O Grêmio fica

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Era para ser o último… Só era mesmo.

Fui ao jogo do Grêmio contra o Corinthians, domingo na Arena, mais do que dar meu apoio ao Tricolor, que precisava vencer para garantir o 4º lugar no Campeonato Brasileiro e, assim, uma vaga diretamente na fase de grupos da Libertadores de 2019 (se bem que depois de tudo o que aconteceu na atual edição, nem dou muita bola para ela).

Inicialmente, minha ideia era uma despedida. Isso mesmo.

O motivo: corte de gastos. No atual contexto de salários cada vez mais atrasados, torna-se necessário gastar o mínimo possível, para que no início do mês seguinte sobre algum dinheiro na conta caso necessário. Eu tinha duas alternativas de cortes: deixar de pagar a mensalidade do Grêmio, ou entregar o apartamento e voltar a morar com minha mãe.

Se pensar unicamente no aspecto financeiro, chega a ser bobagem pensar em não pagar mais o Grêmio. Afinal, é uma economia que faz muito menos diferença do que aluguel, condomínio, IPTU e outras taxas.

Mas eu notava outras coisas. Para além da mensalidade, também tinha os gastos envolvidos com as partidas: deslocamento, bebidas, alguma coisa para comer etc. Houve jogos nos quais desembolsei uma grana considerável – em especial, aqueles disputados à noite, quando descia do ônibus ou da lotação no final da linha e ainda precisava pegar táxi ou carro de aplicativo para não voltar a pé em horários não recomendáveis para se caminhar pelas ruas.

Ou seja, deixando de ser sócio do Grêmio, eu economizaria bem mais do que a mensalidade, teria um pouco mais de fôlego financeiro, e poderia continuar morando sozinho.


Então, cheguei à Arena. Fiz o que tinha decidido após o fatídico jogo contra o River: não beberia grandes quantidades de cerveja, como fazia até então antes de entrar no estádio (o fato de ter ido sozinho e só encontrado um dos meus amigos dentro da Arena colaborou). Tomei uma cerveja artesanal, vendida na esplanada: o copo custava 12 reais, mesmo preço de uma garrafa de litro no bar onde a turma costuma se concentrar antes dos jogos, mas a um custo-benefício bem mais em conta, dado que tem muito mais qualidade do que as vendidas no bar.

Ao contrário do que vinha acontecendo quando ia “de galera”, entrei bem cedo no estádio, sem correria. Fiquei um bom tempo observando a torcida, pensando no que perderia deixando de ser sócio.

Até que foram anunciadas as escalações, primeiro do Corinthians e depois a do Grêmio. Quando o locutor falou o nome de Renato Portaluppi, que fica por mais um ano no Tricolor, vibramos e aplaudimos muito… Já comecei a pensar se não valeria mais continuar sócio e “dar um jeito” nas contas.

Depois os times entraram, a partida foi iniciada e o Grêmio começou em um ritmo bastante acelerado, certamente uma injeção de ânimo dada pela renovação de Renato. E o gol da vitória veio cedo, marcado justamente por Jael, o centroavante que recém acertou sua permanência por mais dois anos, algo que tanto criti… O quê? Jael? NUNCA CRITIQUEI!

No intervalo, saboreei as pipocas doces que mantém o mesmo sabor desde os tempos do Olímpico – cuja despedida “oficial” ocorrera exatos seis anos antes deste Grêmio x Corinthians, também num domingo, 2 de dezembro de 2012. Lembrei de como era mais fácil chegar ao Velho Casarão, que lá dificilmente eu pensaria em deixar de ser sócio, mesmo que a Arena seja incomparavelmente mais confortável. Mas a verdade é que naquele momento a decisão estava tomada: o próximo boleto vence na quarta-feira e será pago.

Ainda mais depois de chegar em casa e pôr tudo “na ponta do lápis” (traduzindo: no Excel). Tem muita “coisa boba” que posso cortar e assim economizar mais do que pago de mensalidade. Inclusive a cerveja de antes dos jogos: melhor beber menos (e melhor) e economizar mais – o meu fígado agradece.

