É pra rir?

Programa do PP (sucessor da ARENA, partido do governo durante a ditadura) falando que a política também se faz nas ruas, e defendendo a participação das pessoas – o que o regime apoiado por este partido impediu por duas décadas.

É piada? Ou mais uma amostra do que se tornou a política partidária no Brasil?

Cortázar está vivo e mora em Curitiba

Júlio Florencio Cortázar nasceu na embaixada da Argentina em Bruxelas, na Bélgica, em 26 de agosto de 1914. Foi um dos escritores mais originais de seu tempo, e muitas de suas obras cruzavam a fronteira entre o real e o fantástico. Cortázar parou de escrever em 1984; dizem que faleceu no dia 26 de fevereiro daquele ano em Paris – inclusive há uma tumba com seu nome no Cemitério de Montparnasse, em cuja lápide se ergue a imagem de um “cronópio”, personagem criado pelo escritor em suas surreais “Histórias de Cronópios e de Famas”.

A verdade é que Júlio Cortázar vive, e em breve celebrará seu centenário. Em 1984, o escritor deixou Paris e circulou pelo mundo, passando por inúmeras cidades em muitos países. À sua volta, sempre se registravam fatos completamente inusitados, que ninguém acreditaria serem verdadeiros caso não fossem noticiados: era sua literatura acontecendo fora dos livros. Segundo fontes que pediram para que suas identidades não fossem reveladas, Cortázar teria morado entre 2007 e 2010 em um apartamento na Praça da Matriz, no Centro de Porto Alegre; não é possível confirmar a informação pois dizem que o escritor costuma usar pseudônimos, sem contar que obviamente seu rosto mudou muito nas últimas décadas.

As informações mais recentes quanto ao paradeiro de Cortázar indicam que ele reside no bairro Água Verde, em Curitiba. Afinal, nessa região da capital paranaense acontecem fatos inacreditáveis, beirando o absurdo.

No bairro, está localizada a Arena da Baixada, do Atlético-PR. Foi construída no mesmo local do antigo estádio do clube e inaugurada em 1999, ostentando na época o título de estádio mais moderno da América Latina e sendo também o primeiro do tipo “arena multiuso” no Brasil. Mesmo sem ter seguido completamente seu projeto: as arquibancadas não “cercavam” o campo devido à presença de uma escola em terreno vizinho ao estádio.

Sendo o estádio mais moderno do Brasil por vários anos, a Arena da Baixada foi naturalmente indicada para sediar jogos da Copa do Mundo de 2014. Curitiba já estava passos à frente de outras cidades, onde os estádios seriam construídos “do zero” ou completamente remodelados: o Atlético precisaria apenas completar a arquibancada e fazer algumas modernizações, que obviamente não seriam muitas, por já ser uma “arena multiuso”. Tanto que a previsão inicial de conclusão do estádio era dezembro de 2012, o que possibilitaria inclusive seu uso na Copa das Confederações.

Porém, o Atlético decidiu “sonhar alto” e inventou uma cobertura retrátil para a Arena, encarecendo bastante a obra (inicialmente estimada em R$ 184 milhões, já chegou aos R$ 285 milhões). Em agosto de 2013 a FIFA vetou com base no prazo final para a finalização do estádio (31 de dezembro) e o Furacão decidiu deixar a “tampa do Caldeirão” para depois da Copa. Mesmo assim, o prazo não foi cumprido e a obra não atingiu 90% de conclusão faltando menos de cinco meses para a primeira partida marcada para Curitiba (Irã x Nigéria, em 16 de junho).

O Atlético diz não ter de onde tirar dinheiro para concluir a obra (que já contou com empréstimo de R$ 131 milhões do BNDES), visto que o atraso a encarece ainda mais. Diante disso, a FIFA deu um ultimato: até 18 de fevereiro a Arena da Baixada deve estar adaptada ao cronograma da entidade, sob pena de os quatro jogos marcados para Curitiba (todos pela primeira fase da Copa) serem remanejados a outras cidades.

