Como NÃO montar uma tabela de campeonato

Em novembro, comentei sobre a maluca ideia da FGF na época, de levar o Gre-Nal do primeiro turno do Gauchão para Boston, nos Estados Unidos. Felizmente a maluquice foi deixada de lado, e o clássico aconteceu no Estádio Olímpico Monumental, no último dia 5 (deixemos o resultado para lá, por favor).

Mas isso não quer dizer que a tabela do Gauchão tenha ficado uma beleza. Basta olhar para a última rodada deste primeiro turno, marcada para amanhã, para perceber a estupidez.

Primeiro pelo fato dela prever dois jogos envolvendo a dupla Gre-Nal em Forno Alegre, no mesmo horário (como manda o bom-senso em rodadas decisivas). O Inter joga contra o Pelotas no Beira-Rio, enquanto o Grêmio enfrenta o São José no Passo d’Areia. Embora a distância entre os dois estádios seja bem maior do que aquela que separa Olímpico e Beira-Rio, não deixa de ser absurdo marcar dois jogos da dupla Gre-Nal para o mesmo horário na mesma fornalha cidade. Ainda mais em um sábado de Carnaval: para que a Brigada Militar possa policiar os dois estádios onde a bola rola amanhã, mais o Sambódromo, foi necessário antecipar as partidas, originalmente previstas para as 17h.

O resultado é o horário para o qual estão marcados os jogos de amanhã: 16h20min. Pelo horário de verão… Ou seja, será 15h20min pelo sol. E está prevista temperatura máxima de 39°C para amanhã em Forno Alegre.

(Não que realizar os jogos às 17h fosse melhorar muito as coisas: foi antes de um jogo neste horário que o comentarista Batista desmaiou em 2010, quando a temperatura superou os 40°C. O ideal seria que as partidas ocorressem à noite, mas aí teríamos o problema relativo ao policiamento. Sem contar os interesses da televisão…)

Agora somem a isso o ingresso caro, o feriadão de Carnaval, e temos uma maneira perfeita de espantar o público dos estádios. E depois há quem reclame que o Gauchão “não é valorizado”; mas também, como valorizar um campeonato com esta “organização”?

Anúncios

Destino traçado?

A previsão para quinta-feira (2 de fevereiro) em Porto Alegre é de muito calor. A temperatura poderá se aproximar dos 40°C.

Quinta-feira tem jogo do Grêmio, no Olímpico. É às 19h30min, menos quente que às 17h (como foi naquele 3 de fevereiro de 2010), mas ainda terá sol e, portanto, será com bastante calor.

O adversário do Grêmio na quinta é o São Luiz de Ijuí… Igual ao 3 de fevereiro de 2010.

Já era, Batista: teu destino está quase traçado. Vai descansar, fazer qualquer coisa que não seja comentar jogo de futebol no fim da tarde de quinta, a não ser que estejas a fim de novamente virar destaque internacional por conta de uma situação que pode ser engraçada para quem vê pela televisão, mas certamente não é boa para quem passa por ela.

Faltam 178 dias para o outono

Pois é… Agora é fazer contagem regressiva para o retorno da melhor época do ano. Na qual a noite dura mais que o dia e o Sol não é meu inimigo. Pesquisas dizem que “o inverno deprime”¹ devido à falta de luz solar (ainda mais combinada com chuva), mas não lhes dou a mínima credibilidade: acho dias chuvosos um saco, mas existe o guarda-chuva para evitar que eu me molhe todo; em compensação, ainda não inventaram um “guarda-suor” para usar naqueles terríveis dias de verão em Porto Alegre – que não por acaso vira “Forno Alegre” nos meses mais quentes.

E por falar em chuva, o inverno que acabou na madrugada da sexta-feira foi uma verdadeira “prova de fogo” (ou melhor, de “água”), pois choveu uma barbaridade. Mas sigo firme, preferindo usar guarda-chuva a suar feito Ted Strike (personagem de Robert Hays que aterrissa o avião, encharcado de suor, em “Apertem os cintos, o piloto sumiu!”). E quanto ao fato de ter pego três² resfriados (sendo que o segundo deles resultou numa otite média), uma gripe e uma amigdalite no período de maio a setembro, não culpo o inverno: quem me mandou não tomar os cuidados necessários?

Exato: mudar de ideia, para mim, não é como trocar de roupa. Alguns chamarão isso de “teimosia” (pode até ser), mas prefiro ver como “opinião firme”. Que não é imune a mudanças, é claro.

