Forno “alegre”

Fui encontrar uma turma de amigos em uma pastelaria, na Zona Norte de Porto Alegre. Só o fato de lá não ter sequer um ventilador faz com que não seja um ponto de encontro recomendável num dia como foi esta quarta-feira…

Mas o mais bizarro estava reservado para depois. Voltei de carona, o ar condicionado do carro a milhão. Ao chegar na minha casa, abri a porta e minha visão simplesmente desapareceu.

Traduzindo: o bafo da rua embaçou completamente meus óculos.

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Se serve de consolo, faltam 74 dias para o outono.

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Porto Alegre no verão

Menos carros nas ruas… Aquelas mais movimentadas, não é tão utópico atravessá-las sem necessidade de caminhar até uma sinaleira.

Menos congestionamentos, menos filas em restaurantes, tudo melhor.

Pena que esse abafamento estraga tudo. Não fosse ele, o verão seria a melhor época do ano para se estar em Porto Alegre. Mas, por causa dele, é a pior. E como no resto do ano o calor não é tão sufocante, mas a cidade é um caos, Porto Alegre não é um bom lugar para se morar: se sofre menos com o calor, mas viver preso em congestionamentos (“progresso”, para os concretoscos) não é sinal de qualidade de vida.

E como a cidade terá ainda mais espigões e carros, ficará bem pior, e no ano inteiro. Mais quente no verão, mais caótica de março a dezembro.

Dizem que os espigões são para atrair turistas… Se eles vierem no inverno, ficarão presos no congestionamento. E no verão, sofrerão com o calor impiedoso sem possibilidade de refresco: quando se fala em aumento do turismo, os que infelizmente têm poder de decisão em Porto Alegre pensam em concreto, e nem lembram de despoluir o Guaíba.

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O Hélio Paz diz que Natal é “a cidade do clima perfeito”, com dias quentes mas sem abafamento, e noites agradáveis. Se realmente o calor não é sufocante como em Porto Alegre, então nem é preciso ter inverno. Apesar de eu adorar dormir debaixo de cobertor…

Talvez seja mais pela saudade de não suar feito um condenado. Afinal, muitos se iludem com Porto Alegre só por ser a capital mais ao sul: aqui faz muito mais calor do que frio.

Mais dois contra o Natal

Ontem, fez um calor desgraçado. Não tanto pela temperatura, e sim pela alta umidade, que causava uma horrível sensação de abafamento. À noite, parou a chuva, mas graças à umidade havia muitos insetos a encherem o saco próximo à churrasqueira, onde preparamos um aperitivo.

Ao ar livre, era ótimo ficar (desde que com as luzes apagadas, devido aos “bichos de luz”). Mas a “troca de presentes” foi feita dentro de casa, e havia muita gente. Resultado: calor horrível e mau humor da minha parte, que não fiz questão alguma de disfarçar. Nunca fui competente como farsante. Menos mal que há mais de 10 anos abolimos o amigo secreto.

Eu adoro minha família, e me divirto bastante quando, mais de uma vez durante o ano, nos reunimos para comer um bom churrasco, tomar cerveja e botar conversa fora – como fizemos ontem enquanto estávamos ao ar livre, falando sobre futebol, minha monstrografia (ou seja, mais futebol!) e lembrando alguns fatos da história familiar. Quando não há essa besteira de “troca de presentes” (como eu sabia que não ia receber nada, pois já tinha ganho os meus presentes antes, preferia ficar na área da churrasqueira, que mesmo com o calor do fogo estava mais agradável). E melhor ainda quando não é verão, o que faz o “calor humano” não ser um incômodo.

Eu me perguntava se realmente o Natal é um saco, ou se eu sou chato. Bom, talvez as duas opções estejam corretas, mas antes ser chato do que fingir ser o que não sou. E felizmente não sou o único a não gostar dessas comemorações, como mostra o texto abaixo, do Milton Ribeiro, com o título “Abaixo o Natal!!!” (não costumo copiar na íntegra, só que o texto dele é curto, sem contar que concordo integralmente com o que ele escreveu – mas não deixe de ir “ao original” para dar sua opinião):

O Natal devia ser como a Copa do Mundo, de quatro em quatro anos. O que há de bom nestes dias? Estar com a família? Sou alguém bastante sociável, gosto de minha familia e já os vejo frequentemente. Então, prefiro estar com eles sem as besteiras mesquinhas e os milagres da época. Mais do que o primado do consumo, detesto as promoções de bons sentimentos, a hipocrisia, a religião, a obrigação de felicidade. Pior, hoje serão servidas iguarias irresistíveis, vai se comer muito e não quero engordar. Por mim, dormia cedo. E amanhã todos voltarão porque haverá comida demais…

