A mídia e o DETRAN

Depois da inacreditável matéria do Jornal do Brasil de domingo, mais uma pérola do jornalismo brasileiro. Dizia o editorial de O Estado do Paraná de ontem (os grifos são do Cão):

Yeda assumiu o governo do Rio Grande do Sul com a responsabilidade de arrumar o estado após três governos sucessivos do PT, que criaram um rombo nas contas públicas. Tomou medidas impopulares, o que representava um distanciamento da política rasteira. Parecia não agir com populismo, tão comum dos gaúchos, mas sim com correção.

Diante dessas, já acho que os extintos jornais gaúchos A Federação e A Reforma eram melhores do que os de hoje (de qualquer parte do Brasil). Pois pelo menos eles eram abertamente partidários, não enganavam as pessoas com a balela da “imparcialidade”. Em A Reforma, abaixo do nome vinha a informação: “órgão do partido republicano federal”.

Vale lembrar que na página 56 da denúncia do Ministério Público Federal contra a quadrilha do DETRAN há uma importante informação (os grifos são, de novo, do Cão):

Ao lado disso, os denunciados integrantes da quadrilha não descuidavam da imagem dos grupos familiares e empresariais, bem assim da vinculação com a imprensa. O grupo investia não apenas na imagem de seus integrantes, mas também na própria formação de uma opinião pública favorável aos seus interesses, ou seja, aos projetos que objetivavam desenvolver. A busca de proximidade com jornais estaduais, aportes financeiros destinados a controlar jornais de interesse regional, freqüentes contratações de agências de publicidade e mesmo a formação de empresas destinadas à publicidade são comportamentos periféricos adotados pela quadrilha para enuviar a opinião pública, dificultar o controle social e lhes conferir aparente imagem de lisura e idoneidade.

E, claro, este trecho da denúncia não recebe destaque na nossa imprensa “imparcial”…

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