Porém, morando em Porto Alegre, onde no verão faz bem mais de 30°C em conjunto com índices de umidade do ar superiores a 500%, e sem possibilidade de se refrescar no Guaíba, vejo a dicotomia inverno x verão como a rivalidade Gre-Nal: eu mudar de “opinião climática” seria como mudar de time! Ainda mais que o inverno porto-alegrense não é um transtorno: a neve é raríssima, e quando cai, é escassa; já no Canadá ou na Sibéria, o acúmulo não se mede em centímetros, e sim em metros – isso sim é um incômodo. E quanto ao sofrimento que o inverno representa para os mais pobres, não nego de forma alguma, mas acho interessante lembrar que na Escandinávia faz muito mais frio que aqui, só que lá isso não é uma tragédia social, justamente porque naqueles países a desigualdade não é absurda como no Brasil.

Mas uma coisa não muda de jeito nenhum: minha preferência pela luz solar mais fraca, que não torra minha pele (e nem adianta passar protetor, eu suo tudo!). Além do fato de adorar a noite: o nome do blog e a Lua no cabeçalho não são obras do acaso.

Então, contemos: faltam 178 dias para o outono. Tentando pensar positivo (sei que fica bem difícil quando “esquecem aberta a porta do forno”), pois a cada dia que passa o número fica menor. E logo chegaremos ao sonhado 20 de março de 2012, melhor dia do ano que vem.

————

¹ Por falar em “depressão”, o leitor reparou que a palavra rima com “verão”?

² O terceiro resfriado começou na noite da quinta-feira, a última do inverno, e agora avança primavera adentro… Culpa dela? Óbvio que não: a culpa é minha!

Continuo sem a menor saudade do verão

Afinal, como comentei em 7 de julho, não tenho memória curta… E o Batista também não está com saudade, heinhÔ?

Sem contar que, depois do cachorro, existe algum bicho mais simpático que o pinguim? Assim como o vinho, ele não combina com aquele calorão infernal que faz em Forno Alegre no verão.

Não estou com a mínima saudade do verão

A “moda” entre os gaúchos nas redes sociais (Twitter, Facebook etc.), no momento, é reclamar do frio intenso que vem atingindo o sul do Brasil nos últimos dias. Além de torcer para que o verão chegue logo.

Não tenho achado nada fácil sair do banho, levantar da cama e, principalmente, “passar um fax” com todo esse frio. E sei que tem muita gente dormindo nas ruas, quase congelando – só que, sempre gosto de lembrar, isso não é culpa do inverno.

Ainda assim, não estou com a mínima saudade do verão, que me causa um desconforto imensamente maior que o frio dos últimos dias. Banhos de suor, gasto excessivo de energia com ventilador e/ou ar condicionado (sem isso é impossível dormir), sol inclemente… Aliás, cientista que afirma ser a falta de luz solar uma causa de depressão, só pode ser vendido para a indústria do verão*, ou desprezar as exceções à regra (será que realmente são exceções?). Afinal, me sinto mais atraído pela noite (tanto que a Lua tá lá no cabeçalho do blog) do que pelo dia.

E, pior ainda, é gente incoerente. Agora, reclama do frio e pede verão, mas quando ele chega, se queixa do calor… Quem não aguenta mais o inverno, mas não reclama do verão mesmo nos dias mais tórridos, tem todo o meu respeito (apesar da minha discordância climática). Agora, para os de memória curta que torcem para o verão chegar logo mas dentro de alguns meses estarão reclamando do calor, recomendo o vídeo abaixo:

Sim, dias como 3 de fevereiro de 2010 são exceção (afinal, o Batista não desmaia em todos os jogos que comenta durante o verão). Mas essa cena é muito simbólica do que é aquela época em Forno Alegre…

————

* A propaganda (enganosa) só fala em sol, mas o verão me lembra mesmo é chuvaradas, como aquelas que causaram várias tragédias no Rio de Janeiro (mas reconheço que a culpa não é do clima).

————————

Atualização (07/07/2011, 23:29). Domingo tem jogo do Grêmio, e deve fazer um calorão em Porto Alegre, acima de 20°C! Batista que se cuide, caso ele seja escalado para comentar a partida…

Grêmio, o time dos extremos

30 de maio de 1979. No Estádio da Montanha, em Bento Gonçalves, se enfrentaram Esportivo e Grêmio. Um jogo de Gauchão que ficou no 0 a 0 não teria motivo algum para ser histórico, certo?

