Uma de minhas maiores alegrias atinge a maioridade

Em 30 de agosto de 1995 eu tinha 13 anos, faltando um mês e meio para chegar aos 14. Se fosse questionado quanto ao dia 30 de agosto de 2013, teria apenas uma certeza: “serei médico”. Como profeta, sou um bom blogueiro…

Mas naquela quarta-feira, o único futuro que me interessava era o das 22h30min – horário em que a bola rolaria no Estádio Atanásio Girardot, em Medellín, para o jogo entre Nacional e Grêmio, decisão da Libertadores. Após vencer por 3 a 1 no Olímpico, o Tricolor voltaria com a taça mesmo que perdesse por um gol de diferença.

Muito cedo, aos 12 minutos de jogo, Aristizábal fez 1 a 0 para o Nacional, incendiando e dramatizando a final: o Grêmio precisaria pelo menos segurar aquele resultado até o final, pois uma derrota por dois gols de diferença levaria a decisão para os pênaltis, e três gols dariam a taça aos colombianos.

O Tricolor resistiu quase até o final. Quase, pois aos 40 do segundo tempo, Alexandre foi derrubado na área e o árbitro marcou pênalti; Dinho meteu um canudo quase no meio do gol e empatou. O Grêmio não precisava mais segurar, bastava esperar e depois, celebrar: a Libertadores era nossa, de novo!

Mas, engana-se quem pensa que apenas o dia 30 foi de uma felicidade inenarrável. Afinal, o jogo acabou já na madrugada da quinta-feira, 31 de agosto, que conseguiu ser igualmente inesquecível. À tarde, o time do Grêmio desembarcou no Aeroporto Salgado Filho e depois desfilou no caminhão dos bombeiros, sendo acompanhado por milhares de torcedores. Foi uma das melhores “aulas” dos meus oito anos (1989-1996) estudando no Marechal Floriano: como o Grêmio passaria pela Farrapos, os professores não tiveram outra saída e liberaram os alunos… Nem os colorados reclamaram!

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Faça as contas e sinta-se velho

Dando uma olhada em textos antigos, cheguei num que escrevi em fevereiro do ano passado. Nele, comentei sobre o fato de que quem nasceu em 1994 completou 18 anos em 2012.

Pura questão de matemática, então: em 2013, é a vez das pessoas nascidas em 1995 alcançarem sua maioridade… Um ano do qual tenho tantas lembranças boas (que não se resumem ao Grêmio), já se encontra a uma boa distância temporal.

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Já as lembranças que tenho de 1997 não são tão boas quanto as de 1995. Mas uma é muito especial: foi quando completei 16 anos, idade mínima para votar, o que me encheu de orgulho. Tanto que faltando um ano para a eleição, já fui correndo tirar o título de eleitor.

Pois bem: quem nasceu em 1997, chega aos 16 anos em 2013.

Definitivamente, estou ficando velho

Lembram do dia 17 de julho de 1994? Pois é, hoje fez 18 anos

Brasil x Itália, final da Copa do Mundo de 1994. A Seleção voltava a decidir um Mundial depois de 24 anos (a última final fora em 1970, coincidentemente, também contra a Itália). Nas ruas de Porto Alegre (e certamente de todo o país) se vivia um clima de absoluta empolgação, visto que muitos jamais tinham visto o Brasil chegar à decisão. Meu pai, então com 42 anos, era mais “cauteloso” e alertava sobre a festa antecipada, imaginando o clima “de velório” que tomaria conta do país caso a Seleção perdesse.

Foi um jogo “morno”, sem graça, como comprovei no verão de 1995: em casa, de férias, decidi assistir à gravação da partida e quase dormi… Ficamos tensos naquele 17 de julho só porque era o Brasil em campo (naquela época eu ainda conseguia torcer pela Seleção).

Obviamente os italianos, fanáticos por futebol como os brasileiros, também sofreram muito naquela tarde; e foi até mais, por terem perdido. Assim, o vídeo que posto aqui é da televisão italiana – mas reparem o quão “calmo” é o narrador, principalmente na hora que Roberto Baggio chuta o último pênalti para fora. Um belo contraste com os gritos enlouquecidos de Galvão Bueno, que aqui no Brasil já assistimos incontáveis vezes nos últimos 18 anos.

E eu lembro disso como se tivesse sido ontem. Tinha apenas 12 anos de idade, agora tenho 30… Definitivamente, estou ficando velho em uma velocidade absurda!

Maioridade

Há algumas semanas, o Vicente Fonseca fez um comentário no Facebook que demonstra bem o quanto é interessante essa história de “ficar velho”. Ele chamou a atenção para o fato de que pessoas nascidas em 1994 completam 18 anos em 2012.

Tá, até aí, nada mais natural, pura “questão de matemática”. Os números podem ser “frios”; porém, o fato é que ele lembra bem daquele ano de 1994 – e eu também.

Alguém poderá dizer que lembramos com facilidade porque 1994 foi realmente um ano marcante: Copa do Mundo, morte de Ayrton Senna, Plano Real, rebelião do Presídio Central, neve granular em Porto Alegre, Grêmio bi da Copa do Brasil… Bastante coisa para 365 dias. Porém, 1989 também foi um ano histórico (massacre da Praça da Paz Celestial, primeiras eleições presidenciais no Brasil depois de 29 anos, queda dos regimes autoritários ditos “socialistas” na Europa Oriental etc.), mas não teve para mim o mesmo significado: lembro “em primeira mão” (ou seja, sem ser graças ao conhecimento adquirido posteriormente) apenas de que foi o ano em que entrei no Floriano, de ter torcido para o Brizola no primeiro turno e para o Lula no segundo, e de ter ganho um Pense Bem no Natal.

Já de 1994, lembro bem de todos aqueles fatos que citei. Além de acontecimentos mais pessoais como, por exemplo, a apendicite que me mandou para uma sala de cirurgia no mês de abril.

Agora, como entender que gente nascida naquele ano, que não lembra nada da Copa do Mundo mais marcante para nossa geração (a dos nascidos nos anos 80), que não conheceu inflação de verdade (quando os preços subiam todos os dias), agora esteja em idade de prestar vestibular, tirar carteira de motorista, ser obrigada a votar e se alistar no Exército? (Lembram do filho do Bebeto, que ele “embalou” após marcar aquele gol contra a Holanda? Pois é…)

Pois é, tudo que aconteceu em 1994 completa 18 anos em 2012. Passou-se o mesmo tempo que o compreendido entre 1981 e 1999 – com a diferença de que em 1999 (quando completei 18 anos) eu não lembrava de absolutamente nada acontecido em 1981 sem precisar me “socorrer” de memórias alheias e livros de História.