A redação da UFRGS

Este janeiro de 2014 marca o 10º aniversário de minha aprovação no vestibular para História na UFRGS. Ver aquele monte de estudantes na frente de colégios me faz sentir um misto de alívio e saudosismo: o primeiro por ter superado tal etapa (por mais que muitas vezes durante a faculdade pensemos que no vestibular “éramos felizes e não sabíamos”, trata-se de um autêntico “rito de passagem”, com suas incertezas e angústias), e o segundo por conta da vontade de recomeçar, ingressar em uma nova fase, assim como aconteceu 10 anos atrás.

Dentre os fatores que geram ansiedade no vestibulando, um deles é, sem dúvidas, a redação. Pois, quando estudamos, nos preparamos para responder às provas objetivas por meio de exercícios que não nos dizem exatamente o que cairá no vestibular, mas já “dão uma pista”. Já com a redação, acontece algo diferente: escrevemos várias, sobre diversos temas, com o objetivo de estarmos preparados; e isso de fato nos ajuda a aumentar nossa capacidade argumentativa – o que é realmente avaliado em uma dissertação. Porém, só sabemos sobre o que teremos de escrever na hora que abrimos a prova.

Claro que podemos ter algumas “pistas”, em alguns casos. Meu primeiro vestibular foi o da PUCRS: no dia 4 de janeiro de 2000, enfrentei um longo congestionamento (mas cheguei a tempo!) para fazer a prova de língua portuguesa; ao final, lá estava a “questão de redação” (como era chamada). A universidade propunha três temas, todos ligados a assuntos que tinham sido noticiados na imprensa; um deles dizia respeito às celebrações dos 500 anos da chegada dos portugueses ao Brasil, que seriam completados meses mais tarde. Não tenho o esboço do texto (não recordo se a folha de rascunho precisava ser entregue com a prova ou se perdi), e por isso não lembro qual tema escolhi, mas uma certeza tenho: achei mais difícil escrever a redação da PUCRS que a da UFRGS, cujo vestibular começaria dentro de alguns dias.

A principal diferença consistia no tipo de tema. Enquanto a PUCRS costumava propôr assuntos noticiados na imprensa, a UFRGS optava por temas mais “subjetivos”, como ética, amor, esperança etc. Algo que, aliás, ainda acontece: o tema de 2014 foi o livro considerado “clássico” pelo candidato. Assim, por um lado ela é mais “imprevisível” (afinal, não é possível dar “palpites” quanto ao tema com base em “assuntos do momento”), mas por outro, escrever sobre coisas “subjetivas” aos 17 anos de idade me parece mais fácil do que, por exemplo, dissertar sobre o povo brasileiro. E como no vestibular da UFRGS o rascunho da redação é escrito no caderno de prova (que o candidato leva para casa no dia seguinte), é possível reler, anos depois, o que escrevemos naquele dia.

Quantas vezes não lemos textos escritos por nós mesmos há muitos anos e praticamente “não nos reconhecemos” neles? Pois bem: foi exatamente isso, estranhamento, que senti ao reler os rascunhos das redações escritas em três vestibulares prestados na UFRGS (2000, 2003 e 2004). Por motivos óbvios, elas não são os melhor textos de nossas vidas; mas, ainda assim, são verdadeiros “documentos históricos” acerca do que pensamos na época em que escrevemos. Por meio dela, podemos ter noção de nossa mentalidade de 10, 15 anos atrás.

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O persistente fantasma golpista no Paraguai

A deposição do presidente Fernando Lugo por um golpe “disfarçado” faz soar o sinal de alerta para quem conhece a história do Paraguai, e da própria América Latina. Pois infelizmente a democracia não é exatamente uma tradição por estas bandas do mundo.

O Paraguai, particularmente, tem um longo histórico de autoritarismo e golpes de Estado. A própria ditadura de 35 anos do general Alfredo Stroessner encerrou-se mediante um golpe militar: em 3 de fevereiro de 1989, o ditador foi deposto por um movimento chefiado por seu co-sogro, o general Andrés Rodríguez, que três meses depois foi eleito presidente. Apenas em 1993 o poder passou às mãos dos civis (pela primeira vez em quase 40 anos), quando Juan Carlos Wasmosy assumiu a presidência.

