor Jason Kohn, de apenas 24 anos, nasceu nos Estados Unidos mas é filho de pai brasileiro. O filme retrata o Brasil como um país caótico, e citando diversos casos de corrupção – como o “escândalo das rãs” de Jader Barbalho. A película está impedida de ser exibida no país, por conta de ameaças de processos por parte dos envolvidos.

Como o Diego disse, poderemos até questionar o conteúdo de “Manda Bala”, mas em hipótese alguma devemos aceitar que ele seja proibido no país só porque desagrada a algumas pessoas – talvez por mostrar algumas verdades que elas gostariam de esconder. Aliás, se o filme fosse tão “mentiroso” assim, não haveria motivos para temores: como diz aquele velho ditado, “quem não deve, não teme”.

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Ontem à tarde, chegou a ser patética a postura do Lasier Martins no programa dele na Rádio Gaúcha.

Como acredito que todos saibam (pelo menos no Rio Grande do Sul), Ariosto Culau, ex-Secretário de Planejamento do Estado, foi demitido após ter sido flagrado tomando um chope com Lair Ferst, um dos principais envolvidos no escândalo do DETRAN-RS. A “rainha das pantalhas” Yeda Crusius não queria demiti-lo, mas a pressão da base aliada sobre a (des)governadora levou à saída do secretário.

Pois bem: Lasier Martins “pôs a Rádio Gaúcha à disposição de Culau para ele prestar esclarecimentos à sociedade gaúcha”. Foi incrível a babação de ovo: para Lasier, obviamente Culau seria inocente e precisava falar e provar que nada tinha a ver com o escândalo do DETRAN-RS.

Mas em 2001, durante a CPI da “Segurança Pública” – que foi na verdade um palanque da oposição contra o governo Olívio, com toda a cobertura (favorável) da mídia -, até prova em contrário, todos os envolvidos eram considerados culpados por Lasier & Cia…

Diante disso, não custa nada lembrar mais uma vez daquele dia:

Revendo conceitos

Em agosto do ano passado, escrevi um post explicando os motivos pelos quais eu não sinto vontade de deixar o Rio Grande do Sul para fazer um mestrado no Rio de Janeiro – onde se localizam duas das universidades mais bem conceituadas na área de História, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Universidade Federal Fluminense (UFF).

Bom, ainda continuo não muito disposto a fazer isto, basicamente pelos mesmos motivos: clima – tenho excessiva produção de suor, o que me faz literalmente tomar banhos quando caminho pelas ruas nos dias de verão, mas pelo menos o calor aqui em Porto Alegre não dura o ano inteiro – e não ter como prioridade a carreira acadêmica, pois não quero publicar mil e um artigos em revistas acadêmicas que serão lidas só pelos meus pares, e sim escrever para despertar o interesse pela História em quem não está na faculdade de História (este é um projeto que penso em concretizar logo). E isto eu posso fazer aqui.

Mas, muita coisa que eu pensava, mandei para a “lata do lixo”. Não são sobre o Rio de Janeiro e sim, do Rio Grande do Sul.

Sobre a cerveja, eu já havia reconhecido naquele post de agosto: a Polar é muito boa, mas não é melhor que a Bohemia. Os marqueteiros que produziram as campanhas publicitárias da Polar souberam explorar o forte sentimento regionalista dos gaúchos para vender um produto que nem é mais “daqui”: a cervejaria Polar foi comprada – há muito tempo – pela AmBev.

Reflexo de nosso regionalismo, de nosso “provincianismo” até. Temos tendência a desvalorizar tudo o que “não é daqui”.

E tal preconceito é forte até mesmo entre a esquerda: em 2006 eu votei no Olívio porque achava que ele, um político identificado com os trabalhadores, seria muito melhor governador do que a Yeda, que formou um dos governos mais bizarros da história gaúcha – como exemplo cito o fato da Secretária de Cultura (filha de um dos mais ardorosos defensores da Ditadura Militar) ter sido candidata ao Senado defendendo a bandeira da segurança pública. Mas vi muita gente que sempre defendeu ideais de esquerda dizer que não se devia votar na Yeda simplesmente porque “ela é paulista”. Ou seja, se a pessoa nasceu em outro Estado não tem o direito de governar o Rio Grande do Sul, mesmo que fixe raízes aqui?