O que, sabemos, não acontecerá: será despejado mais dinheiro público para que a Arena fique pronta a tempo. O ultimato, no fundo, é mais um elemento da realidade sendo escrita em tintas surreais (o que aumenta a suspeita quanto à presença de Júlio Cortázar em Curitiba): o estádio que em sua inauguração era o mais moderno do Brasil e o primeiro do tipo “arena multiuso”, 15 anos depois é o mais atrasado dos doze que receberão jogos da Copa do Mundo. Afinal, o que explicaria um atraso que encarece ainda mais uma obra a ponto dela precisar de novos repasses de dinheiro público?

Será o fim da avalanche?

Não fui ao jogo, então não pude comemorar in loco a primeira vitória oficial do Grêmio na Arena. Tinha de imprimir o tal voucher para entrar e também havia o problema maior – como voltar.

1 a 0, 5 a 4 nos pênaltis, vamos adiante na Libertadores. Beleza.

Mas, por outro lado, tivemos o acidente na hora do gol, quando a grade da mureta na Geral cedeu com a avalanche feita pela torcida para comemorar. Alguns torcedores ficaram feridos e foram levados ao hospital.

Lembro que em novembro, poucas semanas antes da Arena ser inaugurada, os Bombeiros disseram que teriam de ser instaladas cadeiras na Geral, pois a avalanche representaria risco aos torcedores. Houve reclamações, inclusive informando que no Olímpico jamais aconteceu nenhum acidente em dez anos de avalanches (muito embora o Grêmio tivesse reforçado a mureta da Geral para evitar que ela cedesse).

Pois ficou claro que os Bombeiros tinham razão. A estrutura da grade era frágil demais, não tinha como suportar o peso da torcida. Foram instalados para-avalanches para impedir que “toda” a Geral descesse: imaginem se toda aquela multidão fizesse a avalanche?

Agora, restam duas opções: reforçar a estrutura ou acabar com a avalanche, mediante a instalação de cadeiras. E se considerarmos os problemas que a Geral vem causando (como a briga na semana passada), acredito mais na segunda opção.

Olímpico Monumental, o retorno

De volta, um mês e 22 dias após a despedida…

E, de fato, minha série lembrando os jogos em que estive no Olímpico Monumental (aliás, o mais breve possível pretendo publicar o texto sobre 1999) ganhará um capítulo a mais.

Confesso que foi uma sensação estranha, como a de uma “volta no tempo”. Afinal, voltava ao Olímpico pela primeira vez depois do Gre-Nal, quando tinha me despedido… E justamente para assistir a um jogo. Partida com muito menos importância do que aquela: o time B do Grêmio contra o Canoas, pelo Gauchão. Derrota de 2 a 1, que pode ter sido a última do Olímpico – amanhã ainda tem mais um jogo, contra o Santa Cruz. E não duvido que mais partidas do Gauchão sejam jogadas no estádio.

Foi impossível não comparar com a Arena, é claro. O novo estádio é muito mais moderno, tem acessos amplos, mais banheiros etc. Mas em um aspecto considero o Olímpico imbatível: a localização. E não falo simplesmente dos acessos à Arena, que ainda não estão prontos.

Quinta, fui ao jogo de ônibus, pois começava cedo (19h30min) e tive de passar em casa depois do trabalho para vestir a camisa e pegar o cartão de sócio. Mas amanhã, pretendo ir a pé.

Aliás, penso que não só eu acho complicada a localização do novo estádio. Quem mora na Zona Norte de Porto Alegre, por exemplo, pode ir ao Olímpico pegando apenas um ônibus, seja o T2 ou o T5, seja até o Centro para depois ir a pé (uma boa caminhada que pode ser feita em cerca de 40 minutos). Já quem mora na Zona Sul precisa pegar dois ônibus (a não ser que o T2 passe perto), pois caminhar do Centro até a Arena significa levar bem mais de uma hora.

