O “gol do tetra”

17 de julho de 1994, final da Copa do Mundo dos Estados Unidos. A maior parte do Brasil está em frente aos aparelhos de TV. Brasil e Itália, 24 anos depois de disputarem a “decisão do tri” no México, fazem a “decisão do tetra”.

O jogo se arrasta, modorrento, sem graça, em direção aos pênaltis. Os brasileiros não conseguem soltar o grito de gol com a bola rolando. Exceto pela minha tia Sílvia.

Estamos lá na casa da minha avó: meu pai, meu irmão, minha avó, a minha tia e eu, assistindo ao jogo na sala. Com o coração na boca. E a minha tia resolve ir ao banheiro.

Enquanto ela faz suas necessidades, o Brasil vai ao ataque. Começamos a gritar “chuta”, “vai”, “bate pro gol”. Fica tudo misturado, quem ouve não entende nada que dizemos, gritamos ao mesmo tempo. Mas a frase “chuta pro gol”, termina com o “gol” sendo dito depois de todos os outros fecharem a boca, lamentando o tento perdido. Foi quase!

Alguns segundos depois, a minha tia aparece na sala, de braços abertos, sorriso de orelha a orelha: “GOOOOOOOOOOL!”, grita ela.

É só ver nossos rostos sem nenhuma alegria e com muita incredulidade, que ela se senta e percebe que não foi gol. Mas pelo menos ela grita um gol na única final de Copa em que a bola só balançaria a rede na decisão por pênaltis.