Teremos vaias para Guerreiro e Odone também?

Passado o desastroso resultado do Grêmio no sábado (não que a vitória servisse para alguma coisa neste já acabado 2011, mas era obrigação vencer o lanterna América-MG), todas as atenções se voltam para o jogo do próximo domingo no Estádio Olímpico, contra o Flamengo. Mais: contra Ronaldinho – isso se ele vier.

O blog Grêmio Libertador tem uma inteligente sugestão para o torcedor gremista que, por motivos óbvios, lotará o Estádio Olímpico no próximo domingo. O blog propõe uma manifestação pacífica com o uso de faixas, muito mais eficaz do que atirar moedas no ex-gremista, como os mais exaltados poderão querer fazer – atitude burra que pode resultar numa interdição do Monumental. Com o estádio tomado por faixas contra o “ídolo”, o Brasil todo poderá ver ao vivo pela televisão – a Globo não terá como esconder*.

Leitores do blog também fizeram uma bela sugestão de “homenagem” cantada – se bem que neste caso será mais para o próprio Ronaldinho, já que na televisão o som pode ser cortado, como já é tradição da Globo.

Obviamente vaiarei Ronaldinho – não apenas como gremista, mas também como cidadão. Aquele “leilão” que vimos no início do ano foi uma das maiores palhaçadas que já vi – inclusive já estava enojado antes mesmo do desfecho da “novela”. Ronaldinho e seu empresário-irmão simplesmente enrolaram os três clubes que brigavam pelo jogador – no caso, Grêmio, Palmeiras e Flamengo – em busca do contrato mais vantajoso. Leia-se: mais milionário. Pois Ronaldinho, coitado, estava muito pobre no começo de 2011…

Porém, não deixo de também achar que a vaia a Ronaldinho – que provavelmente será a mais ensurdecedora da história do Olímpico Monumental – poderá acabar servindo de “válvula de escape” para as frustrações dos gremistas nestes últimos 10 anos. Pois além dele, também deveriam ser vaiados o ex-presidente José Alberto Guerreiro e o atual mandatário gremista, Paulo Odone. Os dois têm grande parcela de culpa nas duas “traições” de Ronaldinho – e mesmo pelo declínio gremista nesta última década.

Em 2001, o jogador saiu sem render quase nada ao Grêmio graças à fanfarronice de Guerreiro: quando Ronaldinho despontou e começou a atrair propostas da Europa, em 1999, o então presidente decidiu “fazer média” com a torcida e mandou afixar na entrada do Olímpico uma faixa avisando que o Grêmio “não vendia craques”. Desta forma, o clube recusou propostas “irrecusáveis” pelo craque – dinheiro que, como vimos ao longo destes últimos 10 anos, fez muita falta aos cofres gremistas. E não bastasse isso, em 2000 contratou “medalhões” pagando salários absurdos, enquanto Ronaldinho, que fazia aquele time jogar, não ganhava nem metade do que recebia o “reserva de luxo” Astrada. Embora isso não faça a saída de Ronaldinho em 2001 ter sido menos “sacanagem”, também ajuda a entender melhor o que aconteceu.

Já no início de 2011, Odone tentou posar de “vítima” de mais uma sacanagem da dupla Assis e Ronaldinho. Porém, como o acontecido em 2001 indicava, não era admissível que o presidente do Grêmio tivesse total confiança neles – logo, tal discurso “vitimizador” não colou. E, de tanto o Grêmio perder tempo tentando contratar o jogador, acabou ficando não só sem ele, como também sem seu maior goleador em 2010, Jonas, que assim como Ronaldinho em 2001, saiu quase “de graça”, dois dias antes da estreia na Pré-Libertadores. Deu no que deu: eliminação nas oitavas-de-final da Libertadores, campanha pífia no Campeonato Brasileiro, e a exaltação a uma conquista que era nada mais do que obrigação de um clube como o Grêmio (mas pelo que Odone fala, parece ser o que de mais importante o Tricolor já ganhou).

Desta forma, vaiemos (e muito) Ronaldinho. Mas, por favor, jamais esqueçamos de Guerreiro e Odone. Do contrário, acharemos que “lavamos a alma”, e assim continuaremos nessa por pelo menos mais 10 anos.