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Sobre a confusão do lado de fora do estádio (que não vi, pois quando cheguei a Brigada já tinha detido os brigões): tem gente que pensa em não ir mais a jogos por conta das cada vez mais comuns brigas na Geral. E o pior de tudo é que isso não parece que vai acabar tão cedo.

A Arena e o caos

No dia 8, consegui ingresso de última hora e fui à inauguração da Arena do Grêmio. Como já disse, o estádio é belíssimo, apesar dos problemas que, acredito, logo deverão estar resolvidos, como o número reduzido de bares e banheiros (apesar deles não terem filas, ainda são poucos que estão funcionando).

Aquele dia fui de van, que o Hélio já tinha acertado. Assim, não tive uma real ideia do que é ir à Arena dependendo do transporte público. A oportunidade veio na noite da quarta-feira, quando fui assistir ao Jogo Contra a Pobreza (leia-se “Zidane”).

Ir até lá não foi o maior problema: afinal, o pessoal chega em horários variados. Difícil mesmo foi na hora de ir embora, quando todo mundo sai junto. Simplesmente não havia orientação alguma: queria pegar um táxi, e não sabia onde eles estavam parando. Foi dito que na saída pela rampa sul se encontraria ônibus, lotação e táxi: só havia lotações abarrotadas (e paradas num congestionamento que não andava). Ônibus, só fretados. E táxi, nenhum.

Decidimos tentar o trem. Chegamos à estação, já havia uma multidão, e pelo horário, o trem que ali estava era o último – ou seja, não conseguiríamos pegar. É verdade que fizemos então uma senhora burrada: ao invés de voltarmos até a Avenida A. J. Renner – que era por onde a maioria das pessoas estava indo embora – seguimos pela semideserta Avenida Ernesto Neugebauer, que é onde fica o acesso à estação. Porém, ninguém – nem mesmo um brigadiano para o qual pedimos informações – disse que o caminho que faríamos era um péssimo negócio.

Resultado: no total, caminhamos 3,4 quilômetros até conseguirmos um táxi – um ótimo exercício em situações normais, mas não quando se está cansado e é quase meia-noite.

Já sei que na próxima vez que for à Arena devo fazer outro caminho na hora de ir embora. Mas imaginem um jogo que termina à meia-noite no meio da semana. Chegarei em casa perto das duas da manhã, precisando acordar às sete: haja café para aguentar o dia! Isso que nem falei de quem mora na Zona Sul de Porto Alegre…

Será esse caos em todos os jogos de grande público na Arena em 2013. Pois as obras que tornarão mais fácil o acesso não ficarão prontas em dois toques.

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Outra coisa que já tinha me chamado a atenção, e que o Alexandre (que dividiu táxi comigo na ida) comentou: a Arena causa um contraste social absurdo naquela região, pois é um estádio moderníssimo junto a um bairro pobre. Claro que a população está gostando, pois a maior movimentação é uma boa oportunidade de negócios (os bares vão faturar bastante nos dias de jogos), mas muitos dos novos vizinhos do Grêmio não têm condições de pagar os valores de ingressos e mensalidades para assistir aos jogos na Arena.

A inauguração da Arena do Grêmio

De última hora consegui um ingresso para a inauguração da Arena com o Hélio Paz e me fui para a nova casa do Grêmio. De fato, o estádio é realmente belíssimo, imponente.

Pena que, sinceramente, não estava totalmente pronto para ser inaugurado. E nem falo só da questão dos acessos. Poucos bares estavam funcionando, e o resultado foi: demoradas filas para pegar um cachorro-quente (que além da pipoca era a única opção de alimentação, não tinha salgadinhos nem nada; menos mal que para comprar bebidas havia vendedores ambulantes). Os banheiros (que também não funcionavam em sua totalidade) não tinham aquela tradicional fila do Olímpico, ainda mais que agora eles têm porta de entrada e saída, mas alguns estavam alagados. E o gramado, vamos combinar, estava ruim…

Considerando que o Grêmio só entrega o Olímpico para a OAS no final de março, não seria razoável usufruir do Monumental um pouco mais para inaugurar a Arena com tudo pronto? Certamente que sim, não fosse um detalhe: Paulo Odone queria ser o presidente na inauguração (ele sempre prometia que entregaria ao Grêmio a Arena construída). Mesmo não tendo sido reeleito, é o nome dele que está na placa que marca a abertura do novo estádio. Em março, o (mais uma vez) eternizado seria Fábio Koff.

