Por um 2012 de mais questionamentos

No segundo semestre de 2005, cursei na faculdade a cadeira de História da América Pré-Colombiana. Quando estudamos os Maias e li que segundo a previsão deles o mundo terminaria em 2012, na hora imaginei (previ?) que logo toda aquela paranoia de fim do mundo voltaria…

Não acredito em previsões para o futuro que não tenham algum embasamento científico. Se mesmo com tecnologia cada vez mais avançada a meteorologia às vezes erra a previsão do tempo para o dia seguinte, o que dizer de uma conclusão baseada em evidência alguma? Tipo, o mundo “vai acabar” em 2012, mas… Por quê?

Logo acima dei um exemplo do que desejo a todos para o próximo ano: questionamentos. Ou melhor, mais questionamentos. Pois se em 2011 tantas pessoas foram às ruas protestar, a ponto de até derrubarem ditadores, isso se deveu justamente ao fato delas terem questionado o status quo.

Se tanto desejamos que o próximo ano seja melhor, devemos fazer algo por isso. E para mudar, é necessário sair da inércia, da comodidade de manter as coisas “como sempre foram”. Logo, é preciso questionar. Sem isso, não há mudanças.

E, já que a ideia é questionar, mostrem que estou errado por não acreditar em previsões sem embasamento científico… Façamos que a profecia dos Maias se cumpra – mas não como um apocalipse, e sim, como o início de um novo mundo, mais solidário e menos individualista, em que o poder do amor vença o amor pelo poder, para que o mundo finalmente conheça paz. Aliás, conforme a “previsão” de Jimi Hendrix, que certamente não é embasada em ciência, mas sim, em sonhos.

E por fim, lembro o grande Mario Quintana:

Das utopias

Se as coisas são inatingíveis… ora!
Não é motivo para não querê-las…
Que tristes os caminhos, se não fora
A mágica presença das estrelas!

Grande abraço, e um feliz (e cheio de questionamentos) 2012!

Esta época em que “não acontece nada”…

O Natal (já passou, viva!) é a data que praticamente antecipa o fim do ano. Pois ainda temos alguns dias de 2010 pela frente, mas para muitos, ele já acabou*. Inclusive já fizeram suas retrospectivas, seus balanços, desprezando o período de 26 a 31 de dezembro. Até mesmo as emissoras de televisão costumam passar especiais lembrando os fatos marcantes do ano antes dele terminar.

Pois é… Com isso, deixam de considerar como pertencentes ao ano que acaba, alguns acontecimentos nada desprezíveis que se dão de 26 a 31 de dezembro. Não é uma época “inútil”, como parece. Inclusive, por quatro anos seguidos (1991 a 1994) tive aula: no primeiro deles, fruto de uma greve dos professores das escolas estaduais (as aulas foram até a metade de janeiro); já nos outros três anos, consequência do “calendário rotativo” implantado pelo governo de Alceu Collares.

Então, vejamos o que aconteceu de importante nesta época em anos anteriores – além, é óbvio, do nascimento do meu pai, em 31 de dezembro de 1951.

