O blog não acabou de novo

Sim, meio que “deixei de lado” o Cão nas últimas semanas. Mas não foi de propósito. Às vezes simplesmente me esqueço de vir aqui.

A verdade é que ao longo do mês de março – e também no começo de abril – pretendo ficar um pouco mais afastado não simplesmente do blog, como também das mídias sociais, devido à preparação para um concurso. Ainda que eu não tenha lá muita esperança de ficar bem classificado, também não dá para desistir.

Fato importante deste março que se inicia, porém, não deve ser esquecido. No final de setembro de 2015, embarquei em um ônibus à meia-noite em Ijuí, vindo às pressas para Porto Alegre, pois minha avó estava internada em estado grave no hospital. Temi não chegar a tempo de vê-la com vida.

Eis que quase dois anos e meio depois, podemos comemorar mais um aniversário dela. Tudo bem que com muitas limitações na comparação com cinco ou seis anos atrás. Mas o fato é que mais uma vez passo um 5 de março com ela – o único que passei longe foi justamente em 2015, por estar morando em Ijuí.

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Viver bastante vale a pena, seja por muito ou pouco tempo

O título parece uma frase sem sentido, mas não é. Viver bastante, não é a mesma coisa que viver por muito tempo.

Na última segunda-feira, 5 de março, minha avó Luciana completou 90 anos de idade. Mais que isso: 90 anos de vida. Pois ela nunca aceitou aquele papel que costuma ser designado aos idosos, o de apenas existirem. Faz comida (com especial preocupação voltada ao almoço de sábado, que é quando meu irmão e eu costumamos visitá-la), toma cerveja, lava louça, roupa, e até pouco tempo atrás, ia sozinha ao supermercado e ao banco – só não tem mais ido porque já levou dois tombos graças às “maravilhosas” calçadas de Porto Alegre, o que é muito perigoso para quem tem osteoporose.

A verdade é que existir não é igual a viver. Conheço idosos que são “úteis”, não no sentido de “trabalhar para fazer o sistema funcionar” (como pregam os defensores do status quo), e sim, de procurarem fazer alguma diferença, e assim serem importantes para as pessoas que conhecem – e muitas vezes, até para quem não conhecem.

Ao mesmo tempo conheço gente com menos idade que a minha avó, mas que só existe para se alimentar e assistirem televisão – e falo da programação de domingo da TV aberta; antes fossem os documentários do National Geographic ou do Discovery. Sinceramente, não consigo me imaginar vivendo assim: só de tentar, já me vem à cabeça a palavra “depressão”.

Não sei se viverei por tanto tempo, igual à minha avó (que deve ir ainda mais longe). Mas se eu chegar aos 90, quero que seja igual a ela: podendo fazer a maior parte das coisas que gosto. Mas, caso eu tenha muitas limitações, espero que não me impeçam de ler bastante.