Errado! Pois naquela noite se jogou com neve e temperatura de 0°C. O Grêmio não foi o único (e nem mesmo o primeiro) grande clube brasileiro a disputar uma partida nestas condições (em 1976, o Cruzeiro jogou na neve contra o Bayern de Munique, na Alemanha, pelo Mundial Interclubes), mas provavelmente foi o primeiro (e único?) a enfrentar tal situação dentro do Brasil.

No dia 3 de fevereiro de 2010, novamente um jogo do Grêmio pelo Gauchão, que poderia ter caído no esquecimento, acabou se tornando histórico por razões climáticas: dessa vez, foi por causa do calor. Aquela quarta-feira foi um dos dias mais quentes da história de Porto Alegre: a temperatura máxima oficial foi de 38,1°C, registrada na estação do INMET no Jardim Botânico. Mas no bairro Menino Deus, chegou a 41,3°C.

A estação que registrou os 41,3°C fica próxima ao Estádio Olímpico, onde naquela tarde Grêmio e São Luiz se enfrentaram, no cumprimento de uma das tabelas mais absurdas já feitas para um campeonato: jogo às 17h de uma quarta-feira, dia útil… O calorão foi apenas um elemento a mais para ressaltar a estupidez.

A partida foi assistida por 4.746 torcedores (dentre eles, não estava eu) e acabou empatada em 1 a 1, mas isso é o de menos, pois o que ficou para a história é que o Grêmio, quase 31 anos depois de jogar na neve, enfrentou um calor de 41°C. Temperatura que fez o comentarista Batista desmaiar ao vivo na TVCOM antes da bola rolar (não se engane com os 37°C que aparecem no vídeo, pois esse “frio” é o que fazia no Morro Santa Teresa, onde fica a emissora).

Agora, se esse foi o maior calor enfrentado por um grande clube brasileiro, eu não sei. Considerando que há várias cidades no Brasil onde já se registraram temperaturas superiores a 41,3°C, é provável que não pertença ao Grêmio tal marca.

Depois do absurdo que foi a realização de tal partida nestas condições, uma liminar da Justiça do Trabalho determinou que os jogos do Gauchão só poderiam começar se não fizesse mais de 35°C, para preservar a saúde dos jogadores. Mas não foi o que se viu na última rodada do primeiro turno, realizada no sábado de Carnaval (13 de fevereiro): dez minutos antes de Grêmio x São José, o árbitro Carlos Simon afirmou ter medido 32,5°C no gramado do Estádio Olímpico (tirou o termômetro da geladeira antes???), quando logicamente a temperatura era superior a 35°C. Bom para a televisão, que pôde transmitir a partida no horário (16h) que havia anunciado… Mas péssimo para os atletas: ao menos três jogadores passaram mal nos jogos daquela tarde.

Estádio Olímpico, 41,3°C

No momento em que posto, Grêmio e São Luiz de Ijuí acabam de empatar em 1 a 1 no Estádio Olímpico. É, eu não estava lá!

Porra, que estupidez! Jogo às 17h, num dos dias mais quentes já registrados em Porto Alegre – a temperatura chegou hoje a 41,3°C no bairro Menino Deus, próximo ao Olímpico: é de lascar! Mais do que calor, isso é febre!

Devido à elevadíssima temperatura, o comentarista Batista desmaiou ao vivo na TVCOM, antes do jogo.

Já critiquei a realização de partidas às 19h30min de domingo, mas com este calorão de hoje, confesso, acharia ótimo. Porém, é bizarrice maior fazer jogo às 17h num dia útil – o calor é apenas algo a mais.

Aí, no Campeonato Brasileiro, teremos partidas às 18h30min, durante o inverno… Eu gosto de frio, fui a jogos quando a temperatura estava em torno de 5°C, mas sei que muita gente acaba deixando de ir ao estádio quando a temperatura está muito baixa.

É só por causa da televisão que fazem jogo em horários absurdos? Pois eu gostaria de saber qual o atrativo de uma partida do Campeonato Gaúcho às 11h da manhã! Sim, há algumas oportunidades em que os jogadores trocam o almoço de domingo pelo gramado. Para serem assistidos por pouca gente, seja no estádio ou na televisão: na mesma hora, pode-se assistir a algum jogo do Campeonato Italiano – quem o trocaria pelo Gauchão?

Rio Grande do Sul: só sofre preconceito?

