Não foi um jogo qualquer, foi O JOGO!

Ontem fui ao Olímpico assistir ao Grêmio pela 198ª vez. Provavelmente, o jogo contra o Avaí, dia 26, será o meu 200º no Monumental.

Mas se o jogo 200 terá uma “marca histórica”, será só para mim. Já o de ontem, o de número 198, é histórico por si próprio: QUE JOGAÇO! Tanto Grêmio como Santos poderiam ter vencido, assim o placar de 4 a 3 para o Tricolor não foi injusto.

O Grêmio jogou bem. Mas o Santos… Como joga aquele time! Chega à área adversária com uma facilidade impressionante, e isso não se deve a adversários frágeis (como eu pensava ser nas goleadas que tiveram grande destaque na “grande mídia”). Mesmo com o gramado mais pesado devido à chuva de ontem (que ora caía, ora parava) em Porto Alegre, o Peixe não tinha problemas para tocar a bola e ir ao ataque com rapidez.

E esta aí um dos grandes diferenciais deles em relação aos outros times brasileiros da atualidade: são raríssimos os passes errados. Mesmo os “passes futuros”: o time é tão bem organizado, que um jogador toca a bola para onde não há ninguém, mas já prevendo que quando a bola chegar lá, haverá um companheiro – e realmente, ele está lá na hora certa. Méritos do técnico Dorival Júnior, que não é tão falado na “grande mídia”.

Ou seja, sem “firulas”, sem individualismo exagerado, o Santos joga o verdadeiro futebol bonito. Muito toque de bola, e sempre para a frente. O que faz suas partidas ganharem muito em termos de emoção.

Para compensar, conforme eu dizia semana passada, o Santos é fortíssimo do meio para a frente, mas a defesa “faz água”. O que não tira os méritos do Grêmio ontem, é claro: era preciso atacar, aproveitar-se da fragilidade do setor defensivo do Peixe. E o Tricolor fez isso. Melhor no segundo tempo, é verdade, mas fez.

Borges ou Jonas, qual foi o melhor ontem? O primeiro marcou três gols, demonstrando cada vez mais que o Grêmio acertou em cheio na sua contratação, e que Maxi López não faz falta nenhuma. Mas Jonas… Fez um gol (aliás, um golaço) e participou dos lances dos outros três – o pênalti perdido só serviu para confirmar sua “zica”, de perder os gols fáceis e fazer os difíceis.

Depois da derrota parcial por 2 a 0, os 4 a 2 eram um resultado monumental para o Grêmio. Acabou 4 a 3, graças a um golaço de Robinho. Aí foi o Santos que melhorou sua situação: antes precisava de 2 a 0 na Vila Belmiro (onde contará com Neymar, que cumpriu suspensão ontem), agora só precisa do 1 a 0 para ir à final da Copa do Brasil. Mas ainda é também bom para o Tricolor, que se não vencesse estaria praticamente fora da final (a última vitória gremista na Vila foi em 1999, e antes disso não sei de outra).

Enfim, ambas as torcidas, de certa forma, têm o que comemorar. Foi uma grande partida de futebol, e fica a expectativa de outro jogaço na próxima quarta-feira em Santos. Só que ao final deste, apenas uma torcida ficará feliz. Espero que seja a do Grêmio, claro.

Mas se for para o Tricolor perder, que seja por 5 a 4, ou 6 a 5, ou 7 a 6…

Anúncios