Só que a era dos golpes não estava encerrada no Paraguai – graças às divisões internas do Partido Colorado, que salvo o período de 1904 a 1946, dominava a política do país desde que fora fundado em 1887. Na primária que determinou o candidato colorado para a eleição presidencial de 1993, Wasmosy derrotou Luis Maria Argaña (ex-ministro do ditador Alfredo Stroessner) em um processo marcado por denúncias de fraude. Eleito presidente, Wasmosy fez um governo impopular, e sendo acusado de corrupção, passou a sofrer ameaça de impeachment por parte do Congresso. Além disso, perdeu o apoio de seu principal cabo eleitoral dentro do partido, o general Lino Oviedo (reparem como esse nome será presença constante daqui para frente), ferrenho adversário de Argaña e que gozava de certa popularidade entre os paraguaios devido à sua participação na deposição de Stroessner (apesar de ser acusado de ligações com o narcotráfico).

O populista general Oviedo, comandante do Exército, era cotado para ser candidato à presidência em 1998. Só que para ganhar terreno precisava vencer Argaña na eleição interna do Partido Colorado, marcada para 28 de abril de 1996. A possibilidade de Argaña vencer preocupava Wasmosy, que assim veria sua permanência no governo mais ameaçada; para agradar à ala rival, seis dias antes da votação o presidente decidiu destituir Oviedo do comando do Exército. Em resposta, o general anunciou que não obedeceria mais a Wasmosy, sinalizando um golpe de Estado, mas recuou após ser convidado para assumir o Ministério da Defesa. As manifestações solidárias ao presidente (não por ele em si, mas sim em defesa da legalidade) “inverteram o sinal”, e ele acabou decidindo “desconvidar” Oviedo – que, passado para a reserva do Exército, fez comício anunciando sua pré-candidatura à presidência. Posteriormente, Wasmosy foi acusado pelo ex-general de ter tentado cooptá-lo para dar um “autogolpe” semelhante ao de Alberto Fujimori no Peru, em 1992.

Luis Maria Argaña tornou-se líder do Partido Colorado, mas ainda assim Lino Oviedo acabou conquistando a candidatura à presidência, com Raúl Cubas vice. Porém, condenado e preso devido ao fracassado golpe de 1996 por um tribunal de exceção criado por Wasmosy, Oviedo foi impedido de concorrer, e Cubas foi indicado para substituí-lo (a vaga de vice passou para Argaña). O candidato do “oviedismo” venceu a eleição e assumiu a presidência em 15 de agosto de 1998. Três dias depois, Cubas cumpriu promessa feita durante a campanha e determinou a libertação de Oviedo.

Em 23 de março de 1999, o vice-presidente Argaña foi assassinado em uma esquina de Assunção, deflagrando o chamado “Março Paraguaio”, quando oito jovens foram mortos pela repressão aos protestos contra Cubas e Oviedo. Suspeitava-se que o assassinato fora tramado por Oviedo de modo a assumir a vice-presidência; consequentemente ele se tornaria o presidente, pois seria previsível que Cubas renunciaria em favor de seu padrinho político.

Porém, a suposta manobra não deu certo. Cubas renunciou em 28 de março e no dia seguinte exilou-se no Brasil. Em seu lugar, assumiu o presidente do Senado, Luis González Macchi, para completar o mandato presidencial. Oviedo obteve asilo político na Argentina, mas no final de 1999 os argentinos elegeram Fernando de la Rúa para suceder Carlos Menem, e o novo presidente ameaçava tirar o status de asilado político do ex-general; assim Oviedo fugiu secretamente para o Brasil e por vários meses disse estar escondido em território paraguaio, até que em junho de 2000 (semanas após uma nova tentativa de golpe militar no Paraguai) foi preso pela Polícia Federal em Foz do Iguaçu, a pedido da Justiça paraguaia.

Apesar do pedido de extradição feito pelo Paraguai, Oviedo obteve permissão para permanecer no Brasil, desde que se abstivesse de manifestar-se politicamente, determinação descumprida várias vezes pelo ex-general.

Em 2004, Oviedo decidiu retornar ao Paraguai, entregando-se à polícia. Libertado três anos depois, candidatou-se à presidência em 2008, acabando em terceiro lugar.

Fernando Lugo, eleito por uma coligação de esquerda e que obteve apoio do Partido Liberal Radical Autêntico (ao qual pertence o vice Federico Franco), foi deposto na última sexta-feira, praticamente sem apoio parlamentar. Para amanhã é prevista uma marcha do PLRA, que como qualquer movimento golpista que se preze no Paraguai de 20 anos para cá, contará com o apoio de Lino Oviedo e seus partidários.

