Copa do Mundo em Porto Alegre: o que deveria ser discutido

Charge do Kayser

Detesto novelas. E essa da “parceria” do Inter para reformar o Beira-Rio (quem tem um parceiro desses, precisa de inimigos?) está chata demais. Já encheu o saco.

Para mim, tanto faz a Copa do Mundo de 2014 ser jogada no Beira-Rio ou na Arena do Grêmio – só não quero que vá dinheiro público para estádio. O importante eram as melhorias na infraestrutura urbana que depois seriam “o legado da Copa”. Porém, a cidade será apenas “maquiada”. Pois certos problemas Porto Alegre continuará a ter.

Tipo, como se deslocar pela cidade sem ficar preso em congestionamento, e sem correr risco de levar um banho de um motorista sacana. Aí embaixo está uma minúscula amostra das consequências do temporal que atingiu Porto Alegre no final da tarde desta quarta-feira. (Aliás, não esqueçamos que a Copa será disputada no inverno, época em que costuma chover mais por aqui…)

E isso sem contar problemas ainda mais graves, como o caos na saúde. Será que o povo realmente acha a Copa mais importante do que um bom atendimento nos hospitais e postos de saúde?

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Pedra cantada

Charge do Kayser

Lembremos as palavras de Cezar Busatto a Paulo Afonso Feijó, em 2008:

A camisa que eu gostaria de ter

Uma camisa do Grêmio que eu gostaria muito de ter mas não comprei (se arrependimento matasse…), é o modelo que o time vestia na final da Copa do Brasil de 2001 – última grande conquista do Tricolor. E não é só por isso.

Aquele modelo, fabricado pela Kappa, não tinha nenhum anúncio publicitário. Nenhum! Exceto, claro, o logotipo da Kappa, mas não ocupava boa parte da camisa.

No início de 2001, o contrato do Grêmio (e também do Inter) com a General Motors expirou e não foi renovado, e em consequência disso os dois clubes ficaram sem patrocinador por um tempo. Foi com a camisa sem propaganda que o Grêmio conquistou o estadual e, duas semanas depois, a Copa do Brasil, jogando um belíssimo futebol. No segundo semestre, a dupla Gre-Nal assinou contrato de patrocínio com o Banrisul, e acabou-se a camisa sem publicidade.

Eduardo Galeano, em um genial texto sobre os anúncios publicitários nas camisas, definiu o jogador de futebol na atualidade como “um anúncio que joga” – o que explica as proibições das comemorações mostrando camisas personalizadas (independentemente de serem mensagens religiosas ou pacifistas): não se pode deixar de mostrar a marca do patrocinador na hora de comemorar o gol.

Me dei o direito de complementar a definição de Eduardo Galeano: o torcedor, em sua maioria, é um “anúncio que torce”. Afinal, ao comprarmos a camisa de nosso time, não mostramos apenas o orgulho que sentimos por torcer para ele: somos também obrigados a anunciar algum produto, alguma marca.

Talvez isso explique o motivo pelo qual camisas “retrô” – modelos que imitam as utilizadas no passado – fazem sucesso: a única marca que aparece é a do fornecedor esportivo, mas sem ocupar um grande espaço na camisa.

Porém, agora uma torcida terá o direito de “fazer propaganda” apenas de sua paixão: a do Racing. E mais: o clube argentino não está sem patrocinador, é que este, o Banco Hipotecario, decidiu não estampar sua marca na camisa do time, e sim, explorar outros espaços para publicidade, como mostra a postagem no Impedimento.

Quem sabe um dia esta ótima ideia chegue ao Brasil, e eu possa anunciar apenas a minha paixão pelo Grêmio, nada mais. Mas, claro, tomara que a fornecedora de material esportivo não “invente” bizarrices para estragar o manto sagrado

Solidariedade a Milton Ribeiro

Mais um processo contra blogueiro. Prova de que essa mídia sem credibilidade realmente incomoda.

Li no blog do Milton Ribeiro que ele está sendo processado por Leticia Wierzchowski, autora de A casa das sete mulheres (que virou minissérie na Globo, e não por acaso a mais adorada pelos bovinóides, já que fala sobre a “Revolução” Farroupilha). A ação por “danos morais” deve-se a um post no blog dele, publicado em 11 de fevereiro deste ano.

Não é o primeiro caso de processo movido a partir de posts em um blog. O pessoal d’A Nova Corja que o diga, com três: Banrisul, Políbio Braga e Felipe Vieira. Ainda no Rio Grande do Sul, temos também o caso do professor Wladimir Ungaretti, proibido por ordem judicial de se manifestar a respeito do “fotojornalismo” da Zero Hora.

E é impressionante qualquer coisinha acaba em processo. Afinal, tudo se resume a intimidar com base no poder econômico. Mesmo que por motivos ridículos.

Processar alguém por besteira, a meu ver serve para dar ainda mais razão ao processado, e o efeito pode ser o inverso ao desejado – ou seja, a exigência de reparação ao “dano moral” apenas serve para deixar o processante realmente “mal na foto”.

Pois, no caso da Leticia Wierzchowski, nunca li um livro dela – e por isso me abstenho de criticá-los. Mas com este ridículo processo contra o Milton Ribeiro, a autora ganhou tanta antipatia de minha parte que jamais pretendo ler qualquer coisa escrita por ela. Nem sequer para fazer críticas. E ainda recomendo o mesmo a todos os meus amigos, leitores e amigos-leitores.

Processos? Tem mais…

Não é só o Wladimir Ungaretti que tentam impedir de falar.

O blog de Política A Nova Corja, que trata do assunto de uma maneira bastante irreverente e bem-humorada, já tem uma certa “coleção” de processos. No final de junho do ano passado, Políbio Braga decidiu processar Walter Valdevino (um dos autores e responsável pelo domínio do blog) devido a esse post. Isso depois de ameaçar Rodrigo Alvares (um dos autores do blog) dizendo que ia “achá-lo de qualquer jeito” – o que rendeu uma hilária série de posts sobre o suposto paradeiro de Alvares.

O mesmo post que motivou a ação de Políbio Braga também levou Felipe Vieira a processar A Nova Corja – desta vez o processo é contra todos os atuais integrantes do blog, mesmo os que não faziam parte da equipe em junho de 2008. Independente do resultado, é um tiro no pé de Vieira: eu nem lembrava que ele havia sido citado naquele texto. Aliás, as consideradas “injúrias” passariam batidas pela maioria esmagadora das pessoas, não fosse o processo…

Vale lembrar que o blog também sofre processo do Banrisul, que corre em segredo de justiça – ou seja, nada pode ser comentado a respeito do andamento do processo.

E em todos os casos, não vimos a “grande mídia” reclamar da “perseguição a jornalistas”.

Coincidência?

A coisa tá tão feia pra Yeda, que até a RBS tá noticiando tudo.

E olha só essa: na madrugada de sábado, houve tentativa de assalto a uma agência do Banrisul, situada a cerca de cem metros do Palácio Piratini