Em último caso, abro mão de morar sozinho. Antes disso, que do Grêmio.

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Volta, Olímpico?

Fui à Arena na noite desta quinta, no primeiro jogo com temporal no novo estádio. E também a primeira derrota gremista.

Ironicamente, Grêmio x Huachipato foi o jogo menos difícil no quesito “deslocamento”. Fui direto do trabalho para o estádio, e como acabou cedo, voltei de trem tranquilamente. (Foi para isso que o jogo me serviu: me deixou ainda mais convicto de que o trem é o melhor meio de transporte urbano, já que ele não precisa parar em semáforos e nem pega congestionamento, chegando bem mais rápido ao destino.)

E no fim, pode ser que os jogos voltem a acontecer no Olímpico, e não só pelo Gauchão. O gramado voltou a receber críticas: pode parecer desculpa de perdedor, mas a grama da Arena está horrível.

Aliás, até agora não houve nenhum jogo do Grêmio sem problemas na Arena (além do gramado). Na inauguração foram os banheiros e os bares (a briga não foi culpa do estádio); contra a LDU tivemos a queda da grade na Geral na hora do gol; e agora, além da derrota, a falta de luz em partes da Arena no intervalo: se por um lado não demorou muito tempo para os refletores se reacenderem, por outro tal problema não deveria acontecer num estádio novo.

Suprema ironia: a série de textos em homenagem ao Olímpico publicada no Impedimento ao longo do ano passado se chama #VoltaOlimpico – e do jeito que vão as coisas na Arena, não parece mera licença poética… O problema é que os sócios gremistas estão pagando caro por algo que quase não estão usando.

O que está acontecendo perto da Arena

O incêndio da Vila Liberdade, ao contrário do que se chegou a especular, não foi premeditado: começou com a briga de um casal. Mas o relato desta moradora do local dá uma amostra do que deve vir a acontecer na região que fica perto da Arena do Grêmio nos próximos anos. Assista até o fim.

Da Wikipédia:

Chama-se gentrificação, uma tradução literal do inglês “gentrification” que não consta nos dicionários de português, a um conjunto de processos de transformação do espaço urbano que, com ou sem intervenção governamental, busca o aburguesamento de áreas das grandes metrópoles que são tradicionalmente ocupadas pelos pobres, com a consequente expulsão dessas populações mais carentes, resultando na valorização imobiliária desses espaços.

Meus jogos no Olímpico Monumental: 2013?

2 de dezembro de 2012: talvez não tenha sido a despedida.

Quase caí da cadeira quando li notícias a respeito do Grêmio cogitar a realização de alguns jogos do Gauchão no Olímpico, devido ao gramado da Arena ainda não estar nas melhores condições.

Como eu disse, a Arena não estava 100% na inauguração, o que poderia até justificar que só começasse a receber jogos mais tarde – mas, ao mesmo tempo, era preciso um “evento-teste”, até para ver onde estavam todos os problemas. De qualquer forma, eu não veria problema algum em inaugurar a Arena e ainda poder jogar no Olímpico, que só será entregue à OAS no final de março.

Porém, não depois de nos despedirmos dele. Ir ao Olímpico assistir jogos depois de termos nos emocionado em 2012, justamente porque o Gre-Nal do dia 2 de dezembro fecharia as portas do estádio, é algo totalmente sem sentido. Faz parecer que tudo o que sentimos naqueles dias foi em vão.

E quem torrou dinheiro para conseguir ir ao Gre-Nal? Sim, os ingressos foram caríssimos, justamente porque era a despedida…

Tudo isso, só porque Paulo Odone queria a todo custo ser o “pai da criança”. Chegava a falar em final da Sul-Americana (já contando com a classificação do Grêmio) na Arena, já anunciando que após o Gre-Nal o Tricolor jamais jogaria novamente no Olímpico. Por mais que eu fosse contra, já tinha me acostumado com a ideia de que em 2 de dezembro de 2012 eu assistiria a um jogo no Monumental pela última vez. Aliás, toda a torcida. Daí a partida ter sido tão especial.