Coragem de mudar

O título deste texto foi o lema da vitoriosa campanha de Olívio Dutra à Prefeitura de Porto Alegre na eleição de 1988. Contrariando as pesquisas, que apontavam Antônio Britto (então no PMDB) como favorito, Olívio foi eleito em 15 de novembro, e Britto acabou em 3º lugar, sendo superado por Carlos Araújo (PDT). Foi o marco inaugural dos 16 anos de gestões petistas em Porto Alegre, uma experiência que deu muitos exemplos ao mundo.

Uma das maiores dificuldades que as pessoas têm na vida se chama “mudança”. Manter tudo como está, em todos os aspectos, é mais cômodo do que tentar fazer diferente. Não por acaso, muita gente tem verdadeiro pavor a qualquer tentativa de mudar as coisas – como a própria palavra explica, são os conservadores.

E não é apenas a sociedade que é difícil de ser mudada. Pois muitas vezes nós mesmos adiamos necessárias mudanças em nossas vidas, pelo simples fato de não aceitarmos que isso se deve a uma opção errada que tomamos anteriormente. Afinal, uma mudança de rumos significa admitir tal erro.

Penso nisso justamente por olhar o calendário. Estarmos em março de 2012 significa que se passaram 10 anos daquele março de 2002, quando começou uma grande reviravolta na minha vida: comecei a admitir que tinha errado (e feio!) na escolha de que faculdade cursar: quando eu cursava o último ano do Ensino Médio, em 1999, não tinha a menor ideia de que curso escolher para o vestibular – quando fazia testes vocacionais, indicavam que “minhas áreas” eram tanto Ciências Exatas como Humanas. E como minhas melhores notas no colégio eram em Física… Bom, não preciso dizer mais nada.

Passei muito bem no vestibular, e comecei a frequentar o curso de Física da UFRGS em março de 2000. Levei dois anos até admitir que estava no lugar errado, embora já houvesse indícios disso que só muito depois fui perceber – e bem além de minhas notas serem lastimáveis (quando eu não rodava nas cadeiras, ficava com o medíocre conceito “C”).

Se era difícil tirar uma boa nota em uma cadeira como Equações Diferenciais, onde o professor muitas vezes ocupava uma aula inteira para explicar a resolução de um (!!!) problema cheio de números imaginários e letras gregas, mais ainda era admitir que havia errado na escolha do curso e que não tinha mais jeito de continuar naquela situação: era preciso recomeçar. Ou seja, enquanto os amigos “seguiam em frente”, construindo seus futuros, eu voltava à estaca zero.

Foi uma das decisões mais difíceis que já tive, mas também foi a mais sábia de todas. Em março de 2004, quando alguns amigos já estavam se formando, comecei o curso de História da UFRGS, que concluí no final de 2009. No momento atual, apesar de não exercer a profissão de historiador (leia-se “ganhar a vida” desta maneira), vejo os seis anos de faculdade como importantíssimos em relação à minha maneira de pensar atual, graças ao que aprendi dentro e fora das salas de aula.

Assim, se tem um conselho que eu posso dar a qualquer pessoa, este é: não ter medo de mudanças. Elas podem até não dar certo, mas ao menos não causam aquela sensação de arrependimento por não se ter tentado.

Gauchão bissexto

Esta quarta-feira é um dia como não se tem toda hora. O motivo é óbvio: fevereiro só tem 29 dias quando o ano é bissexto.

Porém, não bastasse ser um dia no qual uma pessoa que nascer nele só comemorará seu aniversário no dia certo daqui a quatro anos, este 29 de fevereiro de 2012 ainda tem vários amistosos internacionais, e a decisão de turno no Gauchão. E mais: não tem nem Grêmio e nem Inter nela, o que é garantia de que na pior das hipóteses, o vencedor de Novo Hamburgo x Caxias será vice-campeão estadual.

Como já disse, acho este modelo de campeonato estadual anacrônico, ruim mesmo para os clubes do interior. A única coisa que ainda acho bacana é quando não temos Gre-Nal na decisão (preferencialmente quando quem fica de fora é o Inter, claro).

E, curiosamente, isso tem sido regra nos últimos anos bissextos. O último Gauchão de ano bissexto que teve a dupla Gre-Nal ocupando as duas primeiras posições na classificação final foi o de 1992. Desde então, a cada quatro anos se passou a ter a certeza de que o estadual não seria decidido em Gre-Nal, embora não necessariamente a ausência de um dos dois clubes se desse apenas em anos bissextos.

