Todo mundo sofre

Já havia postado anteriormente o vídeo abaixo, faço-o novamente agora, em razão das festas de fim de ano e do início das férias de verão, quando muitos vão para a estrada.

É a campanha veiculada no final do ano passado pela TAC (Transport Accident Comission), do Estado de Victoria, Austrália. Simplesmente a melhor deste tipo que lembro de ter visto, pois não se limita ao “dirija com cuidado”, e sim, mostra bem o sofrimento que um acidente impõe não só à sua vítima (quando sobrevive), como também a todos que convivem com ela e lhe querem bem.

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Campanha SENSACIONAL sobre acidentes de trânsito

Campanha da TAC (Transport Accident Commission), do Estado de Victoria, Austrália, veiculada no final de 2009. Talvez a melhor que eu já tenha visto: ao invés de se limitar ao “dirija com cuidado” (que muita gente esquece quando senta ao volante do carro) ou a mulheres conhecidas dizendo que não gostam de sair com homens que correm, mostra bem o sofrimento que um acidente impõe não só à sua vítima (quando sobrevive), como também a todos que a cercam e lhe querem bem. “Pesquei” lá no Apocalipse Motorizado.

O trânsito dos sonhos de muito motorista por aí

Não é nenhuma avenida com um quilômetro de largura, “asfalto perfeito” etc. É em Bagdá, no Iraque, onde todos “saem da frente”. Mas com um detalhe: só para invasores. Vídeo retirado do Apocalipse Motorizado:

A justificativa para as barbaridades cometidas pelo condutor do trambolho veículo militar estadunidense é “reduzir o risco de ataques”. Pois é, os caras invadem o país dos outros e ainda se sentem no direito de fazerem o que bem entendem por lá…

Muitos certamente viram o vídeo e inicialmente acharam absurdo, mas no fundo, gostariam de fazer o mesmo quando dirigem pelas ruas do Brasil – ainda mais se têm carros “4×4”, que ajudam a poluir ainda mais o ar das grandes cidades.

O que não se fala sobre Bogotá

Quando aconteceu uma manifestação contra as FARC em Bogotá, nossa mídia noticiou, é claro. Mas a passeata de quinta-feira passada, contra o governo de Álvaro Uribe, não mereceu nenhuma notinha nos jornais daqui. Entre os participantes estava até mesmo o prefeito da cidade, Samuel Moreno, do partido oposicionista Pólo Democrático Alternativo.

Bogotá também não é citada pela nossa mídia como uma cidade em que o poder público passou a valorizar mais as pessoas do que os carros, como mostra a postagem do blog Apocalipse Motorizado. Entendível: as empresas automobilísticas enchem os cofres das corporações de mídia graças aos anúncios em jornais e emissoras de rádio e televisão.

Na capital da Colômbia as ruas deixaram de ser simplesmente espaço de fluxo de veículos, e voltaram a ser ponto de encontro, como acontecia antigamente em Porto Alegre na Rua da Praia. Foram construídos muitos quilômetros de ciclovias pela cidade. Em muitas ruas o trânsito de carros foi proibido, e o movimento de pessoas – a pé ou de bicicleta – mantém-se alto. O que contribuiu para diminuir a violência: não foi o terrorismo de Estado praticado por Uribe que fez caírem os índices de criminalidade em Bogotá, mas sim a retomada das ruas pela população.

E conforme já falei em 20 de novembro de 2007, se muito carro na rua fosse segurança, o entorno da Redenção seria a área mais segura de Porto Alegre, já que os carros passam aos montes nas avenidas Osvaldo Aranha e João Pessoa – e o que acontece é o contrário, é preciso muita coragem para se arriscar a caminhar sozinho por ali durante a noite.

Leia mais sobre Bogotá no Apocalipse Motorizado, e assista ao documentário produzido sobre a cidade – o vídeo está em inglês, mas a tradução de alguns trechos está na postagem do Apocalipse.

Confira também uma entrevista (com legendas em português) com o ex-prefeito de Bogotá Enrique Peñalosa, que começou a implementar as mudanças na cidade. Em um trecho ele lembra: temos cidades desde aproximadamente 5 mil anos atrás, e carros há cerca de 80 anos, o que quer dizer que durante a maior parte do tempo as ruas das cidades eram feitas para as pessoas, e não para os carros como acontece atualmente.

Quem sabe não exigirmos do prefeito que elegeremos em outubro que comprometa-se a fazer de Porto Alegre uma cidade menos motorizada e mais humana?

A propaganda é diferente da realidade

Comerciais de automóveis “off-road” são sempre iguais. Mostram aquele carrão subindo montanhas, andando no meio da selva… Mas não a realidade.

Achei o vídeo no blog Apocalipse Motorizado.

O excesso de carros

Mais de uma vez, escrevi aqui textos criticando a RBS. Mas o fato de ter criticado tal empresa não quer dizer que eu simplesmente a boicote. Afinal, é preciso saber o que o outro lado diz… E hoje Paulo Sant’ana escreveu sobre o alto índice de venda de automóveis no Brasil, prevendo as terríveis conseqüências de tal fato.

E mais de uma vez, escrevi aqui textos sobre o excesso de carros nas grandes cidades – em especial, Porto Alegre, já que é a cidade onde moro. Final de tarde por aqui é sempre igual: tem ruas onde caminhar é mais vantajoso, dados os enormes congestionamentos. E a coisa vai piorar…

Não é por nada que achei sensacional o nome de um blog que achei: Apocalipse Motorizado. Encontrei o link no Palanque do Blackão, que indicou também uma série de reportagens da Agência Carta Maior sobre o caótico trânsito de São Paulo.

O alto índice de motorização da sociedade aumenta a poluição (atmosférica e sonora), dificulta a movimentação pelas cidades, deixa as pessoas mais estressadas, e também aumenta a insegurança: as pessoas dentro dos carros muitas vezes se sentem “em um mundo à parte”, enquanto os poucos pedestres correm risco de serem assaltados. Com mais gente caminhando nas ruas, a tendência é que a criminalidade diminua: se muito carro na rua fosse segurança, poderia-se caminhar tranqüilamente em volta da Redenção durante a noite, já que os carros passam aos montes na João Pessoa e na Osvaldo Aranha. Isso sem contar os perigos que correm os motoristas: acidentes, assaltos em sinaleiras, seqüestros-relâmpago etc.

Abaixo, um vídeo que achei no Apocalipse sobre o que acontece em Copenhague, capital da Dinamarca: alto preço do litro da gasolina, taxação em 200% dos automóveis particulares, faixa exclusiva para bicicletas que é respeitada (os ônibus, ao pararem nos pontos, atrapalham o trânsito de carros, não de bicicletas) e proibição do trânsito de carros no Centro.

Enquanto isso, em Porto Alegre, temos uma ciclofaixa que só existe aos domingos e feriados (e em poucas ruas), e ainda por cima é desrespeitada…