É uma festa legal quando temos crianças pequenas, mas agora, qual é o sentido? Há a necessidade de estarmos alegres após passar o dia arrumando a casa e lembrando de detalhes… Pois é, já viram, vai ser aqui em casa. Se a gente fica sério, as pessoas se preocupam. Então, o negócio é beber. Haja saco. Ainda bem que chove. Podia vir uma tempestade e faltar luz no meio da festa! Seria uma novidade!

Festa por festa prefiro a virada do ano. Ao menos é sem presentes e com menos religião. E, associada à data, há uma simbologia de renovação, de planos e mudanças quase sempre falsas, mas ao menos pensadas. Já o Natal… é pura merda. Na minha infância, era comemorado na manhã do dia 25. A gente acordava e havia presentes sob a árvore. Fim. Hoje é um happening, vão tomar no cu.

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Também merece registro a postagem do Guga Türck no Alma da Geral: o vídeo com a música “Papai Noel Filho da Puta”, dos Garotos Podres.

Gosto é gosto, mas…

Respeito quem gosta do verão, mas não consigo compreender tal opinião. Excetuando, claro, se vier de um morador de rua: deve ser terrível passar na rua uma noite de inverno. Assim como de quem mora em lugares onde há longos períodos de frio extremo (e por favor, não me digam que Porto Alegre é um desses lugares, pois se junho e julho foram frios, também fez 34°C em agosto, naquela tarde em que o NINJA Victor pegou tudo!).

Agora, quem tem teto para se abrigar, por que adorar essa coisa horrível que é o verão de Porto Alegre? Não dá para se mexer muito, que o suor começa a verter! Nem banho ajuda: em geral, serve apenas para tirar um suador e começar outro, assim que fecho a torneira do chuveiro.

E os insetos? Ainda não matei nenhuma barata grande em casa e por isso estou até estranhando, pois em geral a “temporada” delas começa justamente em dezembro. Há ainda os mosquitos, espécie animal mais filha da puta que existe: como não odiar um ser que vai ao nosso ouvido quando estamos quase pegando no sono? E não se pode deixar nenhum doce, nenhuma comida descoberta: as formigas atacam mesmo! Todos esses seres desgraçados se entocam no inverno, têm aversão ao frio.

Tudo, exceto dormir na rua e lavar louça, é melhor no inverno (tá bom, tá bom, levantar da cama também é complicado, mas não dá aquele desânimo de sair de casa, regra nesses dias abafados que nos assolarão pelo menos até março). É muito mais aconchegante: assistir um filme enrolado num cobertor, dormir sem precisar de ventilador, banho diário só para manter o hábito, tomar um sopão, comer fondue e chocolate (ou fondue de chocolate), um café bem quente… No verão, basta pensar nisso para começar a suar!

Até o calor, no inverno é melhor! Primeiro, por saber que ele não deverá durar. Segundo, por ser seco: naquele 16 de agosto em que o Victor pegou até pensamento, mesmo com os 34°C eu não suei devido à baixa umidade (inclusive voltei do jogo a pé, sem problemas); ontem nem sei se a máxima chegou aos 30°C, mas eu parecia um picolé – só não era gelado.

E se o inverno tem risco de gripes e resfriados, ainda assim o prefiro. Até porque costumo pegar poucas gripes, a última foi em setembro de 2001. E o último resfriado foi em março de 2008, culpa de passar muito tempo debaixo do ventilador no máximo.

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E a “grande mídia”? Trata o verão como se fosse a melhor coisa do mundo, faz muita propaganda de praia (a propósito, lá faz menos calor, logo quem gosta de verão não deveria gostar de praia!) e “corpo sarado” (aí o pessoal se machuca porque fez uma porrada de exercícios e não se sabe por que isso acontece tanto). Certo dia, quando eu estragava meus ouvidos ouvia um programa esportivo na Rádio Gaúcha, o locutor comemorava o fim do inverno, dizendo que “todo mundo estava de saco cheio de frio” – que “todo mundo”, cara pálida? A RBS é tão tendenciosa, que não consegue ser imparcial nem para falar do tempo! Que pare com essa balela e assuma seu lado!