Julho amaldiçoado

Acabo de saber que um avião da Air Algérie que se dirigia de Burkina Faso para a Argélia caiu, com 116 pessoas a bordo. Mais um…

Neste julho de 2014 já tivemos outros dois aviões no chão. Além daquele da Malaysia Airlines lá na Ucrânia (e que ainda não se sabe quem o derrubou), ontem uma outra aeronave caiu em Taiwan após tentativa de pouso em meio a um tufão que atingia a região.

Este mês também é péssimo para a literatura brasileira. Três escritores se foram: João Ubaldo Ribeiro, Rubem Alves e Ariano Suassuna.

No futebol, mais perdas. A Copa do Mundo teve sua organização elogiada, mas a Seleção Brasileira levou 7 a 1 da Alemanha (que ainda ganhou o título, quebrando a escrita de nunca uma seleção europeia ter sido campeã na América). No tocante à crônica esportiva, tivemos a triste notícia de que o Impedimento (melhor página de futebol do país) deixará de ser atualizado após a Libertadores.

Relacionada à Copa, a questão dos ativistas presos e processados, acusados por violência em protestos antes mesmo deles acontecerem (não me parece coincidência as prisões terem se dado na véspera da final da Copa, e as razões para elas seguem nebulosas). A “Sininho” não é a “Che Guevara” que os esquerdistas mais cegos dizem que é, mas também não é uma “Bin Laden” como a velha imprensa procura pintar – discurso repetido, tristemente, por alguns petistas tão cegos quanto os ultraesquerdistas, não percebendo que quem sai mais prejudicado com a polêmica é justamente o governo Dilma, dado que muitas pessoas não sabem distinguir as diversas esferas governamentais (federal, estadual e municipal) e também esquecem que os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário são independentes uns dos outros.

Tudo isso num só mês, e que ainda tem uma semana pela frente… Será que não dá para “pular” estes sete dias e começar agosto amanhã?

O mês em que o inverno enlouqueceu junto com os cães

Sempre ouvi dizer que agosto é o “mês do cachorro louco”. Não que eles de fato fiquem loucos nesta época: tem alguns que parecem estar sempre “malucos”, pouco importando o mês.

Imaginei que a tal “loucura” dos cães que é atribuída a agosto na verdade tivesse relação com a expressão “dias de cão” ou “canícula”, usadas para definir o auge do verão no hemisfério norte (e na França, as ondas de calor em qualquer época são chamadas de canicule). Lá, assim como aqui, os dias mais quentes costumam vir cerca de um mês após o solstício de verão: Porto Alegre costuma virar “Forno Alegre” com mais frequência entre o final de janeiro e a metade de fevereiro; já no hemisfério norte o calor mais intenso se dá entre o fim de julho e o meio de agosto.

E realmente, tem a ver com a tal “canícula”. Pois a estrela Sírius, a mais brilhante da constelação de Cão Maior (Canis Major), antigamente costumava surgir no horizonte antes do nascer do Sol justamente no período que corresponde ao auge do verão no hemisfério norte (hoje em dia, devido à precessão do eixo terrestre, a estrela “nasce” pouco antes do Sol em setembro). Daí se começou a associar os dias de muito calor aos cães que ficariam “loucos”.

Acredito que seja apenas coincidência, mas o vídeo abaixo foi postado em 27 de julho de 2006, portanto, em um dos “dias de cão” daquele ano:

Já deve ter gente rindo da minha cara, é óbvio. Afinal, detesto o verão, e os “dias de cão” são associados a calorão… Porém, prefiro outro ponto de vista: trata-se do verão no hemisfério norte, portanto, os “dias de cão” acontecem durante o inverno meridional. Logo, são realmente os “meus” dias.

Porém, neste agosto de 2012 parece que, se os cães enlouqueceram, o “rigoroso” inverno gaúcho resolveu imitá-los. Nas últimas noites, tenho ligado o ventilador para dormir, algo que não lembro de ter feito alguma vez nessa época do ano. (Inclusive ele está funcionando agora mesmo, enquanto escrevo.)

Mas não se trata apenas de ligar ventilador. Os ipês-roxos, que costumam florescer apenas em setembro e assim anunciam a chegada da primavera, já estão floridos agora. Ainda não vejo sinal de florescimento nos jacarandás (árvores que geralmente se enchem de flores em outubro), mas acredito que isso não deva tardar, devido ao tempo bizarro que temos visto em agosto.

