Por que difamam a Geral

Ao ler o texto do Guga Türck, no Alma da Geral, eu deixaria um comentário que, de tão comprido, percebi que era melhor postar aqui no Cão.

O assunto era a matéria veiculada em rede nacional sobre a prisão de dois neonazistas, “torcedores” do Grêmio, que esfaquearam um punk após o Gre-Nal de 16 de setembro. O problema, é que na hora já disseram que eles eram integrantes de uma “facção da torcida do Grêmio que fica atrás de um dos gols e que faz o movimento conhecido por avalanche”. Pronto: já associaram a Geral do Grêmio ao neonazismo. Para todo o Brasil ver!

Sou totalmente a favor de que sejam banidos dos estádios de todo o Brasil e do mundo quaisquer simpatizantes de movimentos neonazistas, que mancham o esporte com sua ignorância – provavelmente muitos deles não têm idéia do horror que foi o regime nazista. O que não dá, é para aceitar a mentirosa associação em rede nacional da Geral – e do Grêmio também – a tais barbaridades.

Há tempos que a Geral do Grêmio sofre perseguição por parte da mídia, mas isto foi o cúmulo. O Guga perguntou no texto dele: “a quem serve isso?”. E eu respondo: serve aos que sempre detiveram o poder, e que temem o exemplo da Geral.

Tal exemplo não é simplesmente a forma de torcer, que já se espalha pelo país e provocou uma verdadeira revolução nas arquibancadas do Olímpico: antes da Geral surgir, haviam umas três ou quatro torcidas organizadas que competiam entre si (inclusive na porrada) e cantavam músicas que exaltavam mais a elas mesmas do que ao Grêmio; já as músicas da Geral são dedicadas exclusivamente ao Grêmio, e mais, o Olímpico inteiro canta junto!

Acredito que o temor se deve à maneira como a Geral surgiu e cresceu: “desorganizadamente”. Não quer dizer que não haja uma espécie de organização – se não houvesse não teria como o estádio inteiro cantar junto -, mas sim que ela não é uma torcida organizada com uniforme e associação a ela, como acontecia com as anteriores. A adesão à Geral se dá assistindo aos jogos atrás do gol, ou simplesmente cantando junto. Tem gente que não gosta de fazer avalanche (eu sou um dos que não gostam) mas que canta junto, mesmo em outros setores do estádio (como as sociais, onde geralmente vou).

Enquanto a mídia vai querer de tudo que é forma associar a Geral do Grêmio com movimentos neonazistas, ao meu ver ela lembra algo totalmente oposto, que é o anarquismo: há organização (uma espécie de autogestão), mas não poder constituído (chefe da torcida, “presidente”). Lá, quando se é sócio, é do Grêmio, não da Geral. Como já falei, para ser da Geral, basta querer. Não é preciso preencher nenhuma ficha de associação ou coisa parecida, é só cantar junto, é só apoiar o Grêmio o tempo inteiro, independentemente da situação. Não tem como alguém ser expulso por divergir das lideranças: elas não existem!

Tanto que ano passado, após o incêndio dos banheiros químicos naquele Gre-Nal do Beira-Rio, a direção do Grêmio acabou com a subvenção às torcidas organizadas. E a Geral seguiu, pois não é uma organizada. Nenhum decreto poderá acabar com ela.

Não é a toa que a frase-símbolo da Geral é JAMAIS NOS MATARÃO.

Pois bem: este movimento sem líderes mas que tem milhares de adeptos surgiu em apoio a um time de futebol. Imaginem se algo semelhante surgisse na política?

Claro que há pessoas interessadas em fazer bagunça que se infiltram na Geral, assim como havia nas antigas organizadas. Aproveitam-se do “anonimato” por estarem em meio a uma multidão – mas hoje em dia sua tarefa não é tão fácil, como prova a absolvição do Grêmio no julgamento pelos foguetes no Gre-Nal, que aconteceu porque as câmeras de monitoramento flagaram o imbecil que jogou as bombas. Mas não se pode, a partir da atitude de uma minoria, rotular negativamente todos os que apenas querem torcer para o Grêmio.