Abaixo o Natal, e viva o Ano Novo!

O Natal de 2009 já é passado, mas achei mais um ótimo texto sobre o tema “anti-Natal”. É de Mário Maestri, professor de História na Universidade de Passo Fundo (UPF). Desta vez não publico inteiro, vai só dois parágrafos: para ler na íntegra, clique aqui.

Sobretudo como historiador, não vejo como celebrar o natalício de personagem sobre o qual quase não temos informação positiva e não sabemos nada sobre a data, local e condições de nascimento. Personagem que, confesso, não me é simpático, mesmo na narrativa mítico-religiosa, pois amarelou na hora de liderar seu povo, mandando-o pagar o exigido pelo invasor romano: “Dai a deus o que é de deus, dai a César, o que é de César”!

(…)

Por tudo isso, celebro, sim, o Primeiro do Ano, festa plebéia, hedonista, aberta a todos, sem discursos melosos, celebrada na praça e na rua, no virar da noite, ao pipocar dos fogos lançados contra os céus. Celebro o Primeiro do Ano, tradição pagã, sem religião e cor, quando os extrovertidos abraçam os mais próximos e os introvertidos levantam tímidos a taça aos estranhos, despedindo-se com esperança de um ano mais ou menos pesado, mais ou menos frutífero, mais ou menos sofrido, na certeza renovada de que, enquanto houver vida e luta, haverá esperança.

Prometo que essa é a última vez que toco no assunto. Em 2009, claro…

2010: um tenso ano novo

Em menos de duas semanas estaremos oficialmente em 2010. Um “ano novo” que terá uma “novidade”: a campanha política mais suja da História do Brasil.

Isso pode parecer que já aconteceu em 2006. Mas em nada se compara ao que veremos no próximo ano. Na última eleição presidencial, a direita contava que, com a ajudinha da “grande mídia”, impediria a reeleição de Lula e voltaria ao governo. Mas a tática não deu certo, e o presidente obteve mais quatro anos dando uma verdadeira surra eleitoral em seu adversário no segundo turno.

A direita raivosa já percebeu que não basta ter uma ajudinha da “grande mídia”, nem pode contar que as pesquisas convençam os eleitores de que “tal candidato vai ganhar e não adianta nada fazer alguma coisa contra”. Como disse o Eugênio Neves em postagem no início de 2009, trava-se uma “batalha da informação”: os direitosos sabem que muita gente lê opiniões críticas escritas por diversos blogueiros de esquerda. Daí o aparecimento de diversos trolls, com o único objetivo de tumultuarem o debate feito nos comentários: muitas vezes financiadas pela direita, não interessa a tais figuras a troca de ideias, e sim a baixaria.

Como disse o Milton Ribeiro, realmente, 2010 “será uma coisa”. Nos preparemos para uma enxurrada de comentários toscos, ofensivos. Para os quais só vejo uma solução: a “tesoura”. Isso não é “censura”: cada blog publica os comentários que julgar convenientes; até porque a “grande mídia” se diz “imparcial” mas não publica muita coisa…

Cortar o barato dos trolls só beneficia o debate (que se realizado em alto nível incentiva também a participação de quem discorda mas não xinga, o que é excelente). Sem contar que as provocações têm muitas vezes o objetivo de gerar resposta que resulte em algum processo – principal arma dos direitosos para tentar calar a blogosfera, pois sabem que os blogueiros independentes não têm como enfrentar o poder econômico. Que o digam o Carlinhos Medeiros e o Antônio Arles, os mais recentes “notificados judicialmente”.

Melancólico final de ano

O ano de 2009 foi o pior para o Grêmio desde o fatídico 2004. Pois de 2005 a 2008 sempre se terminou o ano tendo algo a comemorar (tudo bem, muito pouco em comparação à vitoriosa década de 1990, mas de bom tamanho para os anos 2000):

  • 2005: o retorno à Série A, que era obrigação, mas foi obtido de uma maneira inesquecível na “Batalha dos Aflitos”, há exatos quatro anos;
  • 2006: conquista do ruralito após cinco anos (impedindo o penta colorado) e 3º lugar no Campeonato Brasileiro, que teve como consequência a vaga na Libertadores de 2007;
  • 2007: bi do ruralito e vice-campeão da Libertadores, apenas dois anos depois de uma das maiores humilhações que já vivi como gremista (a derrota por 4 a 0 para a Anapolina, pela Série B);
  • 2008: vice-campeonato brasileiro, que resultou em classificação para a Libertadores de 2009 (tá certo que o Grêmio tinha o título praticamente nas mãos, mas para um time que começou o campeonato cotado para a briga contra o rebaixamento, foi bastante).

Já em 2009, não há nada a comemorar. A diferença em relação a 2004 é que naquela ocasião o final do ano foi trágico (embora nada surpreendente, dado o que já acontecera em 2003), desta vez é melancólico, apático. Estamos na Copa Sul-Americana de 2010, o que é muito pouco.

E o pior de tudo é que a direção está a fim de fazer um monte de cagadas na preparação para o próximo ano, assim como fez em 2009. Se no ano que se acaba vimos o Grêmio esperar 40 dias por um técnico em meio à Libertadores (e, pasmem, com o objetivo de vencê-la!), agora parece que os dirigentes querem repetir a dose.

Porra, Nelsinho Batista? Até o cimento do Olímpico sabe que não dará certo!

Se vier, Nelsinho Batista será para o Grêmio o que Joel Santana foi para o Inter em 2004 – quando até o cimento do Beira-Rio também sabia que não daria certo. A propósito, seria uma motivação a mais para o nosso rival nos Gre-Nais: se não para os jogadores, para os torcedores, que jamais engoliram (e com toda a razão) a saída de Nelsinho do Inter em 1996, quando o cara se mandou para o Corinthians dizendo que “queria trabalhar num clube grande”.

Se a busca é por um técnico com “a cara do Grêmio”, faço minhas as palavras do Guga Türck:

Querer treinador com a cara do Grêmio não é levar treinador com a cara do Meira

Não seria melhor efetivar Marcelo Rospide no comando do Grêmio? O técnico interino, que comandou o time entre a demissão de Celso Roth e a chegada de Paulo Autuori, e novamente após a saída de Autuori, até agora só perdeu uma das nove partidas em que treinou o Grêmio (2 a 1 para o Atlético-MG, pelo Campeonato Brasileiro).

Se a melhor opção não é Rospide, também não é Nelsinho!

ACORDA, DIREÇÃO! NELSINHO BATISTA, NEM PENSAR!