E se o café fosse proibido?

Ou, “por que a política proibicionista está fadada ao fracasso”. Esta frase resume o que diz no vídeo abaixo Ethan Nadelmann, fundador da Drug Policy Alliance (entidade que se opõe à chamada “guerra contra as drogas” patrocinada pelos Estados Unidos).

Aliás, a História tem um bom exemplo de fato semelhante. Em 1º de janeiro de 1920, entrou em vigor uma emenda à constituição dos EUA que proibia produção, transporte e venda de bebidas alcóolicas no país. Era a famosa “Lei Seca”, que tinha grande apoio popular em seus primeiros tempos: dizia-se que o álcool era a causa de boa parte dos males que afligiam a sociedade estadunidense. Ou seja, era aquele velho e sedutor discurso de “proteger a família”, ou “defender a moral e os bons costumes”.

Porém, o “remédio” mostrou ser pior que a “doença”. A Lei Seca não fez quem bebia deixar o álcool: o comércio ilegal de bebidas alcóolicas (igual ao tráfico de drogas) faturou muito. O crime organizado cresceu como nunca nos EUA: foi o auge dos grupos mafiosos, sendo que o mais famoso deles foi o de Chicago, liderado por um tal de Alphonse Gabriel Capone, mais conhecido como Al Capone.

A popularidade da Lei Seca se esvaiu com o aumento do crime organizado, e consequentemente ela acabou revogada em 1933. Afinal, o governo percebeu que a proibição do álcool não só beneficiava as máfias, como também significava menor geração de empregos (e arrecadação de impostos) quando os EUA tentavam sair da crise econômica iniciada em 1929.

Manobrista bêbado

Quem aceitaria que seu carro fosse estacionado por um manobrista bêbado? Em sã consciência, ninguém…

Trata-se de uma genial campanha de dois bares em São Paulo – aliás, são os mesmos que cobraram “valores absurdos” de seus clientes, como forma de lembrar a eles que dirigir alcoolizado pode sair muito caro do que pegar um táxi.

O custo de dirigir alcoolizado

Ideia genial de dois bares em São Paulo: adicionar à conta dos clientes todas as possíveis despesas proporcionadas pelo fato de saírem dali dirigindo após consumirem bebidas alcóolicas. Já que a morte em um acidente parece não assustar, é preciso “doer no bolso”. Como disse o Hélio Paz, “esta é a linguagem ideal para se atingir uma juventude consumista e individualista”.

Voltar de táxi sai muito mais barato. E permite tomar aquela cerveja gelada sem preocupações.

O cigarro e eu

Quem já me viu perto de fumantes, sabe o quanto sou chato… Êta fumacinha desgraçada! O fato do meu pai e da minha mãe serem fumantes apenas ajuda a aumentar minha repulsa por essa (autêntica) droga.

Cheiro de cigarro é simplesmente horrível. Tão ruim, que acredito detestá-lo mais do que o verão de Porto Alegre. Aquele calorão pode ser nojento, me deixar de mau humor… Mas, em si, ele não mata: as doenças típicas do verão – como a dengue – podem ser prevenidas mesmo que a temperatura mantenha-se alta.

Já o cigarro, causa no mínimo um câncer. E o pior de tudo, é que aquela fumaça maldita é mais maléfica para quem não está com o cigarro na boca: afinal, a porcaria tem filtro que impede o fumante de aspirar todo o lixo contido no negócio. Ou seja, quem acompanha o “chaminé” corre mais risco: guardadas as proporções, andar com um fumante é como ter uma Chernobyl ambulante ao lado (afinal, radiação também causa no mínimo um câncer).

Ou seja, quem me conhece acha que eu devo adorar “leis antifumo”, como a que começou a vigorar em São Paulo, e a que já existe em Porto Alegre (não sei se é exatamente igual à paulista). Mas, incrivelmente, eu sou contra. Por quê?

Simples. Apesar do cigarro ser uma droga (literalmente), fazer mal à saúde etc., acho que a melhor maneira de combatê-lo é a educação: ou seja, divulgando o máximo possível os malefícios causados por ele, tornando as pessoas conscientes disso. Assim como, é claro, os fumantes aprenderem que nem todo mundo gosta de cigarro e daquela fumaça desgraçada, e assim evitarem fumar junto a quem não se mata aos poucos.

Sem contar que não vejo lógica em uma lei que proiba o fumo em tantos lugares, sendo o cigarro uma droga legalizada. Ou seja, o fumante pode comprar cigarro (pagando uma porrada de imposto – e tem que pagar mesmo) mas ao mesmo tempo não pode consumi-lo mesmo em alguns locais abertos.