  • 1996. No primeiro ano de nossa série, o Grêmio chegou ao bicampeonato estadual batendo o Juventude com facilidade na decisão: 3 a 0 no Alfredo Jaconi, 4 a 0 no Olímpico (três de Jardel neste último jogo, um deles totalmente sem querer).
  • 2000. Quatro anos depois, a decisão novamente foi entre as cidades de Caxias do Sul e Porto Alegre. O Caxias chegava à final contra o Grêmio para tentar repetir o feito do Juventude, campeão em 1998 diante do Inter. E fez história: 3 a 0 no Centenário, 0 a 0 no Olímpico e festa grená.
  • 2004. Não foi exatamente uma decisão que pusesse frente-a-frente a Capital e o Interior. Mas não teve Gre-Nal: o Grêmio foi eliminado de forma vexatória pela Ulbra na semifinal ao perder de 3 a 1; e por pouco o adversário do time de Canoas não foi o Glória de Vacaria, que chegou a estar vencendo o Internacional na prorrogação da outra semifinal, e acabou derrotado nos pênaltis. A final – que assim como as semifinais foi em partida única – foi no Complexo Esportivo da universidade, em Canoas: de virada, o Inter fez 2 a 1 e conquistou o bicampeonato estadual.
  • 2008. Inter e Juventude fizeram a decisão, e parecia que a história de 1998 iria se repetir. Na primeira partida, no Alfredo Jaconi, 1 a 0 para o Ju, que ficou a um empate do título. Porém, numa prova de que aquele papo de “filial do Grêmio” já era passado (afinal, o Ju eliminara o próprio Grêmio nas quartas-de-final), o Inter aplicou uma histórica goleada de 8 a 1 no Beira-Rio e acabou campeão.

Depois de 2008, só vinha dando dupla Gre-Nal nas primeiras posições do Gauchão – escrita quebrada justamente em 2012, bissexto como 2008. Em 2009, quando foi adotada a atual fórmula do campeonato, o Inter ganhou os dois turnos, um contra o Grêmio e outro contra o Caxias; a soma das outras campanhas que não a do Inter deu ao Tricolor o vice-campeonato. Já em 2010 e 2011 tivemos Gre-Nal na decisão entre os campeões dos turnos: deu Grêmio em 2010 e Inter em 2011.

Um Grêmio mais caro

O Grêmio tem contratado bastante recentemente. Se será vencedor neste ano que começa, ainda acho cedo para prever: em janeiro de 2000, a torcida estava empolgada com os nomes que chegavam ao Olímpico (Paulo Nunes, Zinho, Astrada etc.), mas ao final daquele ano nenhuma taça entrou na sala de troféus do estádio. Obviamente minha torcida é para que em 2012 não se repita nem 2000, nem os últimos 10 anos.

De qualquer jeito, já senti diretamente no meu bolso um impacto das contratações: o aumento da mensalidade. Como pago tanto a minha como a da minha mãe (nada mais justo, já que comecei a ser sócio há mais de 10 anos porque ela pagava), hoje se foram 172 reais de minha conta bancária: 86 para cada boleto. Em 2011, a mensalidade era de 69 reais.

Não estranho: o dinheiro para pagar os salários do clube sai de algum lugar. De investidores, patrocinadores e… Dos sócios. Normal.

Mas, depois de um aumento de quase 25% na mensalidade, não peço mais ao Grêmio que ganhe títulos de verdade: passo a exigir. Quero, no mínimo, a Copa do Brasil.

Até porque será preciso taças para que esse time se pague…

Outra vez, o mundo acaba…

Entrei no Twitter e vi que um dos assuntos mais comentados era “fim do mundo”. Fiz uma pesquisa e descobri que, conforme um grupo cristão, o fim dos tempos acontece neste sábado.

Ou seja, lá vou eu para mais um fim do mundo… E como acho graça disso, obviamente sou um pecador, que não tem outra alternativa a não ser queimar eternamente no fogo do inferno!

Mas, antes da hora final, lembremos algumas das outras vezes em que o mundo acabou.