  • Dia 26:
    • Nascimento do revolucionário chinês Mao Tse-tung (1893);
    • Promulgação da lei que institui o divórcio no Brasil (1977);
    • Tsunami causado por terremoto no Oceano Índico devasta o sul da Ásia (2004);
  • Dia 27:
    • Promulgação de constituição democrática na Espanha, após o fim do franquismo (1978);
    • Assassinato da ex-primeira-ministra do Paquistão, Benazir Bhutto (2007);
  • Dia 28:
    • Primeira sessão pública de cinema, em Paris (1895);
    • Adoção da primeira constituição da República da Irlanda (1937);
  • Dia 29:
    • Nascimento de Cândido Portinari (1903);
    • Renúncia de Fernando Collor à presidência, para tentar escapar do processo de impeachment – o que não consegue (1992);
    • Palmeiras conquista a primeira Copa Mercosul, ao bater o Cruzeiro no terceiro jogo da decisão – o segundo fora também após o Natal, em 26 de dezembro (1998);
    • Câmara Municipal de Porto Alegre aprova projetos da Dupla Gre-Nal, rasgando o Plano Diretor da cidade (2008);
  • Dia 30:
    • Criação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (1922);
    • Abdicação do rei Miguel I na Romênia, que se torna república “popular”, sob domínio do Partido Comunista (1947);
    • Queda do alambrado do estádio de São Januário durante a final da Copa Jean Marie João Havelange, entre Vasco e São Caetano, deixa mais de 100 feridos e adia a decisão (2000);
    • Execução, por enforcamento, do ex-ditador iraquiano Saddam Hussein (2006);
  • Dia 31:
    • Ditador cubano Fulgencio Batista foge do país e da Revolução Cubana (1958);
    • Última transmissão radiofônica do Repórter Esso (1968);
    • Extinção do AI-5 (1978);
    • Naufrágio do Bateau Mouche, no Rio de Janeiro (1988);
    • Boris Yeltsin renuncia à presidência da Rússia, assumindo em seu lugar Vladimir Putin (1999).

Só para constar: tirei algumas informações da Wikipédia, outras de minha própria memória.

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* Com isso, estamos no “período de transição” entre um ano e outro – pois, como diz o ditado, os anos no Brasil começam depois do Carnaval. Ou seja, entraremos em 2011 só a partir do dia 9 de março…

Houve uma vez uma noite de Ano Novo…

Há 10 anos, o mundo estava em um quase êxtase. Era a chegada do ano 2000. Nada simbolizava tanto o “futuro” quanto este número tão “redondo”.

Mesmo nos anos 80, a ideia que eu tinha do mundo do ano 2000 era de um lugar onde os carros voavam e as pessoas usavam roupas esquisitas, tipo nos desenhos dos Jetsons.

Inclusive lembro de um diálogo com o meu pai no dia do aniversário dele em 1999 (ou seja, 31 de dezembro!). Falávamos sobre o ano 2000, que finalmente chegava, e eu lembrava a visão inspirada nos filmes que eu tinha da data: “Pois é, e os carros não estão voando” (apesar de alguns motoristas doidos tentarem isso até a morte – literalmente).

No dia 31 de dezembro de 1999, a televisão passou o dia mostrando imagens da entrada do ano 2000 em diversas partes do mundo. E, claro, não terminava nunca aquela discussão sobre o final do século XX (e do milênio).

E o “bug do milênio”? Havia todo aquele temor quanto às falhas nos computadores na virada do ano, que levariam o mundo ao caos. Inclusive dizia-se que os sistemas de controle das armas nucleares russas seriam muito defasados, e que a partir da meia-noite de 1º de janeiro de 2000 as ogivas nucleares simplesmente se disparariam, acabando com o mundo. Claro que nada disso aconteceu, pois estamos todos aqui…

Esperei a entrada na Usina do Gasômetro. Chovia em Porto Alegre, senti frio por estar molhado e precisei comprar uma capa de chuva. E não chegava nunca meia-noite: não era culpa da expectativa, e sim, dos “excelentes” shows musicais daquela noite… À meia-noite, aconteceu algo comum na vida de um gremista: um foguetório comemorativo. Era o “futuro” chegando.

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O “ano do futuro” não foi tão maravilhoso como se esperava. Nem no âmbito pessoal. Já em janeiro, passei no vestibular para Física na UFRGS: eu largaria o curso dois anos depois, mas fiquei feliz, é claro. Só que o primeiro ano foi desastroso: nas poucas cadeiras nas quais fui aprovado, o conceito foi “C”, ou seja, “suficiente para passar”. Mesmo assim, em nenhum momento de 2000 eu pensei em abandonar o curso (em 2001 eu pensaria nisso pela primeira vez, embora brevemente).

