Estadão “abre o voto”

É uma pratica infelizmente muito rara na “grande mídia” brasileira: um jornal defender, em editorial, o voto em um determinado candidato.

Pois é exatamente o que faz o jornal O Estado de São Paulo, em seu editorial de amanhã (domingo). Enquanto outros jornais insistem em (tentar) enganar seu leitor com a balela da “imparcialidade”, o Estadão deixou bem claro: apoia José Serra para presidente na eleição do próximo dia 3.

Acho que o jornal poderia já ter declarado seu apoio a Serra com um pouco mais de antecedência, é verdade. A revista Carta Capital, por exemplo, “abriu o voto” para Dilma Rousseff logo no início da campanha. Não acredito que o Estadão estivesse “indeciso”, ainda mais que nunca escondeu que é um jornal conservador, de direita.

Mas ainda assim, sua postura merece aplausos, mesmo que eu discorde totalmente das ideias que ele defende. Trata-se de uma atitude que deveria ser seguida por outros veículos da “mídia impressa”, que insistem em não assumirem sua posição, mesmo que seja óbvio qual candidato apoiam.

Do “risco à liberdade de expressão”

A “grande mídia” está em polvorosa devido às declarações de Lula, de que ela tem partido e “será derrotada”. Dizem seus defensores que, com isso o presidente demonstra “não ter apreço à liberdade de expressão”.

O pavor dela se deve mesmo é ao fato de que cada vez menos gente leva a sério o que ela diz. Afinal, por mais que ela insista na balela da “imparcialidade”, é muito fácil perceber que ela faz oposição ao governo Lula. Se assumisse sua posição, poderia não ganhar em credibilidade (eu, por exemplo, não dou crédito às propagandas do PSDB), mas ao menos seria um pouco mais honesta (ou menos desonesta).

Ou seja, o que Lula disse é nada mais do que aquilo que muita gente já percebeu. Simplesmente não existe a tal da “imparcialidade”. Jornais, revistas, rádios, televisões, blogs, todos têm seu lado, sua posição. Seja na política, seja em outras questões, como o futebol: sempre há a reclamação de que as transmissões de jogos em rede nacional são tendenciosas, e de fato elas são, como prova irrefutável temos a final da Copa do Brasil de 2008.

Mas, a afirmação de que há ataques à liberdade de expressão no Brasil também não pode ser considerada uma mentira. Só é preciso mostrar onde e como estes ataques acontecem. Como no caso do injusto processo que sufoca o Jornal Já – sobre o qual a “grande mídia”, tão “imparcial” e preocupada com o “risco à liberdade de expressão”, não fala, por que será?

Esperança de honestidade

Segunda-feira, aconteceu em São Paulo aquele encontro que eu já havia divulgado, da “mídia livre e imparcial”. (E pelo visto, não chamaram o Professor Hariovaldo!)

Fiquei com uma esperança. Foi sugerido aos veículos de mídia (corporativa) que assumam publicamente a candidatura presidencial que apoiarão (a favor de José Serra ou contra a “stalinista” Dilma Rousseff de tudo que é jeito), medida à qual sou totalmente favorável. Desta forma, a “grande mídia” perderá totalmente sua aura de “neutra”, e o cidadão saberá que o jornal que lê (ou a rádio que ouve, ou a emissora de televisão que assiste) tem posição.

O leitor do Cão Uivador sabe que este espaço é gremista e de esquerda. Modéstia a parte, sou honesto com o leitor, pois não tento enganá-lo com a balela da imparcialidade. Bem diferente da “grande mídia”, que posa de imparcial e assim, implicitamente, constroi subjetividades que são claramente conservadoras, mas não perceptíveis por quem não pára um pouco para pensar.

  • Leia mais sobre o assunto e também sobre o lançamento da Altercom (Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores da Comunicação, ou simplesmente Associação da Outra Mídia) no Jornalismo B.