Papo de bar

O meu grande amigo Diego Rodrigues, mestrando em Economia pela UFJF, passa as férias de julho aqui no Rio Grande do Sul, visitando família e amigos. Na noite dessa quarta, assim como na semana passada e como antes dele ir para Minas Gerais, fomos tomar cerveja.

Lembramos, com saudade, de como acreditávamos na política até relativamente pouco tempo atrás, quando defendíamos o PT com unhas e dentes. Comentei que a campanha eleitoral de 2004 foi a última na qual eu saí para a rua de bandeira do PT na mão – e ainda assim, com um certo constrangimento. Depois do mensalão, não tomei mais coragem. Na campanha de 2006, o máximo que fiz foi usar adesivo do Olívio.

Quando o Olívio foi eleito, em 1998, eu brigava por causa de política. Estudava no Colégio São Pedro, particular, e apesar de boa parte dos colegas apoiarem – ou mesmo votarem, já que alguns, como eu, já tinham título eleitoral – o PT, havia também muitos anti-petistas. Lembro que certa vez um deles me chamou de “comunista” com a intenção de me xingar, mas eu, claro, agradeci – ser chamado de “comunista” é para mim um elogio!

O que mais dói na situação atual, quando não acredito em nenhum partido, não é simplesmente tal fato. O mais triste é saber que aqueles que há 10 anos atrás já eram “anti-PT” devem ter saltado de alegria com a divulgação das notícias sobre corrupção no PT. Afinal, assim o PT se igualava aos partidos que tanto criticara.

Sim, os conformistas que se limitam a serem “anti” certamente vibraram de alegria com a destruição do sonho de muitos petistas. Eles achavam (e continuam achando, é claro) que as pessoas não podem ter o direito de desejarem um país, um mundo melhor. O PT simbolizava, àquela época, tal utopia – que hoje não vejo encarnada em partido algum.

A utopia dos conformistas que são “anti” (e de cada vez mais gente de classe média) é ter um emprego, ser um dito cidadão respeitável, ganhar quatro mil reais por mês, ter $uce$$o na vida (seja lá qual for a carreira) e comprar um carro do ano…

Aquela famosa música do Raul Seixas que fala disso é dos anos 70, mas continua atual. Na verdade, cada vez mais atual.

Em breve (o mais breve possível), voltarei ao assunto.