Desse jeito, não vai longe…

Eu até fui otimista. Achei que o Uruguai ganharia da França.

E sabem de uma coisa? Poderia ter ganho. Mas o meio de campo da Celeste Olímpica simplesmente não existe. Não consegue acertar uma boa sequência de passes, a bola dificilmente chega redonda para Forlán, um dos raros bons jogadores do time. E com a expulsão de Lodeiro (que fez apenas isso no jogo), o 0 a 0 ficou bom para o Uruguai.

Mas nem podemos dizer que o placar foi injusto, já que a França também não fez muito por merecer… Raymond Domenech deixou Henry no banco, e quando vi que ele iria entrar, imaginei que Anelka ganharia um companheiro no ataque, não que seria substituído.

A Copa mal começou, e já temos um jogo que é forte candidato a pior da competição.

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Em África do Sul x México, considero também justo o resultado – ao menos foi um jogo melhor. Os mexicanos dominaram o primeiro tempo, mas não tiveram competência para marcarem gols (que poderiam ser dois ou três). Já os Bafana Bafana foram melhor na segunda etapa – mas não tanto como o adversário na primeira.

Acho bem difícil a África do Sul passar de fase, mas é esperar para ver.

Começa a Copa 2010!

É hoje! Começa a Copa do Mundo de 2010, a primeira a se realizar no continente africano. Por um mês, os olhos do mundo estarão voltados para a África do Sul.

Peço desculpas ao leitor que não gosta de futebol, mas será impossível não tratar (bastante) do assunto aqui no Cão. Pois eu gosto do esporte, assim como muitos outros leitores.

E logo hoje, no primeiro dia, já tem um jogão envolvendo uma das seleções que despertam minha simpatia: o Uruguai, de Loco Abreu (quem diria…), enfrenta a França, de Henry e sua “mãozinha”. Com toda a minha torcida para a Celeste, é claro…

Mas torço ainda mais para que tenhamos uma bela Copa do Mundo. Pois a de 2006, convenhamos, foi fraquinha… Foram poucos os jogaços. E que ainda assim, não chegam nem aos pés de Romênia x Colômbia (1994), Romênia x Argentina (1994), Brasil x Holanda (1994), Bulgária x Alemanha (1994), Romênia x Suécia (1994), Nigéria x Espanha (1998), França x Paraguai (1998), Brasil x Dinamarca (1998), Holanda x Argentina (1998) e Brasil x Holanda (1998).

Pois é, como os leitores repararam, todas as partidas que citei são das Copas de 1994 e 1998. Tanto que a série “As Copas que eu vi”, foi mais uma desculpa para poder escrever sobre os Mundiais dos Estados Unidos e da França. Comecei por 1990 por uma questão de “ordem cronológica” (afinal, foi a primeira que eu vi), e falei sobre 2002 e 2006 porque também foram “Copas que eu vi” (apesar de muitos jogos em 2002 terem sido no meio da madrugada).

Que em 2010 tenhamos, enfim, jogos dignos de entrarem na minha “seleção”!

As Copas que eu vi: França 1998

O ano de 1998 começou de forma terrível para mim. Tão ruim que antes mesmo do Carnaval (que é quando começam, na prática, todos os anos no Brasil), eu já queria que chegasse logo 1999. Tudo por causa daquele 5 de janeiro, que considerei como o pior dia da minha vida por quase nove anos.

Mas, aos poucos, aquela dor perdeu boa parte de sua intensidade, e o ano de 1998 foi se transformando em ótimo. Primeiro, porque em abril foi confirmado que aconteceria em agosto a viagem a Montevidéu, para a realização de intercâmbio cultural entre o Colégio Marista São Pedro – onde cursei o 2º grau (1997-1999) – e o Instituto de los Jóvenes (IDEJO), colégio da capital uruguaia. Mas também porque se aproximava a Copa do Mundo da França. Enfim, chegava ao fim aquela longa espera de quatro anos iniciada em julho de 1994! E desta vez haveria mais jogos: o número de seleções participantes foi ampliado de 24 para 32. Continuar lendo

As Copas que eu vi

A Copa do Mundo se aproxima, faltam pouco mais de três meses para que seja dado o pontapé inicial. E o Cão Uivador, claro, não poderia ficar alheio ao grande evento do futebol mundial.