Já o Rio de Janeiro foi governado duas vezes por um gaúcho (Leonel Brizola) que, aliás, acabou indo morar lá definitivamente – só voltou a “fixar residência” no Rio Grande do Sul depois de morto. Segundo uma amiga nascida lá, quando Brizola se candidatou ao governo do Rio os adversários não tentavam desqualificá-lo porque era gaúcho.

Bom, poderá usar-se o argumento de que o Rio foi capital federal e, assim, é mais aberto ao resto do Brasil. Mas provavelmente nenhum Estado seja tão fechado culturalmente quanto o Rio Grande do Sul.

Querem uma prova disso? O Carnaval. Tem gente que não é muito de pular Carnaval (é o meu caso), mas a classe média em geral vai a “bailes de Carnaval”. Pois bem: vão às festas de sua classe, mas não querem saber do Carnaval popular, no caso os desfiles de escolas de samba. Aliás, tem gente que adora dizer “o Carnaval de Porto Alegre é ruim” não com o sentido de “tem que melhorar!”, e sim, de “isso não tem que ter aqui”.

Lembram de como a mídia batia no fato de que depois dos desfiles de Carnaval muitas vezes acontecia das escolas deixarem carros alegóricos abandonados nas ruas, “sujando a cidade”? Pois bem: e quando que reclamaram de, depois dos desfiles de 20 de setembro, as ruas ficarem sujas de bosta dos cavalos que desfilaram? Nunca!

Além disso, argumentavam que era preciso “interromper o trânsito” para realizar o Carnaval (e isso não acontece para o 20 de setembro?) e assim justificavam a necessidade de Porto Alegre ter um sambódromo. Mas no Centro e em bairros próximos, nem pensar: a classe média se levantava toda contra a idéia, “ia ser muita bagunça”. Isso que já se dizia que seria uma “pista de eventos”, não só um sambódromo, e que assim outros desfiles – como o 20 de setembro – poderiam acontecer lá.

Mas, o que aconteceu? Construiu-se a “pista de eventos” bem longe do Centro, dificultando o acesso a quem não mora próximo ao local. E assim, mandou-se o Carnaval, “essa coisa de pobre” como muitos reaças pensam, para um local afastado da classe média, enquanto os desfiles de 20 de setembro seguem acontecendo perto do Centro.

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Claro que não acho que o Rio Grande do Sul seja um lugar cheio de defeitos e o Rio de Janeiro cheio de qualidades – até porque não conheço o Rio e fica difícil falar a respeito de lá. Todos os lugares tem suas coisas boas e ruins. O Rio Grande do Sul, por exemplo, tem de bom o inverno (pelo menos na minha opinião), o chimarrão – que não é “tradição gaudéria” porra nenhuma, é de origem guarani -, o Grêmio (é óbvio!) e muitas outras qualidades.

Leia mais sobre o Rio de Janeiro onde escrevem pessoas que conhecem a cidade: no Palanque do Blackão, do Hélio Paz (que está em férias no Rio) e no Blog do Rodrigues – o Diego, mestrando em Economia pela UFJF, passou cinco dias no Rio de Janeiro antes de ir para Juiz de Fora.

Ótimo comentário

Ontem recomendei a leitura de um artigo da Red Voltaire sobre o fascismo em ascensão nos Estados Unidos. Hoje transcrevo o comentário à postagem feito pelo Diego, que também vale a pena ler.

Rodrigo;

Muitas das ações tomadas pelo governo dos EUA contra os direitos civis – talvez o maior patrimônio da sociedade norte-americana – têm ocorrido em nome da luta contra o terrorismo. Ou seja, para combater o terrorismo, muitas das liberdades individuais têm sido afetadas.

Acho que isso tem ocorrido também no Brasil, com a questão da violência. Em nome do combate a ela, a sociedade tem exigido ações que extrapolam as liberdades das pessoas e agridem os direitos humanos. Trata-se das intervenções das forças armadas em favelas, da tal Força Nacional atuando dentro de unidades da federação, das propostas de redução da idade penal, da pena de morte, e dos “capitães nascimento” aplaudidos dentro dentro de salas de cinema. Sem falar que, cada vez mais, candidatos têm se apresentado em eleições com propostas que beiram o fascismo, em nome do combate à violência.

É algo com que temos que ficar atentos.

Abraços Tricolores.