Tivessem anunciado que a Arena seria inaugurada mas o Grêmio ainda jogaria no Olímpico pelo Gauchão (além de um necessário amistoso de despedida que, incrivelmente, sequer foi cogitado pela direção anterior), de modo a dar os últimos retoques no novo estádio, eu acharia sensacional, e estaria preparando o coração para a despedida em março. Mas dar adeus ao Olímpico e voltar justamente por que falta algo na Arena (gramado em plenas condições), só servirá para alimentar a flauta dos colorados.

A Arena e o caos

No dia 8, consegui ingresso de última hora e fui à inauguração da Arena do Grêmio. Como já disse, o estádio é belíssimo, apesar dos problemas que, acredito, logo deverão estar resolvidos, como o número reduzido de bares e banheiros (apesar deles não terem filas, ainda são poucos que estão funcionando).

Aquele dia fui de van, que o Hélio já tinha acertado. Assim, não tive uma real ideia do que é ir à Arena dependendo do transporte público. A oportunidade veio na noite da quarta-feira, quando fui assistir ao Jogo Contra a Pobreza (leia-se “Zidane”).

Ir até lá não foi o maior problema: afinal, o pessoal chega em horários variados. Difícil mesmo foi na hora de ir embora, quando todo mundo sai junto. Simplesmente não havia orientação alguma: queria pegar um táxi, e não sabia onde eles estavam parando. Foi dito que na saída pela rampa sul se encontraria ônibus, lotação e táxi: só havia lotações abarrotadas (e paradas num congestionamento que não andava). Ônibus, só fretados. E táxi, nenhum.

Decidimos tentar o trem. Chegamos à estação, já havia uma multidão, e pelo horário, o trem que ali estava era o último – ou seja, não conseguiríamos pegar. É verdade que fizemos então uma senhora burrada: ao invés de voltarmos até a Avenida A. J. Renner – que era por onde a maioria das pessoas estava indo embora – seguimos pela semideserta Avenida Ernesto Neugebauer, que é onde fica o acesso à estação. Porém, ninguém – nem mesmo um brigadiano para o qual pedimos informações – disse que o caminho que faríamos era um péssimo negócio.

Resultado: no total, caminhamos 3,4 quilômetros até conseguirmos um táxi – um ótimo exercício em situações normais, mas não quando se está cansado e é quase meia-noite.

Já sei que na próxima vez que for à Arena devo fazer outro caminho na hora de ir embora. Mas imaginem um jogo que termina à meia-noite no meio da semana. Chegarei em casa perto das duas da manhã, precisando acordar às sete: haja café para aguentar o dia! Isso que nem falei de quem mora na Zona Sul de Porto Alegre…

Será esse caos em todos os jogos de grande público na Arena em 2013. Pois as obras que tornarão mais fácil o acesso não ficarão prontas em dois toques.

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Outra coisa que já tinha me chamado a atenção, e que o Alexandre (que dividiu táxi comigo na ida) comentou: a Arena causa um contraste social absurdo naquela região, pois é um estádio moderníssimo junto a um bairro pobre. Claro que a população está gostando, pois a maior movimentação é uma boa oportunidade de negócios (os bares vão faturar bastante nos dias de jogos), mas muitos dos novos vizinhos do Grêmio não têm condições de pagar os valores de ingressos e mensalidades para assistir aos jogos na Arena.

Merci, Zizou!

Caso um dia eu tenha netos, primeiro mostrarei a eles o vídeo abaixo.

Depois, a foto (de qualidade não tão boa, é verdade) que mostra Zinédine Zidane cobrando escanteio na Arena do Grêmio, como prova de que o vi ao vivo, sem precisar de uma tela.

“O vovô já esteve a menos de 20 metros de distância do cara que fez tudo aquilo que vocês viram no vídeo.”

A inauguração da Arena do Grêmio

De última hora consegui um ingresso para a inauguração da Arena com o Hélio Paz e me fui para a nova casa do Grêmio. De fato, o estádio é realmente belíssimo, imponente.