  • Passagem do Cometa Halley (1910). Desta vez, a ideia de “fim do mundo” até tinha algum fundamento: dizia-se que o cometa se chocaria com a Terra (o que, se realmente acontecesse, aniquilaria a humanidade), ou que sua cauda envenenaria o planeta. Pessoas chegaram a cometer suicídio, de tanto pavor. Uma pena, pois segundo relatos, o Cometa Halley deu um espetáculo no céu;
  • A “profecia de Nostradamus” (1999). No dia 11 de agosto, aconteceu o último eclipse solar total do século XX, visível em boa parte da Europa. De acordo com suposta profecia de Nostradamus, o mundo acabaria naquele dia. Mas Nostradamus também previu a Batalha dos Aflitos, o “tetra”, o “penta”… Tanta coisa, que nem levo mais a sério;
  • Chegada do ano 2000. É a mais clássica de todas. Mas se alguém quisesse achar um motivo para temor, bastaria pensar em computadores e no “bug do milênio” (expressão que se popularizou, mesmo erradamente, visto que o novo milênio começaria só em 2001). Havia o medo de que os computadores que controlam as armas nucleares russas enlouquecessem e os mísseis começassem a ser disparados, já que os sistemas seriam muito defasados. Mas não eram o suficiente para acabar com o mundo;
  • 17 de dezembro de 2006. A temperatura em Porto Alegre foi a quase 40°C, e teve outras coisas das quais já falei;
  • Entrada em funcionamento do LHC (2008). Era para ser a “máquina do fim do mundo”. Era. Mas continuamos aqui…

Até agora. EXATAMENTE AGORA.

Pronto, acabou de novo. Crentes do fim do mundo, nos vemos novamente em 21 de dezembro de 2012. Até lá!

Já para os não-crentes, alerto que a programação do blog volta ao normal, agora que o mundo acabou novamente.

Houve uma vez uma noite de Ano Novo…

Há 10 anos, o mundo estava em um quase êxtase. Era a chegada do ano 2000. Nada simbolizava tanto o “futuro” quanto este número tão “redondo”.

Mesmo nos anos 80, a ideia que eu tinha do mundo do ano 2000 era de um lugar onde os carros voavam e as pessoas usavam roupas esquisitas, tipo nos desenhos dos Jetsons.

Inclusive lembro de um diálogo com o meu pai no dia do aniversário dele em 1999 (ou seja, 31 de dezembro!). Falávamos sobre o ano 2000, que finalmente chegava, e eu lembrava a visão inspirada nos filmes que eu tinha da data: “Pois é, e os carros não estão voando” (apesar de alguns motoristas doidos tentarem isso até a morte – literalmente).

No dia 31 de dezembro de 1999, a televisão passou o dia mostrando imagens da entrada do ano 2000 em diversas partes do mundo. E, claro, não terminava nunca aquela discussão sobre o final do século XX (e do milênio).

E o “bug do milênio”? Havia todo aquele temor quanto às falhas nos computadores na virada do ano, que levariam o mundo ao caos. Inclusive dizia-se que os sistemas de controle das armas nucleares russas seriam muito defasados, e que a partir da meia-noite de 1º de janeiro de 2000 as ogivas nucleares simplesmente se disparariam, acabando com o mundo. Claro que nada disso aconteceu, pois estamos todos aqui…

Esperei a entrada na Usina do Gasômetro. Chovia em Porto Alegre, senti frio por estar molhado e precisei comprar uma capa de chuva. E não chegava nunca meia-noite: não era culpa da expectativa, e sim, dos “excelentes” shows musicais daquela noite… À meia-noite, aconteceu algo comum na vida de um gremista: um foguetório comemorativo. Era o “futuro” chegando.

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O “ano do futuro” não foi tão maravilhoso como se esperava. Nem no âmbito pessoal. Já em janeiro, passei no vestibular para Física na UFRGS: eu largaria o curso dois anos depois, mas fiquei feliz, é claro. Só que o primeiro ano foi desastroso: nas poucas cadeiras nas quais fui aprovado, o conceito foi “C”, ou seja, “suficiente para passar”. Mesmo assim, em nenhum momento de 2000 eu pensei em abandonar o curso (em 2001 eu pensaria nisso pela primeira vez, embora brevemente).

Mas o mais incrível de tudo é perceber que o “futuro” já se encontra 10 anos atrás. Quando estivermos entrando em 2020, o que falaremos dos dias de hoje (e também dos de 10 anos atrás, que lá serão “20 anos atrás”)? E, se o assunto é “futuro”, estará o mundo de daqui a 10 anos semelhante ao do filme Soylent Green, que se passa em 2022?