O “desconhecido” Hamburgo

Hoje à noite, o Grêmio inaugura a Arena contra o Hamburgo, adversário na conquista do título mundial de 1983. Nada mais justo do que convidar o clube que vencemos naquela vez, para inaugurar a nova casa.

Nos últimos anos, o Hamburgo não tem apresentado resultados muito bons. O que leva muitas pessoas (que geralmente usam camisas vermelhas) a dizerem que o clube alemão é “sem importância”, e que o fato de ter sido campeão europeu em 1983, derrotando na final uma Juventus recheada de craques, foi “zebra”.

Certamente o favoritismo na partida disputada a 25 de maio de 1983 em Atenas era da Juve. O time contava com seis titulares da Itália que um ano antes derrotou o Brasil de Telê Santana e acabou campeã mundial – dentre eles o carrasco Paolo Rossi. Também jogavam (e muito!) naquela Juventus o francês Platini e o polonês Boniek – ambos de destacadas atuações na Copa do Mundo de 1982. Ou seja, para ir ao Japão enfrentar o Grêmio, o Hamburgo não ganhou de um time qualquer.

Aí algum mala vai dizer: “muitas vezes o time mais fraco vence o mais forte”. Mas, será que dá para chamar aquele Hamburgo de “fraco”? No meio-campo, estava Felix Magath, titular da seleção alemã e camisa 10 do time vice-campeão na Copa de 1986 (era impossível parar Maradona); a maioria dos demais jogadores daquele time também seriam convocados pelo menos uma vez para vestir a camisa da seleção alemã. No banco estava Ernst Happel, famoso técnico austríaco que, em 1978, treinou a Holanda vice-campeã (sendo que a Laranja quase ganhou da anfitriã Argentina na final, meteu uma bola na trave quase aos 90 minutos). Ou seja, dizer que aquele time era “fraco” é forçar a barra (ou ser colorado) demais.

Além disso, desde o final da década de 1970, o Hamburgo era o principal time alemão, chegando com frequência às finais de competições continentais e mantendo sempre a mesma base. Em 1977, conquistou a Recopa Europeia batendo o Anderlecht da Bélgica na final (sendo que o clube belga era o campeão de 1976 e venceria novamente em 1978). Três anos depois, o Hamburgo foi vice-campeão da Copa Europeia (atual Liga dos Campeões da UEFA) diante do Nottingham Forest da Inglaterra; na semifinal tinha eliminado ninguém menos que o Real Madrid (que já era cinco vezes campeão europeu): levou 2 a 0 na Espanha, mas na Alemanha meteu 5 a 1.

Em 1982, novamente o Hamburgo “bateu na trave”, dessa vez na Copa da UEFA: perdeu as duas partidas da final contra o Göteborg, da Suécia. Mas em 1983, veio a recompensa maior: campeão europeu. Vencendo o time que era provavelmente o melhor do mundo na época.

Seis meses depois, aconteceu aquilo que bem lembramos…

O passado não volta, mas pode servir de inspiração

Vez que outra, sou tomado pela nostalgia. Nada mais normal no ser humano do que, em um dia ruim, desejar muito que o tempo volte apenas para reviver dias mais felizes.

Depois a nostalgia passa, e percebo que é impossível voltar no tempo. Não tem jeito: o passado literalmente passou, e se o presente é ruim, que se faça algo para que o futuro seja melhor.

Porém, isso não quer dizer que o passado deva simplesmente ser jogado em “um canto” da memória (aliás, se eu concordasse com isso deveriam cassar meu diploma de História). Ele precisa ser relembrado, tanto em seus aspectos bons como nos ruins: as coisas boas podem muito bem servir de inspiração na construção do tão sonhado futuro melhor, já as ruins devem ser recordadas para que não cometamos erros semelhantes.