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* Destaquei o “ao vivo” pois meu irmão descobriu algo inacreditável. No compacto do jogo Corinthians x Inter pelo Campeonato Brasileiro de 2005, simplesmente não aparece o lance capital da partida e do campeonato – ou seja, o pênalti não marcado sobre Tinga e o cartão amarelo ao colorado que, por já ter sido advertido antes, acabou expulso. Como gremista quero que o Inter se exploda, mas que isso se dê de maneira justa (como foi contra o Mazembe), e não com roubalheiras – e que não foram só naquele jogo.

Senhora hipocrisia

Nós, gremistas, estamos frustrados, até um pouco revoltados. Por quase um mês, acreditamos na possibilidade do retorno de Ronaldinho ao Grêmio. Mesmo os que mais o xingaram em 2001 estavam dispostos a dar uma segunda chance ao craque, para que ele se redimisse pelo erro de dez anos atrás.

No fim, ele não veio. Os motivos, foram os mesmos de 2001: dinheiro. Dez anos atrás, Ronaldinho foi embora praticamente de graça, depois de várias juras de amor ao Grêmio. Agora, dizia-se que a preferência dele era o Tricolor, mas o dinheiro falou mais alto, e só um cataclisma o impedirá de jogar pelo Flamengo.

Consumada a desistência do Grêmio, obviamente se multiplicaram as manifestações de repúdio ao jogador – sendo que “mercenário” é a palavra mais “carinhosa”. Justíssima crítica, pena que boa parte dos que a fazem não tenha moral alguma para chamarem alguém de “mercenário”.

Isso mesmo. Pois muitos destes “indignados de ocasião”, são daqueles que têm por objetivo de vida o mero “acumular e ostentar bens” (e para isso, é preciso dinheiro!). Ou seja, são aqueles indivíduos extremamente consumistas. A única diferença destes para Ronaldinho, talvez sejam as cifras.

Ou seja, vamos deixar de hipocrisia: se médio-classistas podem ostentar, por que um milionário como Ronaldinho não pode? Aceitemos isso, ou repensemos bem o que andamos fazendo e dizendo por aí – o que, aliás, acho melhor.

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Pelo que percebo, há uma tendência, igual a 2001, de vilanizar apenas Ronaldinho e seu empresário-irmão Assis. Tanto dez anos atrás como agora eles têm sua parcela de culpa, mas não podemos isentar a direção do Grêmio.

Em 2001 Ronaldinho “saiu de graça” porque o então presidente José Alberto Guerreiro recusou propostas “irrecusáveis” pelo craque – além, é claro, de desvalorizá-lo enquanto principal jogador do time, pagando salários astronômicos (mais que o dobro de Ronaldinho) a “reservas de luxo” como Amato, Astrada e Paulo Nunes. Agora, o próprio presidente Paulo Odone confessou que em nenhum momento conversou com o Milan – ou seja, com o clube que detinha os direitos sobre Ronaldinho! Diz Odone que teria sido orientação de Assis, mas será que o passado já não servira de lição?

E vamos combinar que, para vítima, Odone não serve. Não acredito que ele não soubesse das tais caixas de som no gramado do Olímpico, sexta-feira, a ponto de falar em “demitir o responsável”. Sinceramente, me parece que Odone fez de tudo para “sair bem na foto” – e conseguiu: se Ronaldinho viesse, o presidente seria glorificado por trazer o craque de volta; como ele não veio, Odone detonou Assis, e virou “defensor da dignidade do Grêmio”.

Vítima nisso tudo fomos nós, gremistas, iludidos por todo esse tempo.

Ronaldinho jamais será Renato

Confesso já estar com nojo desta negociação com Ronaldinho. Fosse eu o presidente do Grêmio, já tinha mandado ele e seu empresário-irmão irem pastar – e já que o negócio é mídia, teria convocado uma coletiva para dizer isso.

Como pessoa, gosto mais de Maradona do que de Pelé, mas ontem o Rei falou muito bem: “se o Ronaldinho ama o Grêmio, podia jogar lá de graça” – em 1974, Pelé abriu mão de receber salários do Santos, que enfrentava crise financeira.