Claro que não estarei na África do Sul entre junho e julho (se bem que gostaria, parece que o inverno de lá é mais frio que o nosso). Mas isso não me impedirá de fazer comentários sobre os jogos, os favoritos, as zebras… Enfim, tudo aquilo que se fala quando há Copa do Mundo.

Mas também tenho outra pretensão, que é fazer um relato pessoal das Copas passadas – ou seja, as que assisti pela televisão. Lembrar fatos engraçados que aparentemente nada tinham a ver com futebol mas se deram em conjunto com algum jogão, momentos surreais durante uma final, assim como também algumas partidas que me marcaram pelo resultado ser totalmente oposto ao que eu esperava e até torcia (e mesmo assim, me fizeram gostar do que vi).

A série iniciará com a Copa do Mundo de 1990, a primeira que tenho lembranças (em 1986 eu tinha apenas 4 anos). Pensei em estabelecer um “calendário” para as postagens, de modo a garantir que, sempre no dia marcado, haveria um novo texto. Porém, optei por postar “sem aviso”: ou seja, quem desejar ler os textos na sequência, terá de acompanhar o blog… Melhor assim, pois também poderá ler sobre outros assuntos.

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Ah, só para avisar: o texto sobre a Copa de 1990 não será postado hoje…

Vejamos se eu acerto alguma

No site do Globo Esporte, tem um simulador dos grupos da Copa 2010. É só clicar e fazer “a sua Copa”. Mas os grupos de verdade serão decididos amanhã, pelo sorteio que será realizado na África do Sul.

Eu fiz o meu palpite. Vejamos se eu consigo pelo menos acertar um cabeça-de-chave além da África do Sul, que já se sabe, ficará no grupo A.

Documentário sobre a ocupação israelense na Palestina

Dirigido por Sufyan Omeish e Abdallah Omeish, o documentário “Occupation 101: Vozes da Maioria Silenciada” (que encontrei no Dialógico) tem 87 minutos de duração, e aborda a história da ocupação israelense na Palestina. Logo no início, fala sobre outros episódios de terrorismo de Estado, em que destaco o apartheid na África do Sul e uma fala de Nelson Mandela:

É inútil e fútil para nós continuar as conversações de paz e não-agressão contra um governo que revida e apenas ataca selvagemente as pessoas desarmadas e indefesas.

Deserto verde

Ontem, 21 de setembro, foi o Dia Internacional de Combate às Monoculturas de Árvores. Aqui no Rio Grande do Sul, o plantio de vastas áreas com eucaliptos é alardeado pela mídia como a salvação da economia do Estado.

O eucalipto é uma árvore nativa da Austrália. Consegue sobreviver com pouca água, devido ao clima seco predominante naquele país. Por isso, em regiões mais úmidas, como o sul do Brasil e a região do Prata, tal árvore cresce muito rapidamente (o que faz da monocultura do eucalipto uma atividade extremamente lucrativa em pouco tempo e com pouca mão-de-obra), devido à água em abundância no solo. Porém, ela cobra um preço: consome toda a água do solo, fazendo nascentes secarem, o que já acontece no Uruguai.

Tudo isso para que tenhamos papel. A indústria papeleira é uma das mais agressivas ao meio ambiente. Não é a toa que a instalação de fábricas de celulose na margem uruguaia do Rio Uruguai, fronteira com a Argentina, provocou fortes reações até mesmo do governo argentino.

Sem contar toda a destruição de matas nativas para o plantio de eucaliptos. Troca-se uma árvore adaptada ao meio por uma que suga toda a água do solo.

O que podemos fazer diante disso? O mínimo, é consumir menos papel. Imprimir textos apenas se necessário. Se possível, usar papel reciclado, apesar dele ser caro – o papel comum, produzido em escala industrial, é muito mais barato.

Veja os vídeos abaixo. Os dois primeiros, são um documentário (em espanhol) do Movimento Mundial pelas Florestas Tropicais (que lembra: boa parte do papel consumido no mundo é usado como folderes comerciais, ou seja, muito rapidamente vira lixo). E o terceiro, é uma campanha muito bem bolada da organização sul-africana Food & Trees for Africa.

Eleições do DCE da UFRGS

Na próxima terça-feira, 20 de novembro, inicia-se o processo eleitoral do DCE da UFRGS. Quatro chapas disputam o direito de representarem os estudantes da maior universidade do Rio Grande do Sul. A votação irá até a quinta-feira, dia 22.