Mas o mais incrível de tudo é perceber que o “futuro” já se encontra 10 anos atrás. Quando estivermos entrando em 2020, o que falaremos dos dias de hoje (e também dos de 10 anos atrás, que lá serão “20 anos atrás”)? E, se o assunto é “futuro”, estará o mundo de daqui a 10 anos semelhante ao do filme Soylent Green, que se passa em 2022?

Não basta “torcer para que não esteja”, e sim, é preciso que também façamos a nossa parte, procurando evitar desperdício de comida, água e energia, consumindo somente o realmente necessário, caminhando mais e andando menos de carro (gastar gasolina para andar duas quadras sozinho é o cúmulo – e o motorista engorda e não sabe por quê…). Quem não age assim, que tal começar em 2010?

Afinal, o “futuro perfeito” que eu acreditava ser o ano 2000, além de já ser passado, também é irreal. O futuro – seja bom ou ruim – será consequência de nossos atos hoje.

E se muito do que desejamos parece impossível, a ponto de nos desmotivar… Passo a palavra a Mario Quintana:

Das utopias

Se as coisas são inatingíveis… ora!
Não é motivo para não querê-las…
Que tristes os caminhos, se não fora
A mágica presença das estrelas!

A todos os leitores do Cão Uivador, um grande abraço e FELIZ 2010!

Abaixo o Natal, e viva o Ano Novo!

O Natal de 2009 já é passado, mas achei mais um ótimo texto sobre o tema “anti-Natal”. É de Mário Maestri, professor de História na Universidade de Passo Fundo (UPF). Desta vez não publico inteiro, vai só dois parágrafos: para ler na íntegra, clique aqui.

Sobretudo como historiador, não vejo como celebrar o natalício de personagem sobre o qual quase não temos informação positiva e não sabemos nada sobre a data, local e condições de nascimento. Personagem que, confesso, não me é simpático, mesmo na narrativa mítico-religiosa, pois amarelou na hora de liderar seu povo, mandando-o pagar o exigido pelo invasor romano: “Dai a deus o que é de deus, dai a César, o que é de César”!

(…)

Por tudo isso, celebro, sim, o Primeiro do Ano, festa plebéia, hedonista, aberta a todos, sem discursos melosos, celebrada na praça e na rua, no virar da noite, ao pipocar dos fogos lançados contra os céus. Celebro o Primeiro do Ano, tradição pagã, sem religião e cor, quando os extrovertidos abraçam os mais próximos e os introvertidos levantam tímidos a taça aos estranhos, despedindo-se com esperança de um ano mais ou menos pesado, mais ou menos frutífero, mais ou menos sofrido, na certeza renovada de que, enquanto houver vida e luta, haverá esperança.

Prometo que essa é a última vez que toco no assunto. Em 2009, claro…

Por um 2009 utópico

mafalda

A mensagem acima foi enviada pela amiga Cláudia Cardoso, do Dialógico. Considero-a perfeita para a época em que vivemos.

Pois pensar em um 2009 de paz parece difícil, diante da barbárie perpretada pelas forças israelenses na Faixa de Gaza. Prosperidade, depende de qual tipo se quer: se o objetivo é só ganhar dinheiro, isso nunca foi possível para todos, e com a crise será privilégio ainda mais restrito. Amor, é algo cada vez mais em falta. Justiça e igualdade parecem piada. Recompensa pelo esforço, assim como o Guile (irmãozinho da Mafalda), eu nunca vi. Desejos cumpridos, nunca se consegue todos – e na maioria dos casos, não dependem apenas de nós. E um mundo em que se realizem as utopias… Bom, é mais uma utopia.

Então, que tal pelo menos fazermos nossa parte para que tenhamos um pouco de tudo o que citei acima?

Que haja prosperidade não só em termos materiais: tem coisa muito mais importante que dinheiro. O ano de 2008 foi a prova disso para mim, quando conheci pessoas fantásticas, que fazem sua parte na luta por um mundo melhor. Posso dizer que enriqueci muito nesse ano que termina, mesmo sem ganhar muito dinheiro.