Ora, Ronaldinho é milionário. MILIONÁRIO. Se tem algo que ele não precisa, é receber salário astronômico. Bastaria um acordo para que recebesse parte dos lucros decorrentes das vendas de produtos relacionados a ele, que ganharia muito… Por que essa novela toda?

Tudo isso só mostra que, mesmo que Ronaldinho venha para o Grêmio, não vai ter jeito: por mais que ele marque gols, faça jogadas de efeito… Nunca será um ídolo como Renato.

Pois Ronaldinho foi o melhor do mundo, ganhou muitos títulos. Mas tudo isso longe do Grêmio (onde conquistou só a Copa Sul e o Gauchão, em 1999). Renato foi campeão da América e do Mundo em 1983, jogando pelo Grêmio.

E mesmo que Ronaldinho acabe (se é que virá) conquistando a América e o Mundo pelo Grêmio em 2011 (aliás, boa lembrança: temos uma Libertadores pela frente, importante demais para ficarmos nessa porra de “leilão” por um jogador), jamais ocupará o lugar de quem é, por direito divino (neste caso, derivado de merecimento), o maior de todos no coração dos gremistas.

DÁ-LHE, RENATO!

“Novela” Ronaldinho: palhaçada

Há quase 20 dias, declarei ser favorável à contratação de Ronaldinho pelo Grêmio, sob certas condições. Dez anos depois de sua conturbada saída, o craque teria a oportunidade de reconquistar o coração da torcida gremista, ainda mais vindo por um salário que não seja elevado.

Porém, não é o que parece que acontecerá – seja qual for o seu destino. Como falei, são quase 20 dias de “novela”. Parecia que ele viria mesmo para o Grêmio. Aí se começou a falar que poderia ir para o Flamengo; e o Palmeiras também corria por fora. E no fim Ronaldinho, Assis (o “empresário-irmão” do craque) e Adriano Galliani (vice-presidente do Milan) decidiram convocar a entrevista coletiva da tarde de hoje, o que obviamente indicava algum anúncio importante.

O anúncio era simplesmente que ainda não havia a definição sobre qual clube brasileiro seria o destino de Ronaldinho… Mas para mim algo ficou óbvio com essa palhaçada: se as possibilidades são apenas Flamengo, Grêmio ou Palmeiras (já falaram que o Corinthians também teria feito uma proposta pelo jogador), quer dizer que de três clubes, dois estão sendo enrolados; e quem contratar Ronaldinho, não gastará pouco.

E uma coisa é certa: se depois de toda essa enrolação Ronaldinho não vier para o Grêmio, não duvidemos que ele simule lesões às vésperas de partidas em Porto Alegre, para escapar das vaias que inevitavelmente aconteceriam.

A possível volta de Ronaldinho ao Grêmio

Em 21 de dezembro de 2009, escrevi sobre uma ideia que era meramente especulação – o retorno de Ronaldinho ao Grêmio em 2011. E não é que isso pode se confirmar? (E, se realmente for confirmado, vou pedir meu registro profissional como VIDENTE, já que além dessa eu também acertei, domingo passado, que os últimos dias de Yeda no Piratini nos reservariam bizarrices.)

Também lembrei naquele texto do ano passado a maneira como se deu a saída de Ronaldinho, no início de 2001. Muitos torcedores não perdoam o craque por ter deixado o Grêmio “pela porta dos fundos”. Também achei “sacanagem” da parte dele (e de seu irmão e empresário, Assis). Mas não podemos esquecer que o maior culpado por aquilo se chama José Alberto Guerreiro, o presidente que mandou colocar uma faixa na entrada do Olímpico com os dizeres “Não vendemos craques”: ele praticamente deu Ronaldinho “de presente” ao Paris Saint-Germain, ao recusar propostas excelentes para “fazer média” com a torcida, e assim permitir que o jogador saísse praticamente de graça devido ao término de seu contrato.

Assim, não vou escrever muito sobre o assunto, considerando que já o fiz com um ano de antecipação. Apenas exprimirei minha opinião: se Ronaldinho estiver a fim de jogar (e terá de jogar mesmo, para reconquistar os corações mais resistentes a seu eventual retorno), e também se adequar à realidade brasileira (não podemos pagar salários astronômicos; sem contar que, se é para ele se reconciliar com o Grêmio, o ideal é que ele não se traduza em um rombo nos cofres tricolores), será muito bem-vindo. Não precisa ser o mesmo Ronaldinho que comia a bola no Barcelona: aquele de 1999 já me satisfaz.

