Guaíba: rio ou lago?

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A propósito: vi gente afirmando que “Auguste de Saint-Hilaire dizia já em 1820 com todas as letras que o Guaíba era um lago”. Só que eu tenho uma edição do diário de viagem dele (“Viagem ao Rio Grande do Sul”), e pelo que li, ele não tinha certeza alguma. Aliás, na maioria das vezes ele se referia ao Guaíba como “rio”. E também afirmou, quando procurava definir se era rio, lago ou lagoa, que “lago é uma porção de água cercada de terra por todos os lados” – definição que eu aprendi no colégio (ou será que todos os meus professores de Geografia estavam errados?).

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Saint-Hilaire e o “veranico de maio”

O chamado “veranico de maio” não é fenômeno recente no clima gaúcho. O famoso viajante francês Auguste de Saint-Hilaire, que passou pelo Rio Grande do Sul nos anos de 1820 e 1821, fez anotações a respeito de costumes, vegetação, relevo e clima da então capitania de São Pedro do Rio Grande do Sul.

Chamou bastante a atenção do cronista a pouca proteção dos habitantes do Rio Grande contra o frio – o que seria “herança portuguesa”, visto que segundo Saint-Hilaire as estufas eram artigos de luxo em Lisboa – e também o chamado “veranico de maio” de 1821, que se seguiu a um abril extremamente chuvoso.

O trecho abaixo corresponde às notas de Saint-Hilaire do dia 4 de maio de 1821, quando ele se encontrava na então Vila de Rio Pardo:

Faço diariamente excursões, mas não encontro quase nenhuma flor; muitas árvores das matas já perderam suas folhas; as que ainda conservam são as de folhas duras, de um verde escuro e brilhante, tais como as mirtáceas. Desde que estou aqui, o tempo se mantém magnífico e asseguram-me que todos os anos, por esta época, há alguns dias de bom tempo. É o que se chama verãozinho de maio, veranico de maio.

Fonte: SAINT-HILAIRE, Auguste de. Viagem ao Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Martins Livreiro Editor, 2002, p. 363.