Diante da guerra e da injustiça, manifeste seu repúdio, não faça de conta que “não é da sua conta”: hoje é no Oriente Médio; no futuro, quem garante que não será aqui?

Já que o amor está em falta, contribua para que falte menos.

Lute por mais justiça e igualdade.

Tenha desejos, sonhos, mas não esqueça de fazer o necessário para que se tornem realidade.

E, quanto às utopias, passo a palavra para Mario Quintana:

Se as coisas são inatingíveis… ora!
Não é motivo para não querê-las…
Que tristes os caminhos, se não fora
A mágica presença das estrelas!

Um abraço a todos os leitores do Cão Uivador, e feliz 2009!

Estou ficando velho

Por pouco não passei a meia-noite vendo DVDs do Arquivo X. Todas as possibilidades de sair de casa tanto minhas como do meu irmão Vinicius tinham ido por água abaixo – no meu caso, por causa de uma diarréia: não me agradava a idéia de toda hora precisar ir aos “banheiros atômicos” lá no Gasômetro. Até que, por volta das 9 da noite, nosso grande amigo Marcel nos chamou para esperarmos à meia-noite na casa da avó dele, que fica bem perto de onde moro. Para que eu fosse, avisou: “aqui tem cinco banheiros”. E fomos.

Esteve muito presente na conversa de nós três a expressão “estamos ficando velhos”: fiquei amigo do Marcel quando fomos colegas no 3º ano do 2º grau, em 1999 – ou seja, há nove anos. Quando penso que naquela época eu tinha 17 anos, que hoje tenho 26 e daqui mais nove terei 35, é impossível não dizer “puta que pariu, o tempo voa”. E sei que está cada vez mais próximo o momento em que eu, ao encerrar a leitura da Zero Hora (mesmo discordando, faço questão de ler o jornal, para poder criticar), me dirigirei à seção “Há 30 anos em ZH” e lerei a terrível frase: AS NOTÍCIAS ABAIXO FORAM PUBLICADAS NA EDIÇÃO DE QUINTA-FEIRA, 15 DE OUTUBRO DE 1981.

Lembram de tudo o que falavam do ano 2000? Que diziam que o mundo ia acabar? É… Lá se vão oito anos. E o tão falado “bug do ano 2000” não aconteceu: os computadores continuaram funcionando normalmente.

A última vez que a seleção principal da Argentina ganhou um título foi em 1993. Parece que foi ontem, mas já se passaram quase 15 anos.

Também é muito sintomático de que estou ficando velho o fato de meus ídolos recentes no futebol serem mais novos do que eu. Cito os exemplos de Carlos Eduardo e Anderson, nascidos respectivamente em 1987 e 1988.

E a minha primeira paixão? Ela tinha 18 anos, hoje tem 28 (e está casada). Aquela fossa que entrei quando ela me disse “não”… Foi há dez anos atrás!

Realmente, o tempo voa.

Resoluções de ano novo

Nos últimos dias de dezembro, dificilmente as pessoas não fazem planos para o novo ano que se iniciará. Há os que, tais como Luiz Fernando Verissimo e eu, decidiram fazer a seguinte “resolução de ano novo”: não fazer mais resoluções de ano novo. Afinal, são aquelas decisões que geralmente tomamos quando estamos podres de bêbados, já que nesta época o que mais fazemos, depois de comer, é beber.

Mas como é difícil escapar disso, nada melhor do que fazer promessas absurdas, traçar metas impossíveis… Afinal, se no dia 2 de janeiro eu já as estiver descumprindo, tenho a desculpa de que estava bêbado.

Assim, eis algumas coisas que pretendo fazer em 2008:

  • Conquistar a Scarlett Johansson;
  • Não deixar atrasar nenhuma leitura na faculdade;
  • Parar de beber;
  • Me livrar do vício em café;
  • Torcer para o Inter ser camp (ops, aí a piada já é de mau gosto!).