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Ano passado eu já postei junto com o texto a enquete abaixo (assim, ninguém estranhe o fato dela não começar do zero):

Volta de Ronaldinho ao Grêmio?

Já se falou na mídia esportiva, faz algum tempo, sobre um possível retorno de Ronaldinho ao Grêmio – ideia defendida pelo Guga Türck em outubro de 2007. Tal fato se concretizaria em 2011.

Essa ideia, é óbvio, não é e jamais será unanimidade entre os gremistas, dada a maneira como se deu a saída de Ronaldinho, no início de 2001. O craque, que tantas vezes jurara “amor eterno” ao Grêmio, havia assinado em segredo um pré-contrato com o Paris Saint-Germain, para que pudesse deixar o Tricolor sem a necessidade dos franceses pagarem a multa rescisória do contrato, que estava por expirar. Poucos dias depois, entrava em vigor a Lei Pelé, que acabava com o “passe”, ou seja, Ronaldinho poderia acabar saindo de graça! No fim, o Grêmio recebeu uma merreca estipulada pela PIFA, a entidade que defende o dinheiro (principalmente dos europeus), não o futebol.

Em sua última partida disputada no Olímpico, Grêmio x Figueirense pela Copa Sul-Minas de 2001, Ronaldinho foi muito vaiado, marcou um golaço de falta mas mesmo assim as vaias continuaram, e ao deixar o gramado, levou uma chuva de moedas. Lembro que não o vaiei, apesar de estar furioso com o que estava acontecendo: ele vestia a camisa do Grêmio, e não iria vaiar um jogador do Grêmio.

Diferente do que aconteceu no último dia 12 de dezembro, no jogo de despedida do Danrlei: um dos que jogou foi Assis, irmão de Ronaldinho e seu empresário, que esteve por trás da negociação do craque com os franceses. Aí eu vaiei pra valer, assim como o Hélio Paz e mais milhares de gremistas presentes ao Olímpico.

Mas em conversa alguns dias depois, antes da gravação do Boteco Tricolor, o Guga Türck lembrou algo importante: e o ex-presidente José Alberto Guerreiro, não merece uma vaia também? Afinal, o dirigente foi extremamente incompetente para manter o craque – ou para fazer com que ele rendesse grana para o Grêmio. Quando Ronaldinho começou a chamar a atenção do mundo, em 1999, Guerreiro mandou colocar uma faixa na entrada do Olímpico com os dizeres “não vendemos craques”.

Promessa feita, promessa cumprida: deu Ronaldinho de presente aos franceses… O craque carregara nas costas não só o time horrível de 1999, como o “supertime” (uma bela piada!) da ISL de 2000, sem ganhar metade do salário astronômico que recebiam “medalhões” como Paulo Nunes (nem sombra do grande jogador que fora no Grêmio de 1995-1997), Astrada e Amato. Óbvio que Ronaldinho se sentiu desvalorizado: era o principal jogador do time, e ganhava pouco em comparação a “reservas de luxo”.

Isso não diminui o caráter de “sacanagem” do que ele fez. Ronaldinho poderia ter dito abertamente que tinha uma proposta para sair do Grêmio, e que pretendia fazê-lo por se sentir desvalorizado no clube mesmo sendo o principal jogador. Mas ainda assim, considero Guerreiro como o principal culpado pela forma como o craque deixou o Olímpico. Inclusive, para “fazer média” com a torcida, o então presidente recusou propostas excelentes: Ronaldinho poderia ter rendido uma bela grana ao Grêmio se saísse antes.

Se Ronaldinho voltar ao Grêmio e for o mesmo jogador que deitou e rolou no Barcelona até 2006, será um reforço e tanto para o Tricolor – só precisará vencer a resistência de muitos gremistas. Agora, se for para jogar sem a menor vontade, que nem venha.

Mas, e o que o torcedor gremista acha de um possível retorno de Ronaldinho, dez anos depois?