Vexame

Foi em 2009 que o Impedimento promoveu sua hilária série “Top 10 – humilhações”, sobre os principais fiascos de vários clubes brasileiros – com textos produzidos por torcedores dos times humilhados. Sobre os vexames do Grêmio, concordo com alguns, outros eu acho que poderiam ser substituídos por jogos ainda mais vergonhosos.

Pois a partida de quinta seria digna de integrar tal lista, se feita agora. Pois o Grêmio não simplesmente perdeu jogando horrivelmente mal: o Oriente Petrolero já estava eliminado, logo, decidiu poupar titulares para a competição que pode vencer, que é o Campeonato Boliviano. Mas, ainda que jogasse com força máxima, ainda assim a vitória era obrigação para o Tricolor, mesmo sem Douglas.

Não havia a desculpa da altitude, visto que a partida era em Santa Cruz de la Sierra (416 metros, mais baixo que Gramado). E lembremos que o Grêmio já venceu quatro partidas “acima das nuvens” em Libertadores passadas – curiosamente, todas por 2 a 1: Bolívar, em La Paz (1983); El Nacional, em Quito (1995); América, na Cidade do México (1998) e Aurora, em Cochabamba (2009).

Mas o pior nem é o que aconteceu na Bolívia. Pois acontece muitas vezes de um time vir bem, e numa partida simplesmente tudo dar errado. O problema, é que o jogo de quinta não foi exatamente uma exceção em 2011: o Grêmio só ganhou o primeiro turno do Gauchão porque o Caxias abdicou de jogar futebol no 2º tempo daquela decisão; se classificou como um dos piores segundos colocados na Libertadores, num grupo em que poderia ter sido um dos melhores primeiros; e são raras as boas atuações neste ano (só lembro de duas: contra o Ypiranga, nas quartas-de-final do primeiro turno do Gauchão; e semana passada contra o Júnior Barranquilla).

Na quinta, as coisas “apenas” foram piores, com Escudero tropeçando duas vezes na bola, Borges perdendo gol a la Jonas, Gabriel jogando nada e fora de posição (se na lateral já não andava muito bem…), Rodolfo sendo expulso de forma estúpida, e o segundo gol do Oriente Petrolero deu uma amostra do que foi o time do Grêmio na partida: o último “defensor” no lance era Vinícius Pacheco – afinal, onde é que estava a zaga?

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Péssimo resultado

O Grêmio poderia ter goleado o Universidad de Chile ontem, mas não passou de um 0 a 0. Do jeito que as coisas iam, poderia jogar até amanhecer, e o gol não sairia.

Agora, com o dever de casa não feito, tornou-se obrigação vencer pelo menos uma fora de casa, para não passar sufoco na busca pela classificação. Dois dos três jogos fora são nos Andes: o primeiro contra o Boyacá Chicó, em Tunja; o outro contra o Aurora, em Cochabamba.

Os adversários podem não ser os mais famosos, mas altitude sempre atrapalha. Prova disso é que um tal de “campeão de tudo” apanhou nos 705 metros acima do nível do mar de Veranópolis em 2007, e semana passada sofreu com os vertiginosos 227 metros de Rondonópolis.

Resolução da FIFA

A FIFA decidiu proibir a realização de jogos internacionais em altitudes superiores a 2.500 metros. Isso serve para “preservar a saúde dos jogadores”. Em fevereiro, foi destaque na imprensa brasileira o time do Flamengo tendo de respirar em balões de oxigênio durante um jogo em Potosí (Bolívia), a 4.000 metros de altitude. A FIFA, com isto, busca evitar que seleções se beneficiem da altitude para vencer adversários, como a Bolívia faz mandando seus jogos nos 3.600 metros de La Paz.

Seria até justo se a FIFA tivesse moral para impor esta proibição. Nas Copas do Mundo de 1986 (México) e 1994 (Estados Unidos), as principais partidas – além da decisão – foram disputadas ao meio-dia local, em pleno verão. Acima da “saúde dos jogadores”, estava o interesse das emissoras de televisão européias: ao meio-dia na Cidade do México e em Los Angeles (sedes das finais das duas Copas) correspondia o início da noite na Europa, quando a maior parte das pessoas chegava em casa, assistia aos jogos e assim havia uma grande audiência.

Além disso, é muita sacanagem proibir clubes de cidades como La Paz ou Quito de jogarem partidas internacionais em seus estádios – as seleções ainda se entende, pois a Bolívia, por exemplo, não se encontra toda acima das nuvens, em Santa Cruz de la Sierra a altitude não atrapalha. Os times serão punidos pelo crime de terem sido fundados nas capitais de seus países! E não é impossível vencer na altitude: na Libertadores de 1983 o Grêmio enfrentou o Bolívar em La Paz e venceu; assim como no ano passado o Inter derrotou o Pumas na Cidade do México (não é tão alto como La Paz, mas 2.300 metros já atrapalha um pouco).

Se o negócio é “preservar a saúde”, então a FIFA deveria baixar resoluções proibindo jogos ao meio-dia (como ela própria promoveu nos Mundiais de 1986 e 1994), em Belém do Pará à tarde (devido ao calor excessivo) etc. Deveria também proibir jogos em horários absurdos como 21h45min (que serve para a televisão, já que a Globo não aceita mudar o horário daquela bosta de novela para passar um jogo), enquanto o torcedor, em sua maioria, trabalha e precisa acordar cedo no dia seguinte.

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Baseado na resolução da FIFA, acho que vou entrar com um pedido de dispensa das aulas em dias de muito calor. Afinal, eu preciso ir até o Campus do Vale da UFRGS, na maioria das vezes em ônibus sem ar-condicionado (ou seja, muito quentes), suando muito – ou seja, me desidratando. Logo, é um prejuízo à minha saúde.

Acho que todos deveríamos fazer ações semelhantes.