As árvores floridas dão uma embelezada na cidade; porém, há o outro lado disso. Pois este mês quente também tem sido extremamente seco (dá para contar nos dedos de uma só mão quantos dias choveu até agora em agosto). A umidade relativa do ar tem andado em torno dos 20%, o que por um lado causa um desconforto menor pelo suor (que evapora rapidamente e sem nos dar aqueles “banhos” típicos do verão, quando a umidade é desesperadoramente alta), mas por outro resulta em outros problemas como ressecamento da pele e até das narinas (tanto que muita gente acaba sangrando pelo nariz, devido à secura do ar respirado).

Mas o pior é um fenômeno típico de São Paulo que tem nos atingido nos últimos dias: o chamado smog, que é literalmente um “nevoeiro de fumaça” (ou seja, poluição atmosférica). Toda vez que chove, o ar é “limpo” pela água que cai do céu; se por muitos dias a chuva não vem, o resultado não pode ser outro que não aquela névoa sobre a cidade. Quando o sol começa a baixar, ela fica mais perceptível. Resulta em um efeito bacana, mas logo depois lembro que a causa disso é um monte de porcarias no mesmo ar que adentra meu sistema respiratório, e já não acho mais tão bonito.

Porto Alegre, no final da tarde de sexta-feira. Parece bonito, mas não é.

Menos mal que, finalmente, a chuva está retornando junto com o frio…

Em defesa de agosto

Navegando por Twitter e (principalmente) Facebook, vejo que tem muita gente feliz porque agosto está acabando. Parece que, realmente, trata-se de um “mês do desgosto”. E por isso, detestado.

Como bom “do contra” que sou, nunca tive nada contra agosto (que jamais acharei pior que os meses de verão – exceto março, que gosto por ser o início do outono no calendário, no dia 20). Já houve anos em que o oitavo mês foi realmente “do desgosto” para mim, mas nunca esqueço de um agosto em particular, muito glorioso. Foi em 1995.

Naquele agosto, o Grêmio disputava as partidas decisivas da Libertadores. A primeira foi um dos jogos mais sofridos que me lembro: no dia 2, o Tricolor podia perder por quatro gols de diferença para o Palmeiras, que se classificaria para a semifinal. E se classificou assim mesmo: perdendo por 5 a 1.

No dia 10, em plena tarde, o Grêmio disputou contra o Emelec o primeiro jogo da semifinal: empate em 0 a 0, debaixo de um solaço em Guayaquil. Seis dias depois, no Estádio Olímpico, vitória de 2 a 0 e vaga na final assegurada.

A decisão foi contra o Nacional de Medellín. O primeiro jogo foi disputado no Olímpico, na noite de 23 de agosto: 3 a 1 para o Grêmio, que assim foi para a Colômbia podendo perder por um gol de diferença.

O jogo decisivo foi disputado em 30 de agosto. A torcida do Nacional lotou o estádio Atanásio Girardot e fez uma bela recepção a seu time. Que abriu o placar, com Aristizábal, aos 12 minutos do 1º tempo, transformando a decisão num drama: o Grêmio não poderia levar outro gol, sob pena da decisão se dar nos pênaltis. E era muito cedo… O Tricolor teria de buscar o empate ou resistir 80 minutos.

Mas o Grêmio não precisou segurar até o fim. Aos 40 do 2º tempo, Alexandre invadiu a área do Nacional e foi derrubado. Pênalti, convertido por Dinho: 1 a 1, e a Libertadores era nossa, de novo!

Na tarde do dia seguinte, a melhor “aula” dos meus anos (1989-1996) de Marechal Floriano: os professores não tiveram outra alternativa senão liberar os alunos para verem o Grêmio passar pela Farrapos no caminhão dos bombeiros… Nem os colorados reclamaram!

Já está marcada a nova "Marcha da Família com Deus pela Liberdade"…

Mas claro que não exatamente com este nome.

Só digo que ela acontecerá já no próximo mês. Agosto.

Para quem acredita em superstições (eu não acredito desde 20 de junho, quando o Grêmio perdeu a Libertadores que os números diziam que já era dele), mais um motivo para preocupação: assim como em 2007, em 1963 teve Jogos Pan-Americanos no Brasil.

O novo IBAD já foi lançado. O próximo passo é a Marcha.

Tem gente que sente saudade dos tempos em que matérias de jornais eram abruptamente interr

Pudim de amêndoas

Ingredientes: 500g de açúcar, 500g de amêndoas moídas; 2 colheres de manteiga; 2 colheres de farinha de trigo; uma pitada de sal; 10 ovos.

Modo de fazer: Faça a calda em ponto de pasta, acrescente-lhe os outros ingredientes e misture bem. Ponha em fôrma untada com açúcar queimado. Cozinhe em banho-maria.