Pena que, sinceramente, não estava totalmente pronto para ser inaugurado. E nem falo só da questão dos acessos. Poucos bares estavam funcionando, e o resultado foi: demoradas filas para pegar um cachorro-quente (que além da pipoca era a única opção de alimentação, não tinha salgadinhos nem nada; menos mal que para comprar bebidas havia vendedores ambulantes). Os banheiros (que também não funcionavam em sua totalidade) não tinham aquela tradicional fila do Olímpico, ainda mais que agora eles têm porta de entrada e saída, mas alguns estavam alagados. E o gramado, vamos combinar, estava ruim…

Considerando que o Grêmio só entrega o Olímpico para a OAS no final de março, não seria razoável usufruir do Monumental um pouco mais para inaugurar a Arena com tudo pronto? Certamente que sim, não fosse um detalhe: Paulo Odone queria ser o presidente na inauguração (ele sempre prometia que entregaria ao Grêmio a Arena construída). Mesmo não tendo sido reeleito, é o nome dele que está na placa que marca a abertura do novo estádio. Em março, o (mais uma vez) eternizado seria Fábio Koff.

O “desconhecido” Hamburgo

Hoje à noite, o Grêmio inaugura a Arena contra o Hamburgo, adversário na conquista do título mundial de 1983. Nada mais justo do que convidar o clube que vencemos naquela vez, para inaugurar a nova casa.

Nos últimos anos, o Hamburgo não tem apresentado resultados muito bons. O que leva muitas pessoas (que geralmente usam camisas vermelhas) a dizerem que o clube alemão é “sem importância”, e que o fato de ter sido campeão europeu em 1983, derrotando na final uma Juventus recheada de craques, foi “zebra”.

Certamente o favoritismo na partida disputada a 25 de maio de 1983 em Atenas era da Juve. O time contava com seis titulares da Itália que um ano antes derrotou o Brasil de Telê Santana e acabou campeã mundial – dentre eles o carrasco Paolo Rossi. Também jogavam (e muito!) naquela Juventus o francês Platini e o polonês Boniek – ambos de destacadas atuações na Copa do Mundo de 1982. Ou seja, para ir ao Japão enfrentar o Grêmio, o Hamburgo não ganhou de um time qualquer.

Aí algum mala vai dizer: “muitas vezes o time mais fraco vence o mais forte”. Mas, será que dá para chamar aquele Hamburgo de “fraco”? No meio-campo, estava Felix Magath, titular da seleção alemã e camisa 10 do time vice-campeão na Copa de 1986 (era impossível parar Maradona); a maioria dos demais jogadores daquele time também seriam convocados pelo menos uma vez para vestir a camisa da seleção alemã. No banco estava Ernst Happel, famoso técnico austríaco que, em 1978, treinou a Holanda vice-campeã (sendo que a Laranja quase ganhou da anfitriã Argentina na final, meteu uma bola na trave quase aos 90 minutos). Ou seja, dizer que aquele time era “fraco” é forçar a barra (ou ser colorado) demais.

Além disso, desde o final da década de 1970, o Hamburgo era o principal time alemão, chegando com frequência às finais de competições continentais e mantendo sempre a mesma base. Em 1977, conquistou a Recopa Europeia batendo o Anderlecht da Bélgica na final (sendo que o clube belga era o campeão de 1976 e venceria novamente em 1978). Três anos depois, o Hamburgo foi vice-campeão da Copa Europeia (atual Liga dos Campeões da UEFA) diante do Nottingham Forest da Inglaterra; na semifinal tinha eliminado ninguém menos que o Real Madrid (que já era cinco vezes campeão europeu): levou 2 a 0 na Espanha, mas na Alemanha meteu 5 a 1.

Em 1982, novamente o Hamburgo “bateu na trave”, dessa vez na Copa da UEFA: perdeu as duas partidas da final contra o Göteborg, da Suécia. Mas em 1983, veio a recompensa maior: campeão europeu. Vencendo o time que era provavelmente o melhor do mundo na época.

Seis meses depois, aconteceu aquilo que bem lembramos…