A noite em que terei de torcer pelo vermelho

Não tenho nada contra a cor vermelha. Muito pelo contrário. Na política, não tenho vergonha nenhuma de dizer que sou vermelho, já que esta é a cor associada com a esquerda. Tanto que, nos tempos em que eu “bandeirava” para o PT (ou seja, até 2004), a bandeira sempre foi vermelha. Nunca quis a azul.

Mesmo no futebol, não posso dizer que basta um time vestir vermelho para merecer meu ódio mortal. Para citar um exemplo: nas quartas-de-final da Copa do Mundo de 1994, na mesma tarde torci por dois times que jogaram de vermelho: primeiro para a Bulgária nos 2 a 1 contra a Alemanha; e depois para a Romênia que, vermelha da cabeça aos pés, infelizmente acabou eliminada pela Suécia nos pênaltis. Tudo bem, eram os uniformes reservas, mas eram vermelhos. E naquela mesma Copa também torci por outra seleção vermelha, a Bélgica – neste caso, era a cor do uniforme titular.

Ou seja, só abomino a cor vermelha do rival do Grêmio. Então, não terei nenhuma dificuldade em torcer pelo Independiente nesta bizarra noite. (Mas para quem não consegue de forma alguma torcer pelo vermelho, resta a alternativa de secar o Goiás…)

Sem contar que não chega a ser uma novidade. Em 1983, o Grêmio precisou de uma ajudinha do vermelho América de Cali para chegar à final da Libertadores. O time colombiano já estava eliminado, mas se segurasse o empate com o Estudiantes, classificaria o Tricolor para a decisão; se os argentinos vencessem, ficariam com a vaga.

Acabou 0 a 0. O resto da história, todos conhecem…

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