São correntes no Rio Grande do Sul as queixas quanto a um suposto preconceito contra o Estado em outras partes do país. Que servem de pretexto para micromovimentos separatistas ou para calorosas declarações quanto à brasilidade do Rio Grande, que seria negada por “aqueles paulistas e cariocas”.

Pois bem: então, o que justifica a matéria publicada quarta-feira na página da Zero Hora, cujo título era “Paulistas duvidam do Inter“? Pois como bem falou o imparcial Valter, nem só os paulistas duvidam do Inter: ele mesmo, que é colorado, duvida. E mais: a matéria tratava sobre a opinião de dez comentaristas de todo o país (sem citar os nomes, exceto do Batista), não apenas de São Paulo. E nenhum deles apostou no Inter.

Se isso não é preconceito também, então não sei o que é.

Sobre interesses comerciais

As transmissões do Gauchão 2009 têm primado por uma pérola – além das tradicionais do Paulo Brito, “heinhÔ Batista?” e “Futebol Clube Santa Cruz” (nunca vemos o Brito chamar Grêmio ou Inter por seu nome completo, só o Santa Cruz – deve ser implicância pelo clube ter o mesmo nome da cidade, já que ele torce para o rival Avenida).

De repente, um clube cujo nome é Sport Club Ulbra (heinhÔ Batista?) passou a ser chamado de “Canoas” nas transmissões e nos programas esportivos da RBS. Sendo que a cidade já tem um clube chamado Canoas Futebol Clube. No ano passado, já vinham chamando o time de “Ulbra-Canoas” – até entenderia bem em programas transmitidos para todo o Brasil, pois há também um Sport Club Ulbra em Ji-Paraná, Rondônia.

E não adiantou a direção do clube de Canoas divulgar uma nota oficial criticando a denominação da RBS e reafirmando que se chama Sport Club Ulbra. Os programas da emissora, assim como as transmissões dos jogos, continuam falando no “Canoas”.

E o pior é que o negócio pode ficar ainda mais esdrúxulo. Por exemplo, caso o Quilmes, da Argentina, venha a enfrentar algum time brasileiro em uma Libertadores ou Sul-Americana, qual será o nome que a Globo lhe dará? Pelo que li no Impedimento, parece ser determinação da emissora (e como a RBS é repetidora da Globo…) chamar times que têm nomes de “empresas” (Ulbra, em tese, é uma universidade, não empresa) pelo nome das cidades onde se situam. Só que o Quilmes fica em… Quilmes! A famosa cervejaria argentina e o clube devem seus nomes à cidade.

FEITO! O Gauchão 2009 começou…

Não são jogaços, não dão muita renda para a dupla Gre-Nal. E ainda por cima, em 2009 começa sob a tristeza provocada pela tragédia com o Brasil de Pelotas – talvez o único clube do interior do Estado que jogue sempre com o estádio lotado, seja qual for o adversário.

Mas não dá para negar que é possível se divertir com o Gauchão. Principalmente ao assisti-lo pela televisão, graças à algumas frases impagáveis do principal narrador da RBS, Paulo Brito. HEINHÔ BATISTA!

Brito não narra só jogos do Gauchão, também trabalha em alguns jogos da dupla Gre-Nal no Brasileirão, apresenta o bloco de esportes do “Jornal do Almoço” e o bloco gaúcho do “Globo Esporte”.

Bom, então relembremos algumas pérolas (registradas no YouTube) do grande Paulo Brito:

A volta de Eduardo Martini

No “Jornal do Almoço” de 3 de dezembro de 2007, Paulo Brito falava sobre o empate do Grêmio com o Corinthians em 1 a 1, na véspera, resultado que rebaixou o time paulista. Eis que em um lance de ataque do Corinthians, o nosso mestre fala em defesa do goleiro do Grêmio… Eduardo Martini!

Vale lembrar que Eduardo Martini deixou o Grêmio no final de 2003. O goleiro na última rodada de 2007 era Marcelo Grohe.

1978, Copa Sexual

Durante a partida Chapecoense x Inter, pela Copa do Brasil de 2008, (Heinhô) Batista falava sobre o período de treinamentos da Seleção Brasileira na Granja Comary para a Copa do Mundo de 1978. Então Paulo Brito larga essa: “Estavam transando (!)… Treinando na Granja Comary para a Copa do Mundo de 78”.

Feito! A bola não entrou…

Essa, a maior de todas, aconteceu no dia 20 de julho de 2008, no jogo Náutico x Inter, pelo Campeonato Brasileiro. Sabe-se lá como Paulo Brito achou que aquela bola ia entrando…