O milésimo gol ninguém esquece. E o primeiro também…

Em novembro de 1969, os fãs de futebol aguardavam ansiosamente o milésimo gol de Pelé. Divergências de números a parte, o Rei comemorou pela 999ª vez contra o Botafogo da Paraíba, quando o Santos venceu por 3 a 0. Na partida seguinte, o Peixe foi à Fonte Nova enfrentar o Bahia, e o estádio estava lotado por conta da possibilidade de que o milésimo saísse em Salvador. Não aconteceu: em um dos lances de gol, o zagueiro Nildo tirou a bola de cima da linha; diz-se que a torcida vaiou intensamente o jogador, informação contestada pelos baianos, que dizem que a torcida do Bahia jamais apuparia seu próprio time.

O gol 1000, enfim, aconteceu no dia 19 de novembro, no Maracanã: de pênalti, Pelé venceu o goleiro Edgardo Andrada, do Vasco. E o campo foi invadido.

De forma semelhante saiu o 1000º gol de Romário, segundo as contas dele. No dia 20 de maio de 2007, contra o Sport Recife, o Baixinho atingiu a marca histórica ao vencer o goleiro Magrão, em cobrança de pênalti. E novamente, invasão de campo.

Coisas da vida de artilheiro. Bem diferente do que passa quem não tem o “faro do gol”. Meu caso: teve uma época em que eu jogava todos os sábados com meus amigos, e por ser muito ruim, sempre sobrava para mim a árdua tarefa de ser goleiro. Então eu me notabilizava mais por levar gols (alguns bizarros ao extremo), do que por marcá-los. O dia em que finalmente consegui balançar a rede, todo mundo que estava jogando (até os adversários) veio me abraçar…

E se engana quem pensa que isso só acontece em peladas de amigos. O lateral-direito Tony Hibbert, do Everton, joga no clube inglês há 12 anos, e até esta semana jamais marcara um gol com a camisa do time. Pois em um amistoso de pré-temporada contra o AEK, da Grécia, finalmente ele mandou a bola para as redes. Não teve outra: o campo foi invadido pela torcida enlouquecida, que quis comemorar junto com Hibbert.

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26 de novembro

Há três anos, em 26 de novembro de 2005, aconteceu a Batalha dos Aflitos. O Grêmio, com apenas sete jogadores em campo, venceu o Náutico (que tinha três homens a mais, além da torcida a favor) e o árbitro Djalma Beltrami. 1 a 0, golaço de Andershow, após o goleiro Galatto defender um pênalti roubado. Vitória inacreditável, depois de parecer que tudo estava perdido*. Logo após aquela jornada memorável, meu amigo Diego, que viu o jogo em minha casa, disse: “O Grêmio hoje me deu não uma, mas duas lições de vida. Primeiro, que tudo é difícil. Segundo, que nada é impossível!”.

Três anos depois daquele dia, o Cão Uivador acaba de chegar à marca dos mil comentários. E o autor do milésimo, em um 26 de novembro, só podia ser gremista, né? Foi o Jorge Vieira (leitor assíduo do Cão desde o ano passado), em resposta aos comentários do colorado Jorge Nogueira à postagem de segunda-feira.

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* Como hoje é 26 de novembro, dia do inacreditável, não custa nada lembrar que o Fluminense ainda não está livre do rebaixamento, e pode atrapalhar a vida do São Paulo… E o Goiás não tem nada que entregar o jogo na última rodada: se o Inter entregou ano passado, azar é dele.