É sempre bom lembrar

“Noite e Neblina” (vídeo acima) é um documentário produzido pelo francês Alain Resnais, em 1955, por ocasião do 10º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial. Tem o grande mérito de denunciar não só os figurões do nazismo, como também as grandes corporações alemãs de terem mantido campos de concentração para a exploração de mão-de-obra escrava durante o Holocausto.

Não faltam imagens chocantes ao longo dos 30 minutos de filme – e acho que é realmente necessário chocar as pessoas, para que tenham ideia do horror que significou tudo aquilo, e desta forma se corra menos risco de que se repita. Afinal, como é lembrado ao final, não podemos pensar que tais fatos se resumem a um país, em uma época.

Não seria o caso de “Noite e Neblina” ser maciçamente exibido no país natal de seu diretor? Afinal, nos últimos tempos a xenofobia tem crescido muito na França; e nos episódios mais recentes, o país tem deportado ciganos oriundos de Bulgária e Romênia – países que integram a União Europeia desde 2007, e por conta disso seus cidadãos têm direito ao livre trânsito entre os países-membro da UE – e também proibiu as mulheres muçulmanas de usarem véu.

Há uma tendência crescente, e por isso mesmo cada vez mais perigosa, de se culpar os imigrantes por todos os problemas. Isso é muito forte hoje em dia na França, mas também se verifica em vários outros países, na Europa e fora dela, como nos Estados Unidos e mesmo no Brasil – onde a xenofobia se dá até entre brasileiros.

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Noite e Neblina

Um documentário de meia hora, que vale por uma aula inteira sobre o Holocausto. Trata-se do excelente “Noite e Neblina”, dirigido pelo francês Alain Resnais. As legendas são em espanhol, não encontrei em português.

O filme foi produzido em 1955, por ocasião do 10º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial, baseado em documentos – dados, fotos e filmes – deixados pelos próprios nazistas. E um de seus grandes méritos é, já naquela época, acusar não apenas os figurões do nazismo, como também as grandes corporações alemãs de manterem campos de concentração, para a exploração de mão-de-obra escrava. Pois nem todo mundo foi julgado em Nurenberg.

Também não faltam imagens chocantes, e não digo isso para “prevenir” quem se impressiona com facilidade. No final de “Noite e Neblina”, o diretor alerta: não podemos pensar que tais fatos se resumem a um país, em uma época. Por isso, é preciso chocar as pessoas mesmo, mostrar a elas o horror que significou tudo aquilo, para corrermos menos riscos de que se repita. Ainda mais considerando os tempos em que vivemos.