Os parágrafos acima se devem à eleição de hoje no Grêmio, na qual tenho três opções: o presente, o passado errado, e o passado nostálgico.

O presente do qual falo, obviamente, é Paulo Odone. É preciso ser extremamente desonesto para dizer que ele é um dos piores presidentes que o Grêmio teve: quem acha isso, não sabe o completo fracasso que foram as gestões de Flávio Obino, Rafael Bandeira dos Santos, e mesmo a de Cacalo (foi um grande vice de futebol, mas como presidente ganhou apenas um título, a Copa do Brasil de 1997, ainda com o time de 1996). Sem contar José Alberto Guerreiro, que até ganhou a Copa do Brasil de 2001, mas deixou o clube endividado, à beira da falência. Já Odone assumiu no pior momento da história do Grêmio (no início de 2005 o Tricolor estava rebaixado e afundado em dívidas até a testa) e, não se pode negar, conseguiu tirar o clube do inferno, embora não o tenha posto no paraíso, como dizem: boa parte da dívida com o condomínio de credores (uma boa iniciativa de Odone) foi quitada no biênio 2009-2010, ou seja, quando Duda Kroeff era presidente.

Porém, vem sendo muito repetida a afirmação de que só o Odone quis assumir a bronca. Não é verdade: em 2004 houve eleição para presidente do Grêmio e Odone não foi candidato único, teve de enfrentar Adalberto Preis e Antônio Vicente Martins – inclusive, foi a primeira vez em que os sócios foram chamados a elegerem o presidente e eles escolheram Odone.

Outro fato é que o estilo de Odone não me agrada nem um pouco. Não me esqueço de suas entrevistas após derrotas do Grêmio, quando para fugir do assunto ele falava de Arena, imortalidade, Batalha dos Aflitos… Sem contar o fiasco daquela negociação com Ronaldinho.

Assim, se não me agrada o presente, me restam duas opções ligadas ao passado. A primeira, é a de Homero Bellini Júnior, que é do mesmo movimento político de Guerreiro e era vice jurídico do Grêmio em 2001, quando Ronaldinho saiu praticamente de graça do clube. Ou seja, posso até estar sendo injusto com Bellini (que nunca foi presidente, ao contrário de Odone e Koff, que assim podem ter melhor analisados seus defeitos e qualidades), mas ele representa o “passado errado” do qual falo.

Assim, prefiro ficar com o “passado nostálgico”, que obviamente atende pelo nome de Fábio André Koff. Trata-se do presidente mais vitorioso da história do Grêmio (que, vale lembrar, não começou em 2005): com Koff, o Tricolor comemorou títulos, e não vagas. Mesmo que a classificação para a Libertadores de 1983 tenha vindo com um vice-campeonato (no Campeonato Brasileiro de 1982), o Grêmio não se contentou em comemorar a vaga, e tratou de ganhar a América e, depois, o Mundo. Então Koff saiu e voltou em 1993, para reerguer o Grêmio que voltava da Série B: ganhou a Copa do Brasil de 1994, a Libertadores de 1995 (assim foi ao Mundial e perdeu nos pênaltis para o timaço do Ajax), e se despediu da presidência com a conquista do Campeonato Brasileiro de 1996.

Porém, votar em Koff não é mero pensamento mágico, do tipo “voltar a 1995” – até porque, como já disse, o passado não volta. Nem é votar “pelo fim do projeto Arena”, como alguns dizem: na chapa de Koff está Adalberto Preis, presidente da Grêmio Empreendimentos (responsável pela Arena) durante a gestão de Duda Kroeff – vale lembrar que a obra começou em 2010, ou seja, com Kroeff e Preis.

