Sete anos de Cão Uivador

O dia poderia ter passado despercebido, ainda mais se considerarmos as poucas atualizações nos últimos três meses: apenas nove. O Cão Uivador esteve próximo do fim nesse tempo: considerei seriamente a possibilidade de escrever um texto de despedida, para depois me preocupar apenas em postar no Facebook. Aliás, houve quem me dissesse (aliás, ainda há) que blog é perda de tempo, e blá blá blá. Quase me convenceram. Quase.

Em geral, a cada 14 de maio faço alguns comentários que invariavelmente terminam em agradecimento aos leitores. Afinal, o que motivaria um blog a se manter ativo por sete anos? Sem ninguém que o lesse, talvez o Cão sequer tivesse chegado em 2008. Para quem escreve, nada é mais desmotivador do que não ter leitores, por isso, faço questão de agradecer a quem ainda clica nos links, saindo um pouco do Facebook e vindo aqui.

Pois o que me desmotivou foi, sem dúvida alguma, constatar que cada texto aqui publicado, seria mais lido e repercutiria mais se fosse postado diretamente no Facebook. Não quero simplesmente atacar a rede social, pois ela também ajuda o Cão a ser mais lido, já que postando links lá o blog “atinge” mais pessoas. Mas também parece haver um crescimento da preguiça: em geral, ninguém tem muita paciência de ler um texto muito longo. E pior ainda, dificilmente clica em links que levem para fora do FB. Sem contar que, no tocante à discussão do que é postado aqui, já faz mais tempo ainda que ela não se dá no blog, mas sim nos links publicados no Facebook.

Ao perceber a aproximação do sétimo aniversário do Cão, decidi que não podia deixá-lo parado neste dia. Quem sabe o 14 de maio poderia servir de motivação para sua retomada, tentar voltar ao ritmo anterior, de atualizações que não deixam o blog parado por um longo tempo. Porém, decidi não fazer promessas cujo cumprimento não posso garantir. Mas uma decisão está tomada: o Cão não acaba. Segue firme. Pode não ser com frequentes atualizações como até o início do ano, mas continua vivo.

E aos amigos que geralmente curtem o que posto no Facebook, deixo uma dica: acompanhem o blog – que inclusive tem uma página no FB. Até porque considero seriamente a possibilidade de “tirar umas férias” da rede social durante a campanha eleitoral, que tem tudo para ser insuportável este ano: minha presença lá se resumiria a postar links do Cão (até porque teria de manter atualizada a página do blog).

Da passagem do tempo

Estava olhando uma fotografia antiga, de minha festa de aniversário em 1988 – ou seja, de quando completei sete anos de idade. Então reparei que estou chegando aos 32 e que, portanto, aquela foto já tem quase um quarto de século (25 anos).

Não raro ouvimos pessoas mais velhas dizendo que têm a impressão de que o tempo passa cada vez mais rápido. É algo estranho, pois há diversas unidades de tempo, mas suas medidas sempre foram as mesmas desde que foram criadas. Um segundo nunca durou mais ou menos que um segundo. Muito embora Albert Einstein tenha “bagunçado tudo” com sua Teoria da Relatividade, que pode ser resumida pela seguinte expressão: “o tempo é relativo”.

Einstein se refere ao tempo físico, aquele que é medido no relógio – e que pode ser nitidamente distorcido em situações possíveis apenas teoricamente (como viajaríamos em uma espaçonave quase à velocidade da luz, sem sermos torrados?). Porém, psicologicamente também é possível ver o tempo como algo relativo. E não pensando apenas em situações em que desejamos que os ponteiros do relógio andem mais devagar ou mais rápido.

Como o caso da foto que falei, batida há quase um quarto de século. Em outubro de 1988, sete anos correspondiam à minha vida inteira. Falar em 25, para mim, era inimaginável: mais que o triplo de tudo o que tinha vivido. Sem contar que sequer tinha ideia real do que era a passagem de sete anos: ninguém tem lembranças desde o nascimento, o que daria uma noção do tempo passado.

Hoje, sete anos correspondem a menos de um quarto de minha existência. Tenho noção do que é a passagem de tal período de tempo: sete anos atrás era 2006, quando completei 25 anos de idade – como diz o ditado, “parece que foi ontem”. Aliás, reparemos que, em 2006, não tinha ideia real do que era um quarto de século – o que só acontece agora, ao ver uma fotografia de 25 anos atrás e perceber que lembro daquele dia.

Assim, fica mais fácil entender a impressão dos mais velhos de que o tempo passa cada vez mais rápido. Quando se é criança, época em que não se tem lembranças muito antigas que permitam dar uma noção da passagem do tempo, um ano parece uma eternidade. Voltando à foto: como demorava para chegar o meu aniversário! E o Natal, então?

Então, o tempo passa, e um ano torna-se um pedaço da vida cada vez menor em termos relativos. A ponto de, hoje em dia, o meu aniversário ser um sinal de que “em dois toques” já será Natal (aquela festa que agora acho chata e, principalmente, repetitiva).

E chega um momento em que já conseguimos “medir o tempo” vivido em décadas. Dez anos já correspondem a menos de um terço de minha existência. A metade, em breve, será 16 anos – a idade que atingi em 1997 e que me encheu de orgulho por me dar o direito ao voto.

Imaginem, então, o que significa um ano para quem já viveu 70, 80, 90…