Não conheço bem as propostas de cada chapa, mas sei de seus posicionamentos quanto às cotas: as chapas 1, 2 e 4 são favoráveis, enquanto a 3 é contrária.

Sou crítico à adoção de cotas por critério racial: reserva de vagas por cor da pele lembra reserva de espaços como acontecia na época do apartheid na África do Sul. Prefiro o critério social, baseado na renda. Reservar vagas de acordo com a cor da pele dá a impressão de que uma pessoa, por ser negra, é menos inteligente, quando na verdade o baixo número de negros na universidade deve-se à baixa renda e conseqüentemente um pior preparo para o vestibular. Ou seja: é por causa da pobreza na qual se encontra a maioria da população negra brasileira.

Não nego que exista racismo no Brasil (e existe muito!), mas no vestibular o problema não é racial, e sim social. E só adotar cotas não adianta: tem de ser medida de emergência, pois a solução para o problema passa pela melhoria dos ensinos Fundamental e Médio, não basta só colocar gente na universidade.

Porém, não votarei na chapa 3. Pois lá certamente não há apenas pessoas com boas intenções. Lembrei do texto do Veríssimo que publiquei aqui, em agosto.

Dentre as chapas 1, 2 e 4, opto pela 1, um “voto útil”: provavelmente haverá polarização dos votos entre as chapas 1 (que representa a atual gestão) e 3. E como o sistema não é proporcional (como eu defendo), quem tiver mais votos “leva tudo”. Não dá para arriscar, então vou de 1.

A fome no mundo

Achei no Pensamentos do Mal um “mapa da fome”, com dados de 2003, retirado da página da FAO.

No link que o Diego indicou (e que eu também indico infelizmente não funciona mais), era possível ver várias versões do mapa, com dados de diferentes épocas (1970-2003). E algumas coisinhas me chamaram a atenção.

A primeira delas, foi o fato de países como Suécia (no mapa de 1970) e Japão (1975) aparecerem entre os países onde um índice de 5% a 15% da população era subnutrida. É surpreendente, visto que são países cujo nível de vida é considerado elevado.

De 1975 para cá, menos de 5% da população da Líbia passa fome – e Muammar al-Gaddafi está no poder desde 1969. Com a população não morrendo de fome, fica difícil quererem derrubar ele, visto que a Líbia é uma das exceções da África – pelos dados de 2003, os únicos países africanos com menos de 5% de subnutrição de sua população eram Líbia, Argélia, Tunísia, Egito e África do Sul. Destes cinco países, o único não-muçulmano é a África do Sul.

Outra coisa interessante se vê no Leste Europeu. Em 1970, o único país da região onde havia mais de 5% da população passando fome era a Albânia, nação européia mais pobre – inclusive o mapa indicava, em 1970, que entre 15% e 25% dos albaneses eram subnutridos. Nos anos seguintes a situação da Albânia melhorou, e de 1975 em diante o percentual da população subnutrida ficou entre 5% e 15%. Mas a Albânia ganhou a companhia de outros países após a queda do socialismo na Europa Oriental. No mapa de 2003, figuram entre os países com mais de 5% da população subnutrida: Albânia, Croácia, Eslovênia, Croácia, Bósnia-Herzegovina, Sérvia-Montenegro¹, Macedônia, Bulgária, Moldávia (ex-república soviética) e Eslováquia.

A Rússia também teve mais de 5% da população passando fome. Não coincidentemente, isto aconteceu depois do fim da União Soviética, no período de 1995 a 1998.

E tem Cuba. A ilha teve um percentual de 15% a 25% da população subnutrida de 1993 a 1996, justamente quando viveu seu pior momento na economia, após a desintegração da URSS. Em 2003, menos de 5% dos cubanos passavam fome. Algo raro na América Latina: além de Cuba, só Chile, Argentina e Uruguai viviam situação idêntica na mesma época.

Ah, e o único país latino-americano que nunca teve mais de 5% de sua população subnutrida de 1970 a 2003 é a Argentina.

Quanto ao Brasil, a situação já esteve pior, mas boa não está. Em 1970 e 1975, entre 15% e 25% dos brasileiros passavam fome. A situação melhorou em 1980 (5% a 15%), piorou em 1985 (voltando aos patamares de 1970 e 1975), mas desde 1990 o índice não sofre maiores alterações, ficando entre 5% e 15%.

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¹ A separação entre Sérvia e Montenegro aconteceu em maio de 2006.