Voto em Koff também porque não suporto mentiras. Muitas li (em panfletos apócrifos) e ouvi: além da tolice de que ele iria “acabar com a Arena”, também vieram com o papo de que ele “abandonou o Grêmio”, quando a verdade é que ele ajudou muito o clube – clique aqui e leia o item 3. (E é bom lembrar que Odone se licenciou da presidência para concorrer a deputado estadual em 2006: por que ninguém se queixa de seu “abandono”?)

E quanto a Fábio Koff “ter ajudado Fernando Carvalho”… Sinceramente, não vejo motivos para ficarmos tão bravos, tão “amargos”. Pelo contrário, é uma flauta a mais que podemos tocar em nossos rivais: sozinhos, eles não ganham nada!

Aliás, era o que acontecia naqueles anos inesquecíveis de Koff à frente do Grêmio: enquanto eles se matavam por uma vaguinha nas finais dos campeonatos que jogavam, nós levantávamos taças. O ano de 1995, por exemplo, foi um dos mais sensacionais que tive: além da turma do colégio, foi muito marcante aquela Libertadores que se somou à de 1983 e a muitas outras taças que o Tricolor ganhou com Fábio Koff na presidência.

Que tenha sido a última derrota

Na ida (a pé, como sempre) ao Olímpico Monumental, pensei em começar a escrever, aqui no Cão, uma série de textos lembrando jogos que assisti no estádio. Com o desta quarta-feira, são 248 partidas no total (sim, eu tenho uma lista completa, desde 1995).

E desejo que este Grêmio 1 x 2 Portuguesa possa ter um lugar na série. Não foi uma grande partida de futebol, nem aconteceu algum fato curioso. É que torço para que tenha sido a última derrota gremista no Olímpico.

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Em uma contagem regressiva, restam mais onze jogos no Olímpico pelo Brasileirão. Se chegarmos à final da Sul-Americana (e não me venham com o papo de jogá-la na Arena, ela tem de ser no Monumental), são mais quatro partidas, dando um total de quinze.

quinze. Em 2012, já fui a dezesseis jogos. Ou seja, já superei a metade do máximo que comparecerei este ano.

Já tomei uma decisão: pelo menos uma das partidas que faltam, assistirei de outro ponto do Olímpico que não o lugar onde sempre costumo ficar (na Social, em diagonal à goleira da Carlos Barbosa). Terei de ir pela última vez na Arquibancada – que foi onde assisti meu primeiro jogo no estádio.

O que me dá aquele aperto no coração

Não é um infarto. E sim, perceber que o fim do Estádio Olímpico Monumental está cada vez mais próximo, o que torna cada jogo uma espécie de “despedida”.

Foi assim contra o Palmeiras na Copa do Brasil, como bem lembrei – já tínhamos jogado contra eles no Brasileirão, e assim seria o último confronto no Olímpico, a não ser que os dois times se reencontrassem na Sul-Americana. Semana passada, tivemos o último Grêmio x Fluminense. E na última terça-feira, talvez o último “polo aquático” – não foi o último jogo contra o Coritiba pois ainda resta o returno do Campeonato Brasileiro.

O que incomoda é isso: cada jogo tem um clima de despedida. Último isso, último aquilo etc. Terça pode ter sido a última partida debaixo de temporal, e me arrependi profundamente de não ter ido (azar da gripe: agora já aceitava até pegar uma pneumonia, só para dizer que fiquei doente por ir ao Olímpico): espero que a previsão de chuva para o sábado esteja errada, e ela desabe domingo, na hora do jogo contra o Bahia, para que eu possa ir pela última vez ao Monumental debaixo de um aguaceiro caso não tenhamos nova chuvarada até o final do ano.

Ainda teremos no mínimo treze “despedidas”: é o número de jogos no Olímpico que o Grêmio ainda tem para disputar pelo Brasileirão. Caso o Tricolor vá até a final da Copa Sul-Americana, são quatro partidas a mais, e assim restam mais dezessete.

Ou seja, não tenho nem mais vinte jogos para ir no Olímpico. Só de pensar nisso dá aquele aperto no coração, e mesmo estando com os olhos secos neste momento, não consigo imaginá-los da mesma maneira em dezembro.