Perguntas que não querem calar

Charge do Eugênio Neves

Se a aprovação das alterações no Código Florestal era tão importante para o agronegócio no Brasil, por que motivos ele vinha tendo desempenho tão destacado nos últimos tempos? Será que tudo que li sobre isso era mentira?

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Toda a discussão sobre o Código Florestal me fez lembrar de um texto do Luis Fernando Verissimo, publicado em meados de 2003, sobre a liberação dos transgênicos. Dizia ele que, na dúvida sobre ser a favor ou contra (por não ter opinião totalmente formada), escolheria o lado mais simpático – e que, desta forma, era “anti-transgênico desde criancinha”.

O mesmo vale para mim nessa questão do Código Florestal (embora eu não tenha muitas dúvidas). O que eu sei sobre ele, é de deixar os cabelos em pé: redução de APPs, não-obrigatoriedade da manutenção de reserva legal em propriedades rurais… Pelo visto “esquecem” que a maioria das tragédias causadas pelas chuvas no Brasil poderia ter sido evitadas se tais áreas não fossem devastadas. Além de outros absurdos, que o leitor pode conferir aqui e aqui.

E quando vejo os “ruralistas” fazendo pressão pela aprovação da proposta do “comunista” Aldo Rebelo para as alterações no Código Florestal (assim como fizeram pela liberação dos trangênicos), penso que coisa boa não pode ser. Nunca vi com simpatia essa turma – que se preocupa mais com seus lucros do que com as gerações futuras – e não seria agora que mudaria de ideia. Sou contra “desde criancinha”.

No dia 5 de agosto de 2009…

Charge do Santiago publicada no blog da GRAFAR

Charge do Santiago publicada no blog da GRAFAR

Começamos a perceber, realmente, o fim do pior governo da História do Rio Grande.

Um desastre tão grande, que é raro se ver alguém que admitiu ter votado na Yeda. É preciso coragem para admiti-lo, frente a pessoas que não sejam conhecidas.

Alguns amigos meus que votaram nela, admitem o fato – pelo menos para mim – porque eu os conheço. Sei que votariam até no diabo (se ele existisse), contra o Olívio “que mandou a Ford embora”: sim, porque apesar dele ter feito um bocado de coisas boas (procurou incentivar a agricultura familiar ao invés do agronegócio, a pequena empresa ao invés da grande, criou até uma universidade pública que hoje está sucateada graças à sequência de dois governichos após a sua saída do Palácio Piratini, e tem muito mais), a Ford não quis ficar por aqui sem receber de mão beijada o nosso dinheiro, e por isso o Olívio tinha de ser condenado ao fogo do inferno.

Talvez os meus amigos – tanto os que admitem quanto os que escondem o voto na Yeda – pensem que eu estou adorando tudo o que está acontecendo agora, mas os frustrarei. Fico é triste, por ver que o Rio Grande do Sul perdeu mais quatro anos graças a um estúpido sentimento de “anti-PT”. Graças a uma mídia canalha, que criou tal sentimento, que inventou uma “guerra” que precisava ser “pacificada”.

O Rio Grande ficou “em paz”, mas sem governo, e mergulhado em um mar de lama.

Desse jeito, só nos resta rir… Para não chorar.

Charge do Kayser

Charge do Kayser

Há 20 anos, o “progresso” matava o defensor da floresta

No dia 22 de dezembro de 1988, foi assassinado Francisco Alves Mendes Filho – que o mundo todo conhecia como Chico Mendes.

Chico lutava pela Amazônia, que era também o meio de subsistência dos seringueiros como ele. A expansão do agronegócio levava à derrubada das árvores, privando os seringueiros de seu sustento.

Logo, uma luta que parecia apenas em defesa de uma classe de trabalhadores, tornou-se pela natureza e, conseqüentemente, pela humanidade. Chico Mendes chamou a atenção do mundo para a ação predatória e violenta dos fazendeiros do Acre contra a floresta e os trabalhadores.

Por defender o “atraso” que é a preservação da Amazônia, Chico foi vítima do “progresso”. Mas o mundo não o esqueceu. Jamais o esquecerá.

Chico Mendes sempre estará ao lado de cada um que lute pelo meio ambiente!