Não basta “torcer para que não esteja”, e sim, é preciso que também façamos a nossa parte, procurando evitar desperdício de comida, água e energia, consumindo somente o realmente necessário, caminhando mais e andando menos de carro (gastar gasolina para andar duas quadras sozinho é o cúmulo – e o motorista engorda e não sabe por quê…). Quem não age assim, que tal começar em 2010?

Afinal, o “futuro perfeito” que eu acreditava ser o ano 2000, além de já ser passado, também é irreal. O futuro – seja bom ou ruim – será consequência de nossos atos hoje.

E se muito do que desejamos parece impossível, a ponto de nos desmotivar… Passo a palavra a Mario Quintana:

Das utopias

Se as coisas são inatingíveis… ora!
Não é motivo para não querê-las…
Que tristes os caminhos, se não fora
A mágica presença das estrelas!

A todos os leitores do Cão Uivador, um grande abraço e FELIZ 2010!

Grêmio elege novo presidente no sábado

Sábado, como todos os gremistas já devem saber, o Tricolor elege novo presidente. Pela segunda vez em sua história, a escolha se dará de forma direta, com votação dos sócios.

Respondendo ao comentário de ontem do Jorge Vieira: também vou de Duda Kroeff (chapa 1). Não tanto por ele, mas sim pelos apoios do vice de futebol André Krieger (que decidiu manter Celso Roth contrariando a imensa maioria dos gremistas, inclusive este blogueiro, e agora o Grêmio luta pelo título nacional contra seu maior adversário, o STJD) e Renato Moreira. A outra chapa, que tem Antônio Vicente Martins como candidato a presidente, tem apoio do presidente Paulo “Arena” Odone.

Aliás, um outro comentário do Jorge, mas no blog de futebol do Hélio Paz, me lembrou: Martins participou da gestão de José Alberto Guerreiro (1999-2002) nos departamentos jurídico (1999) e de futebol (2000). No futebol, 2000 foi um desastre: o Grêmio assinou a maldita parceria com a ISL, que deixou o clube ainda mais endividado do que já estava. Montou um “supertime” que foi eliminado da Copa do Brasil de maneira humilhante (4 a 1 para a Portuguesa em pleno Olímpico), perdeu o Campeonato Gaúcho para o Caxias e conseguiu chegar às semifinais da Copa João Havelange mas caiu diante do São Caetano, em casa.

Celso Roth, de novo, no Grêmio

Nas duas vezes que assumiu o Grêmio (1998 e 2000), Celso Roth tirou o time da lanterna e levou às finais do Brasileiro. Mas foi um retrancão… A ponto de estar vencendo por 2 a 0 o Goiás em pleno Serra Dourada, retrancar-se ainda mais e deixar o adversário empatar.

Mas, para explicar a demissão de Vagner Mancini, há duas hipóteses.

Primeiro, que a direção gremista apostou em Mancini e decidiu mandá-lo embora devido às más atuações fora de casa e, principalmente, contra o Jaciara. Ou seja: uma total falta de convicção, já que estamos recém em fevereiro – ou seja, o time ainda está em fase de montagem -, o Grêmio faz boa campanha no Gauchão e, pasmem, não perdeu nenhum jogo! Sem contar que treinadores que deram muito certo no Grêmio – como Felipão, Tite e Mano Menezes – começaram mal, mas tiveram tempo para trabalhar e entrarem para a história do clube.

Mas não creio que seja por questões técnicas. Só pode ser desentendimento entre treinador e direção. Esses dias, Vagner Mancini disse em entrevista que não aceita intromissões de dirigentes em seu trabalho – em referência ao acontecido no Vasco, onde Romário pediu demissão por não aceitar que Eurico Miranda se metesse na escalação do time. Certamente as palavras de Mancini não agradaram aos dirigentes gremistas, que esperaram aparecer a primeira oportunidade para poder mandar embora o técnico. Sem contar que não é a primeira vez que algo assim acontece no Grêmio: em 1993, Cassiá ia bem no comando do time, mas se desentendeu com o Cacalo (então vice de futebol) e foi demitido. Pelo menos depois veio o Felipão…

Agora, é esperar para ver se Roth se sairá bem ao assumir o Grêmio num momento “não-crítico”. Pois não há crise alguma no clube agora, diferentemente de 1998 e 2000. Bom, a não ser que a imprensa crie uma, vide episódio das “ovelhinhas” de 2003, que se tornou crise graças à Zero Hora – e a partir dali o Grêmio desandou.