Porém, e se um dono de bar decidir que seu estabelecimento é “exclusivo para fumantes”? Afinal, não haveria conflitos, visto que quem não fuma não entraria. Já aconteceu em Porto Alegre, logo que a lei antifumo passou a vigorar por aqui: o proprietário colocou uma placa em frente avisando que o bar era “exclusivo para fumantes”, mas alguém chamou a Brigada, o que gerou confusão.

E já que falei em bar, não custa nada lembrar a estúpida proibição ao álcool nos estádios de futebol. Venderam isso como a solução para a violência entre as torcidas, e assim desde o Campeonato Brasileiro do ano passado não se pode tomar uma cervejinha gelada durante o jogo. Mas, no dia 16 de novembro de 2008, uma briga entre torcidas gremistas após o jogo Grêmio x Coritiba terminou em tiroteio e pessoas baleadas em estado grave no HPS. E a motivação é bem mais séria do que uma simples desavença provocada por umas cervejas a mais.

O que eu quero dizer com tudo isso? É que utilizando-se de motivos nobres – como o combate aos malefícios causados por uma droga – o Estado vai se “bigbrotherzando” aos poucos. Uma coisa é a defesa da saúde do cidadão e a repressão ao crime, outra é usá-las como desculpas para controlar o dia-a-dia e os costumes das pessoas. Afinal, o que é a Lei Azeredo?

Hoje, os vilões são os pedófilos, os fumantes e os torcedores que gostam de tomar uma cervejinha no estádio (claro que não todo o estoque do bar, aí sim é coisa de bebum!). No futuro, poderão ser todas as pessoas que não se encaixem no padrão para uma “sociedade ideal”. Ou seja, que sua aparência, seus costumes, seus hábitos, não agradem a quem detém o poder.

A “lei seca” não existe

Não, caro leitor. O título que escolhi não é equivocado.

“Lei seca”, no Brasil, só em dia de eleição. E nem sei se dá para dizer que é “lei seca”, pois não criminaliza o consumo de bebidas alcóolicas e sim a comercialização, o que é muito diferente. Posso muito bem comprar uma caixa de cerveja no próximo dia 4 de outubro e beber tranqüilamente no dia 5, e não serei preso – a não ser que a bebedeira me leve a causar problemas em alguma seção eleitoral.

O que é proibido, agora, é dirigir depois de beber. Pode-se até dizer que a lei é muito rigorosa, que bastava fazer a lei anterior ser cumprida. Mas é fato que houve redução no número de acidentes de trânsito após entrar em vigor a atual lei.

Que continue em vigor, e bastante fiscalizada, essa lei tão detestada por tantos. Que tenhamos menos carros nas ruas. A mim, a lei não prejudicou, já que bebo sem me preocupar em ter que dirigir depois. E eu não trocaria minha cervejinha por um carro.

Leia aqui artigo do jornalista Bruno Ribeiro a respeito da “lei seca”.

Resoluções de ano novo

Nos últimos dias de dezembro, dificilmente as pessoas não fazem planos para o novo ano que se iniciará. Há os que, tais como Luiz Fernando Verissimo e eu, decidiram fazer a seguinte “resolução de ano novo”: não fazer mais resoluções de ano novo. Afinal, são aquelas decisões que geralmente tomamos quando estamos podres de bêbados, já que nesta época o que mais fazemos, depois de comer, é beber.

Mas como é difícil escapar disso, nada melhor do que fazer promessas absurdas, traçar metas impossíveis… Afinal, se no dia 2 de janeiro eu já as estiver descumprindo, tenho a desculpa de que estava bêbado.

Assim, eis algumas coisas que pretendo fazer em 2008:

  • Conquistar a Scarlett Johansson;
  • Não deixar atrasar nenhuma leitura na faculdade;
  • Parar de beber;
  • Me livrar do vício em café;
  • Torcer para o Inter ser camp (ops, aí a piada já é de mau gosto!).

Carnificina motorizada

Tantas mortes no trânsito durante o feriadão de Natal é um absurdo. São necessárias medidas drásticas para que tal estupidez não volte a acontecer – se bem que provavelmente acontecerá na próxima semana, no Ano Novo se bebe muito mais do que no Natal.

Além de reduzir o número de carros nas ruas, é preciso que os motoristas sejam mais prudentes. E para isto não basta campanha na mídia com todos os colunistas vestindo a camiseta. É preciso rigor nas punições.

Para a embriaguez (maior responsável pelas mortes no trânsito), por exemplo: quem fosse flagrado dirigindo bêbado deveria ser preso (como acontece em muitos países), ter a carteira de motorista cassada e, além disto, ser proibido de dirigir pelo resto da vida.

Tenho certeza de que o número de acidentes cairia drasticamente.