Feliz ano velho

A última vez que estive realmente otimista quanto ao ano novo foi no apagar das luzes de 2012. Aquele foi para mim um ano bacana, que valeu a pena, mas que poderia ter sido melhor. E pensar em 2013 chegava a me empolgar. Via boas perspectivas.

Só que foi em 2013 que a “coisa virou”. O Brasil realmente não foi mais foi o mesmo após aquele junho, que começou à esquerda e terminou à direita. Nunca mais tive uma perspectiva otimista quanto ao futuro. Mesmo no final de 2014, quando estava na expectativa de ir morar em uma outra cidade (Ijuí): era algo estritamente pessoal, mas nunca consigo me dissociar do entorno, e eram claríssimos os sinais de que tempos muito difíceis estavam por vir.

Não à toa, nos últimos tempos deixei de me empolgar com a virada de ano. Passei a achá-la muito artificial e irrealista. E deixei de acreditar que as coisas mudariam como se fosse um passe de mágica apenas por conta de uma mera convenção: para vários povos, hoje não é o último dia do ano.

E agora estamos à véspera de algo que jamais deveria ocorrer: um extremista de direita assumindo a presidência do Brasil. Algo ruim em qualquer lugar, mas pior ainda num país tão desigual como o nosso: a direita clássica já “caga e anda” para políticas sociais, imagina a vertente extremista dela…

Mas será algo merecido para essa galera toda que votou no cara – pena que todo o país tenha de sofrer com isso. Quem acredita em qualquer lixo que chega pelo WhatsApp – inclusive em absurdos como a famosa “mamadeira de piroca” – tem de se ferrar bonito para aprender que não ser rico e votar na direita é uma tremenda burrice, e que não vai adiantar nada fazer “arminha” com as mãos quando der merda – e vai dar, isso é óbvio demais.

O país vai para o abismo, mas pelo menos não terá sido por culpa minha e de muitas pessoas queridas que conheço e quero ver bem. É com estas que estará o meu coração em 2019.

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Seis anos de Cão Uivador

O dia 14 de maio de 2007 foi uma segunda-feira, se não me engano chuvosa e fria. Ou seja, perfeita para criar um novo blog: não tenho o pavor de segunda-feira que tanta gente tem (ruim mesmo é o domingo à noite), e também não considero sol e calor como “tempo bom” (até gosto de sol, mas combinado com frio).

Naquela segunda-feira, o dia 14 de maio de 2013 pertencia única e exclusivamente aos mais variados tipos de especulação – uma delas, não confirmada, era a de que o Cão Uivador teria bastante poesia, visto que assim começou. Falar em “seis anos” era pensar no passado e voltando esse tempo, estaríamos em 2001, que naquela época parecia “próximo”, mas muitas coisas tinham mudado nos seis anos que antecederam a criação do Cão: em 2001 o Grêmio ainda não tinha entrado na atual “seca” de títulos e eu nem pensava que algo assim pudesse acontecer, Fernando Henrique Cardoso era presidente do Brasil e a eleição de Lula no ano seguinte me parecia algo quase utópico (por pior que fosse o governo FHC), eu ainda pensava que seria físico nuclear etc. Traduzindo: eu não tinha a menor ideia do que seria o ano de 2007.

Portanto, prefiro me abster de quaisquer previsões para 14 de maio de 2019, dia em que, se der tudo certo, serão comemorados os 12 anos do Cão Uivador. Porém, é impossível não pensar que, confirmada a celebração do 12º aniversário, lembrarei de 2007 e pensarei em 12 anos antes: 1995, um dos melhores anos da minha vida, e quando eu ainda pensava que em 2007 seria médico…

Porém, dentre várias especulações para o futuro uma é certa, com base no passado: se o Cão chegou até aqui, isso se deve não apenas a quem o atualiza, mas principalmente a quem lê o que aqui é publicado. Os textos refletem a minha opinião, mas ela não se forma “do nada”. Meu ponto de vista, assim como o de qualquer pessoa, se baseia em concordâncias e também em discordâncias: toda opinião bem fundamentada e respeitosa é bem-vinda, seja favorável ou contrária. E mesmo quem não comenta já me deixa satisfeito com a visita, pois sei que com isso colaborei de alguma maneira para alguém fundamentar sua opinião – e a mesma pessoa poderá retornar posteriormente e deixar um comentário que também influenciará meu ponto de vista.

Por isso, a cada 14 de maio sempre faço questão de explicitar meu agradecimento a todos os que leem o que escrevo, independentemente de comentarem ou não. Muito obrigado!