Os esquerdistas cegos

No dia 10 de dezembro, o Hélio Sassen Paz escreveu um ótimo post no Palanque do Blackão, sobre os atuais desafios da esquerda – inclusive recomendei a leitura. E lembrei que, quando ele citou os “esquerdistas cegos”, não tive como não pensar em muitos colegas lá da faculdade de História. São, literalmente, contra tudo e a favor de nada.

Mas este “esquerdismo” é mais “partidarista” do que ideológico. Em setembro, quando aconteceu o episódio do “baba-ovo” dos deputados de esquerda para a RBS, a Luciana Genro, do PSOL, estava incluída na turminha. Comentei sobre o assunto com uma colega que votou na Luciana ano passado, esperando que ela também ficasse indignada.

Mas, para minha surpresa negativa, ela defendeu a Luciana Genro e atacou a mim! Disse que eu era “reacionário” (!!!) demais, que a Luciana utilizava o meio – no caso, a mídia – para obter benefícios para o partido (sim, para o partido, não para uma idéia) e que a Luciana não estava errada, ou seja, que o Estado “se vê melhor” via RBS.

Não bastasse isso, lembrou que a Globo e a RBS, assim como o PSOL, atacavam o PT porque ele era um “símbolo” da corrupção (como se todos os petistas fossem corruptos), ou seja, literalmente era a favor da aliança do PSOL com a mídia corporativa. Nada diferente das alianças do PT com a direita, que deram origem ao PSOL.

Uma pena, pois apesar de não ter votado em nenhum candidato do PSOL em 2006, eu respeitava o partido.

Em quem não devemos mais votar

Eu tinha lido há alguns dias, e ficado com o compromisso de escrever aqui sobre isso. Deputados de esquerda babaram ovo para a RBS.

Elogiaram justamente a empresa que fez de tudo para derrubar Olívio Dutra – um dos raros políticos verdadeiramente de esquerda no Brasil – do governo do Rio Grande do Sul, entre 1999 e 2002.

Bajularam a empresa que criminaliza os movimentos sociais, que na dúvida sempre se alinha à direita, como fez durante a ditadura militar de 1964-1985.

Até a Luciana Genro está nessa turminha. Ela que em 2003 teve a dignidade de não fazer minuto de silêncio pela morte do Roberto Marinho, em 2007 bajulou a RBS.

Eu votei no Beto Albuquerque em 2006. E mandei um e-mail para ele, cobrando explicações.

País que tem uma esquerda assim, nem precisa de direita!

Mas não pensem que não entendo “nossos representantes”.

Hoje em dia, quem não “se midiatiza”, não existe politicamente – pelo menos, para eleger-se a algum cargo. Tanto que uma das figuras mais importantes de uma campanha política chama-se “marqueteiro”. Candidatos não são simplesmente disputantes de uma eleição, são como “produtos à venda”. E muitas vezes, a propaganda é enganosa.

O problema, é que não adianta procurar o PROCON depois de “comprar” um político estragado.

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